Viva a Vida !

Este blog destina-se aos meus amigos e conhecidos assim como aos visitantes que nele queiram colaborar..... «Olá, Diga Bom Dia com Alegria, Boa Tarde, sem Alarde, Boa Noite, sem Açoite ! E Viva a Vida, com Humor / Amor, Alegria e Fantasia» ! Ah ! E não esquecer alguns trocos para os gastos (Victor Nogueira) ..... «Nada do que é humano me é estranho» (Terêncio)....«Aprender, Aprender Sempre !» (Lenine)

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

carlos rodrigues - " CLARO-OBSCURO "


                                                        “  CLARO - OBSCURO “

                                           Não vale a pena dizeres que não sabes
                                           mais  do que sabias, sobre o que todos sabem,
                                           que o avião vinha de Paris e aterrou  na Portela.

                                           Um passageiro saiu antecipadamente condenado
                                           a não conceder entrevistas aos que sabem
                                           sempre mais do que se sabe.

                                          Da  Cruzada nada vi, mas dizem que se sentia o peso
                                          das suspeitas, enquanto o aparelho ejetava fumaças turvas
                                          de notícias brancas num Claro-Obscuro por decifrar.

                                          Fala-se de um anjo caído sobre uma angústia de aço,
                                           talvez um São Gabriel de asas abertas, em protesto,
                                           porque os Cem Anos de Solidão de Garcia Marques
                                           e todo o seu realismo mágico ainda não foram
                                           devidamente beatificados, e a realidade insiste
                                           em vender notícias mesmo antes do Julgamento Final.

                                           De momento o que realmente transpira
                                           é  a figura triste da morte antecipada de um País,
                                           cheio de incertezas interiores e condenações à priori,
                                           de conluio com o peso  de tanta História atraiçoada,
                                           sendo que alguns Santos da casa, também não fazem milagres
                                           e nos continuam a mentir, fingindo que ainda estão vivos.
                                           É bem possível que, brevemente, uma notícia inesperada,
                                           nos confirme que todo o País sofre de insónia congénita,
                                           com desmemória coletiva associada, de tal forma
                                           que já nem nos lembramos que demos novos mundos ao mundo,
                                            permitindo, ao invés, que vozes de outro mundo ecoem,
                                           especulando sobre o  crime, com sorrisos de cicuta no bolso,
                                            enquanto, aqui, alguns tentam ocultar as suas próprias culpas
                                            noutros processos por esclarecer, sob a fuligem globalizada
                                            dos bezerros de oiro do meio.

                                            Aguarda-se, religiosamente, o veredicto,
                                            sobre as causas e efeitos do sinistro,
                                            enquanto nos palanques  do costume as palavras
                                            de alguns Sacerdotes, das mais variadas tendências,
                                            compõem parábolas  sinceramente amistosas,
                                            mas apostados em afirmar, por uma questão de segurança,
                                            nunca terem rezado com o suspeito, nem dado qualquer Amem
                                            aos desvios da ética,  que nestas coisas,
                                            amigos, amigos… Templos aparte.

                                            E é por isso que, aqui, na semi- obscuridade dos leigos
                                            pacíficos, me cumpre reafirmar o que nem fui eu que disse:
                                            Só sei que nada sei.


                                              Carlos A. N. Rodrigues, 30 / 11 / 2014


sexta-feira, 21 de novembro de 2014

sílvia mendonça - coreografia




COREOGRAFIA...
Por Silvia Mendonça.

no palco da noite
no bailado de corpos
no cenário de sombras
esculpidas em nus
tu danças as mãos
descreves contornos
na minha nudez
eu sou dimensão
danço em teu espaço
despida do cansaço
eternos desejos
volúpia
harmonia
vontade
ao longo de ti
tateio caminhos
no trajeto da boca
e danço contigo
e esqueço a memória
eu sou o teu sangue
na mesma saliva
no mesmo suor
bailamos amantes
gozamos coreografia

[Foto: Joanna Wilińska for Schon Magazine]

[Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (Autora). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.]
 

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

susana garcia ferreira - a menina anjo





tenham uma boa noite queridos(as amigas /os . bjs e abracinhos. 

A menina anjo

Num lindo dia nasceu uma menina que a sua mãe e quem a viu nascer sabiam que era um anjo .que tinha nascido naquela pequena vila um ser especial. Poucos sabiam que era anjo mesmo quando foi crescendo pois não tinha asas. A sua pele não era tão branca e não tinha cabelos doirados como os anjos . Mas era um sim no seu interior . Em pequena a sua mãe quando era altura das festas da terra ou no carnaval fazia questão de fazer os mais lindos fatos de anjo e de vestir a sua menina com eles porque sabia que o era alem de ser linda. Havia até outras meninas que tinham inveja da sua enorme beleza. A sua mãe também por brincadeiras da filha dizia muitas vezes que ela tinha asas nos pés além de claro as ter no coração.quando podia ir brincar depois da escola . Era num instante que a menina desaparecia a correr pelo meio dos campos como gostava com os cabelos ao vento. Quer estivesse sol ou tudo enlameado. Os bichinhos também se juntavam a ela pois já sabiam a que horas aparecia e a menina adorava estar com eles . Das flores sentia o seu aroma mas não as apanhava apenas tirava frutos das árvores dos pais . Quando se cansava deitava se a sombra dos pinheiros e de outras grandes árvores ou adormecia no celeiro junto com os seus bichinhos. No verão gostava de ir ate ao rio quando a sua mãe ia lavar naquelas aguas a roupa . Enquanto lavava a menina tomava umas banhocas . Dava mergulhos era muito divertido outras vezes ia com o seu pai para o ver pescar mas ai ficava triste porque não queria que fizessem mal aos peixinhos mas o seu pai la lhe explicou e menina entendeu. O inverno la pela sua terra era muito rigoroso e a menina não podia fazer as suas brincadeiras mas ficava no seu quarto a inventar histórias e a olhar pela janela a ver a neve a cair da serra como flocos de algodão mesmo nesse tempo frio tinha bichinhos que ficavam consigo em casa e dormiam consigo e olhavam tb pela janela com a menina. Foi crescendo mas continua a ser um anjo . A menina anjo dos seus Pais . Um anjo que nem todos sabem que o é mas quem sabe . Quem o sentiu e sente . Sabe que a partir daquele dia aquela terra foi abençoada por aquele ser tão especial . Um lindo anjinho 

Escrito a 27-10-2014
Susana Garcia Ferreira
 


sábado, 15 de novembro de 2014

maria joão de sousa - janelas (in memoriam de José Casanova)

*


JANELAS

Ressoam mil palavras que iluminam
Silêncios das janelas apagadas
Que vão mostrando, ainda que caladas,
O tanto que as vidraças nos ensinam

E, sempre que as janelas nos dominam,
Ficam, dentro de nós, perpetuadas,
Palavras – tantas mil! - das que, adiadas,
Não puderam ser ditas, mas fascinam

Como coisas antigas, revividas,
Que, assim que vislumbradas, decididas,
Repetem, sem falhar; - Nós ficaremos!

Janelas, quais palavras repetidas,
Que doem, mas jamais serão traídas,
Abertas sobre quem não mais veremos...

Maria João Brito de Sousa – 15.11.2014 – 23.22h

Ao Zé Casanova.

Ao Zé, in memoriam
 

carlos rodrigues .- " SONETO PARA INQUISIDORES E OUTRAS AVES DE RAPINA "



                    “  SONETO PARA  INQUISIDORES  E OUTRAS AVES DE RAPINA “

                                          Ó raiva silenciosa que nos julgas,
                                          Ó entremez das leituras impotentes,
                                          Ainda se fosses capaz, por um instante,
                                          De saíres da cava onde te ocultas,

                                          Deixava-te um sinal de luz nas nalgas,
                                          Que com a força das letras de um sinete,
                                          Te certificasse o vazio da mente,
                                          Com uma bela escultura das Caldas.

                                           Não tomes por agressão este soneto,
                                           Pior é apagares aquilo que escrevo,
                                           Por má catadura ou apenas medo

                                           De que a escrita te penetre, lentamente,
                                           E te exponha a cobardia do que intentas,
                                           Ao julgares,  p’lo espelho, toda a gente.

                                           Carlos A.N. Rodrigues, 29 / 11 / 2014



  • Victor Barroso Nogueira um soneto enigmático embora a leitura dos comentários do Carlos Rodrigues lhe tenha dado outra luz que não a que eu pensara em resultadoi da enxurrada deste outonal entre as águas de novembro e dezembro a caminho dos sapatinhos e das botinhas de natal

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Octávio Guedes Coelho - O desembarque...

* Octávio Guedes Coelho

Estava a pensar... que há muitos anos atrás, desembarquei em Luanda, com a cabeça mergulhada em sonhos e o corpo encadernado num bonito fato de boa fazenda, devidamente engravatado, com os sapatos a brilhar de bem engraxados e escovado de alto a baixo.

Logo ali no cais senti-me aliviado quando percebi que estava em terra não muito diferente da deixada 18 dias antes na Gare Marítima de Alcântara. O sentimento inquietante de que havia deixado para trás o próprio mundo, desapareceu como por encanto.

Á minha volta ia toda uma azáfama de gente rindo, gritando, movendo fardos, arrastando malas e embrulhos, em quase tudo idêntica à do cais de Lisboa, embora aqui as cores fossem mais vivas e os odores mais intensos,

As gentes diferentes na raça e na cor da pele, misturavam-se pacificamente, eram alegres, ruidosas, vestiam-se com roupas frescas e tinham um aspecto mais saudável do que o meu, enfarpelado num fato de alpaca, com maneiras de janota lisboeta.

Ainda não tinha saído do cais, não vira nada e já tinha a certeza de que Luanda e as suas gentes eram lindas.

As escalas que tinha feito anteriormente em 3 portos africanos, tinham-me deixado confundido quanto às gentes e costumes, levando-me a duvidar das narrativas da minha avó Teresa, que eu lia e relia vezes sem conta, vendo-me já a andar pelo calor da cidade e a sentir os cheiros desconhecidos de Luanda, tal a intensidade das descrições feitas nas cartas que me escrevia.

Eu queria e estava ansioso por acreditar, mas durante a viágem céptico como o apóstolo: precisava de ver, para depois crer na África que me tinha calhado em sorte. Mas a querida avó Teresa era senhora de palavra e de grande dignidade.

Eu nunca devia ter duvidado!

Graça Antunes - Porque



Já tinha postado...
Porque
Porque amo estas rochas rudes
Graníticas esculturas que o tempo moldou
Onde a minha alma se liberta e voa
E persigo um rasto
De um sulco perdido
Na memória da vida
E é na solidão deste horizonte antigo
Trilhando caminhos
Sem Norte e sem rumo
Que me reencontro
E perco
Como águia planando
Na vastidão do mundo.


Graça Maria Teixeira Pinto.

maria joão de sousa - CIDADE SEM SENTIDO(S)

Maria João de Sousa


Se a Cidade contasse os segredos
Das janelas fechadas dos dias
Quantos rostos e mãos não verias
Nas cortinas já gastas dos medos,
Quantos corpos em estranhos folguedos,
Quantas camas desfeitas, já frias,
Quantas mesas de pinho vazias
De uns pedaços de pão, mesmo azêdos?
Se a Cidade pudesse falar
E se erguida do chão, a gritar,
Rebentasse em protesto incontido
Levantando o seu punho no ar...
[... ah, Cidade que eu tento inventar,
nem eu própria sei dar-te um sentido!]


Maria João Brito de Sousa - 05.10.2011 - 15.03h

carlos rodrigues - " O TREVO E O BALÃO "

                                                                             “  O TREVO E O BALÃO “

 Não escrevo só por escrever, creio no que me dita a pena, mas às vezes, sem querer, deixo que outro escreva o que não digo por mim. De dia só passo a limpo o que de noite me turva. O silêncio só explica o que qualquer criança sabe, que o mundo é um balão e o coração um trevo.
 Explicar é complicar: Um trevo, mas de que cor ?... Branco, vermelho ou incolor ?  Sim, que o primeiro é espontâneo, o segundo é cultivado e o terceiro está errado. Alguns são ervas canárias  mas não cantam, são azedas. Há os de água que são favas contadas, os de Alexandria, egípcios da treta e até os de quatro folhas, as marsíleas, biologicamente  leguminosas, como os outros, mas substantivamente femininas. O que só complica o género  e a Geometria delas.  Já para não falar noutras verduras, que no gosto das crianças são intrusos da alimentação. Em matéria de legumes eles são, quer inocentes quer não, complicadores compulsivos e detestam o mercado das folhas verdes, passíveis de transformação em salada ou esparregado.

 Há quem tente incutir-lhes algum orgulho patriótico, porque verde também é cor de bandeira, tanto quanto o vermelhão e lá fora há mesmo quem coma flores, de todas as cores, o que ainda por cá não faz nosso padrão, nem por tal peço explicação. Podendo ser alimento, a flor, quanto a mim, é muito mais decoração. Tudo isto para dizer que o trevo não carece de melhor explicação.  O trevo  é apenas coração.
Já em relação ao mundo, a situação é diferente, na perspectiva infantil, se era bola de Berlim, hoje como o muro caiu, esse conceito também já foi no balão.
 Mantém-se, contudo, em pastelaria, aquele gosto açucarado e o excesso de calorias, o que para as crianças não é razão que valha a eliminação, como um ótimo alimento, com ou sem representação, de um mundo em constante mutação. Eles agora já estão mais atentos à interdição parental, na Pastelaria. Daí a que, à defesa, tivessem passado a comer a bola, na Escola, o que dispensa qualquer tipo de explicação, tanto mais que o mundo enrola, enrola, como é sabido, ainda mais do que o explicado.  Para as crianças, repito, hoje o mundo já não é uma bola de Berlim com açúcar cristalizado, é um teleguiado, uma bomba, um foguete,uma navalha de ponta-em-mola e, enfim, uma forma de contornarem o que se vê na Bola.


E mais, se eles um dia afirmarem  que o planeta K Pax  existe, como um pássaro azul num manicómio, o melhor é acreditar  nas crianças,  porque grande parte do  conhecimento científico que o cidadão comum possuí do Universo e passa de geração em geração, se baseia no Canal Hollywood e não há como negá-lo, para além de que se trata de um filme extremamente poético e isso as crianças são as primeiras a percebê-lo.
 - Então e o mundo já não é uma bola de Berlim, com os pólos achatados ?   - Claro que não avô, tens cada uma, o mundo é um balão, senão como é que flutuava no espaço ?  - E as pessoas que lá vivem, conseguem respirar  ?  Claro, é um pulmão dentro de outro ou então ou então… levam máscaras…Mas nós estamos, aqui, a falar disso, de cara descoberta e a respirar menos mal  - Isso é por que ainda não é Carnaval, não te lembras, do ano passado, quando eu me vesti de astronauta ? – Sim, é verdade, até me disseste que estiveste numa estrela de açúcar cristalizado, doce e luminosa, como a mãe.

  Felizmente que já voltaste de K-Pax, mas como é que conseguiste estar aqui tão depressa ? Sempre pensei que uma viagem de balão fosse mais lenta. E  a aterragem, correu-te bem ? – Então tu não viste a mãe a puxar o cordel, como quando eu nasci ?...
 - Bom, isso não foi bem assim, quando tu nasceste cortaram-no, quer dizer… tu estavas ligado à mãe por um cordão e… depois a cegonha… Mas tu ainda acreditas nisso, avô, que os bebés vêm de França ? Eu bem sei, que vocês também me querem convencer disso.  Mas só porque tenho cinco anos, vocês julgam que eu já não vi um vídeo de como se fazem os bebés, na Net ?...

E como é que se pode manter um diálogo com uma criança destas, que até sabe muito bem que um trevo é um coração e o mundo um balão com cordão umbelical ?

 É por isso que eu digo que o Governo nos devia dar  mais tempo para deixar que as crianças nos eduquem, enquanto não lhes dá para escreverem Poesia, matéria em que, mesmo sem saberem ler nem escrever, já vão muito mais adiantados do que nós.

 Desculpem, mas tenho de interromper aqui, porque está a chegar  o meu Educador mais novo e não convém complicar  ainda mais a situação.
Hoje, é dia de avaliações parentais e ele vai com certeza continuar a expor, com conhecimento de causa, a sua teoria sobre o Trevo e o Balão.  Deus queira que não me faça perguntas muito difíceis. Boa noite.

- Está a falar para o gravador de um autor não identificado. De momento não me é possível atendê-lo. A seguir ao sinal deixe a sua mensagem. Piiiiiiiiiiiiiii.

              Carlos A.N. Rodrigues, 12 / 11 / 2014.

uma ilustração de Nicoletta Tomas Caravia

Nicoletta Tomas Caravia

Partilhado por Ceília Barata

maria joão de sousa - ONDE MAIS NOS DÓI...

* Maria João de Sousa


Onde mais nos dói

é na ferida aberta

pelo momento em que a ceia,

travestida de doçura,

se nos derrama sobre a pele nua

e os olhos da lucidez se nos estendem

até ao inesperado veneno

de um cálice que ousáramos afastar…



Alguns de nós terão sobrevivido

e permanecido ainda que domesticados,

comprados, vendidos, usados, castrados,

programados, manipulados… mas gratos,



na montra (in)comum da exposição banal,

conveniente e pateticamente gratos!





… porque nem tudo o que luz é ouro

e nem tudo o que alimenta é digerível,

muitos terão morrido, tantos terão lutado



e,



um dia,

todos teremos conquistado

o direito a recusar a exibição

de um estatuto gravado a fogo

sobre a carne viva da sobrevivência





Maria João Brito de Sousa – 01.11.2013 – 18.40h

Maria João de Sousa - “PR`A NÃO FICAR DIVIDIDO...”

XXII JOGOS FLORAIS DO OUTONO – MONFORTE, 2014

Poesia Obrigada a Mote

MOTE

Minha mãe me queria bem,
Do meu pai tinha carinho,
Pr`a no mundo ser alguém,
Sou dos dois um bocadinho.

Júlio António

Glosa

“PR`A NÃO FICAR DIVIDIDO...”

Baixa, morena e franzina,
como dizem que convém,
nunca me olhou com desdém,
fez de mim “sua menina”
e nem supôs “ler-me a sina”
ao dizer; “Talento, tem!
Faz versos como ninguém
e até a mim mos ensina,
esta minha pequenina!”;
Minha mãe me queria bem”,

Alto e bom trabalhador,
apreciava um bom vinho,
preferindo estar sozinho
com livros ao seu redor,
mas tinha-me tanto amor
que me chamava, baixinho,
só pr`a dar-me o seu beijinho
que me sabia melhor
do que as “coisas de valor”;
“Do meu pai, tinha carinho”

Por saber valer a pena
ter escutado minha mãe,
escrevi, desenhei também,
senti-me, às vezes, pequena,
quase frágil açucena,
mas lá fui crescendo bem
porquanto a escrita sustém
e, servindo-me de empena,
garantiu-me a força plena
“Pr`a no mundo ser alguém”

E por meu pai, muito querido,
quando à noite, de mansinho,
regressava à casa-ninho
exausto e quase rendido,
mas jamais tendo esquecido
o tal beijo ao seu filhinho
que já estava deitadinho
no seu berço, adormecido...
Pr`a não ficar dividido,
“Sou dos dois um bocadinho”!

Adriana Só (pseudónimo)

Maria João Brito de Sousa