Segunda-feira, 13 de Julho de 2009

Uma quadra da Belisa

Belisa disse...
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Olá :)
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Este ursinho é um amor
Todo rosinha e contente
Hoje está um dia de calor
E tu um homem valente!
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Desejo rápidas melhoras e deixo beijinhos estrelados

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12 de Julho de 2009 16:46

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Domingo, 12 de Julho de 2009

Amizade



Enviado por Toñy (hi5)
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Quarta-feira, 8 de Julho de 2009




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Terça-feira, 30 de Junho de 2009

J J Castro Ferreira - Fotos da Família

* Fotos de J J Castro Ferreira
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José Luís Castro Ferreira (meu avô paterno)


Susana e Rui Pedro (meus filhos)

J.J. Castro Ferreira (auto-retrato - meu tio paterno), Esperança (minha tia-avó paterna), Maria Luísa (minha tia paterna) e Victor Nogueira
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Domingo, 28 de Junho de 2009

O trabalho teórico e a luta revolucionária - João Aguiar


Marx, Engls e LéninA teoria revolucionária é a consequência do estudo da realidade política e social nada tendo a ver com a repetição empolgada de chavões ou a aplicação mecânica de princípios gerais a uma situação em específico, sem olhar a novas configurações do capitalismo, do Estado e da correlação de forças, por isso, não se confunde com o verbalismo vazio dos esquerdistas, nem com a chamada renovação que caracteriza o reformismo. “a teoria revolucionária não abdica nem dos princípios fundamentais do marxismo-leninismo (…), nem da necessidade de compreender novos fenómenos; a teoria revolucionária aplica criativamente os conceitos nucleares do marxismo ao contexto em que os revolucionários actuam numa determinada época e sociedade”.
João Aguiar* - 22.06.09

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Na ciência burguesa é relativamente difundida a ideia que a célebre XI Tese sobre Feuerbach – «todos os filósofos limitaram-se a interpretar o mundo, trata-se agora de transformá-lo» – seria uma afirmação em que Marx acharia desnecessária toda e qualquer teorização do real. Na realidade, tais noções não fazem sentido. Basta lembrar toda a imensa obra teórica de Marx (o actual projecto de publicação das obras completas de Marx e Engels em alemão será de 120 volumes, portanto, cerca de 72.000 páginas!) para se perceber o colosso intelectual do grande revolucionário alemão. Por outro lado, o marxismo nunca desqualificou o labor teórico. Mais uma vez, lembrem-se duas clarividentes lições de Lenine: «não há movimento revolucionário sem teoria revolucionária" e a importância para os Partidos Comunistas da "análise concreta da situação concreta». Por conseguinte, há em toda a história do marxismo-leninismo uma ligação indissolúvel entre trabalho teórico e prática revolucionária.
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Qual a relação entre teoria revolucionária e luta prática?

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Para responder a esta questão, importa considerar dois elementos principais:
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1. a teoria revolucionária não existe fora da luta revolucionária.
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Quer dizer, Marx não nasceu comunista e até atingir os seus 25-26 anos de idade nunca se considerou socialista ou comunista, apesar de já ter entrado em contacto com as correntes anti-capitalistas da época. Para além da ruptura com o hegelianismo e da leitura do artigo «Esboço para uma crítica da economia política» de Engels e publicado nos Anais Franco-Alemães em 1844, foi o contacto de Marx com emigrantes e refugiados políticos socialistas de origem alemã em Paris e, sobretudo, com o desenvolvimento da luta operária – por exemplo, os tecelões da Silésia em luta no ano de 1843 – que iriam estar na génese do marxismo como teoria revolucionária.
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Um outro exemplo. A obra de teoria (científica e política) mais brilhante de Lenine é, não por acaso, "O Estado e a Revolução". Obra escrita em Julho e Agosto de 1917 em pleno fogo da luta revolucionária em ebulição. A percepção do poder de classe do Estado e a percepção das tarefas que cabiam (e cabem) ao proletariado num contexto de transição para o socialismo seriam aspectos de todo inacessíveis fora da luta revolucionária.
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2. a teoria revolucionária permite perspectivar as condições gerais e específicas em que decorre a luta revolucionária.
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Não se pense que o marxismo é um mero pragmatismo. De facto, a luta e a prática nas organizações marxistas necessitam sempre de um programa, de resoluções políticas, de debate político e ideológico. É quase como que «o pão para a boca» das organizações políticas e sociais da classe trabalhadora. Para recorrer a um outro exemplo, repare-se que, ao contrário do preconceito dos media dominantes de que o PCP seria um partido enquistado, sectário, sem debate político e condenado a desaparecer, a verdade é que o PCP não teria a força eleitoral e, fundamentalmente, social e sindical se não debatesse e aplicasse enunciados políticos e ideológicos que se ajustam à realidade concreta das massas populares.
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Consequentemente, a teoria revolucionária enquadra a luta das organizações operárias em dois níveis. Por um lado, a teoria revolucionária enquadra a luta em termos das condições gerais em que ocorre. Isto é, a teoria revolucionária permite compatibilizar a luta quotidiana com o processo histórico global, portanto, entre luta reivindicativa de massas e a luta geral contra o capital. Por outro lado, a teoria revolucionária permite compatibilizar a luta quotidiana na conjuntura nacional, social e temporal em que se desenrola num determinado momento.
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Assim, considere-se a relação entre teoria e luta revolucionária a partir das seguintes noções:
• a teoria revolucionária faz parte da luta de ideias, da batalha política e ideológica contra a ideologia dominante;
• a teoria revolucionária não é o repetir de chavões ou o aplicar mecânico de princípios gerais a uma situação em específico, sem olhar a novas configurações do capitalismo, do Estado e da correlação de forças – a teoria revolucionária não se confunde com o verbalismo oco do esquerdismo;
• a teoria revolucionária não é igual à revisão de princípios do marxismo em favor da busca de pretensas soluções novas para uma realidade social capitalista que, apesar de novos ajustamentos, continua a reproduzir os seus pilares fundamentais (exploração da força de trabalho; mercantilização de todas as actividades sociais, culturais e naturais; Estado de classe controlado pela burguesia; força e peso da ideologia dominante, etc.) – a teoria revolucionária não se confunde com a busca da “renovação" pela “renovação” típica do reformismo;
• a teoria revolucionária não abdica nem dos princípios fundamentais do marxismo-leninismo (primado da luta de classes, papel de vanguarda da organização revolucionária, natureza de classe das várias instituições da sociedade, etc.), nem da necessidade de compreender novos fenómenos;
• a teoria revolucionária aplica criativamente os conceitos nucleares do marxismo ao contexto em que os revolucionários actuam numa determinada época e sociedade.
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Aplicações necessárias da teoria revolucionária à realidade actual: algumas questões que se colocam e que importa dar resposta
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1ª necessidade:
aprofundar a compreensão da real dimensão da actual crise estrutural do capitalismo.
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Aspectos a aprofundar:
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a) relação do capital fictício em hipertrofia com as dificuldades de produção de mais-valia na esfera produtiva.
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b) de que forma a bolha financeira despoletará uma crise ainda mais profunda ao nível das relações de produção capitalistas.
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c) de que modo se relacionam crises cíclicas no seio da crise estrutural mais geral do capitalismo.
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Importância prática desta questão:

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a) desmontar a mecânica interna do imperialismo, como forma de explicitar as raízes estruturais de um sistema explorador e opressor dos povos e dos trabalhadores.
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b) compreendendo a essência do funcionamento do capitalismo, torna-se mais fácil rebater soluções políticas supostamente «de mudança» (como Obama e toda a campanha propagandística em seu torno) e, ao mesmo tempo, de rebater soluções pretensamente milagrosas para o sistema financeiro. A crise estrutural do capitalismo não pode ser regulada, como defendem certas concepções próximas ao keynesianismo, nem é superada por receitas que passem por introduzir «mais mercado» como apregoam as correntes mais abertamente neoliberais. De facto, a crise estrutural do capitalismo demonstra, por um lado, a vulnerabilidade do indivíduo perante toda a mecânica do sistema onde é apenas mais um recurso para extrair mais-valia e, por outro lado, que a sociedade alicerçada na exploração do trabalho humano tem limites estruturais profundos. Compreender a existência destes últimos não significa, evidentemente, que o capitalismo poderia desaparecer por si mesmo mas que, tendo em conta as dificuldades do sistema para incrementar a extracção de crescentes volumes de mais-valia, só a luta colectiva dos trabalhadores e dos povos pode ultrapassar uma sociedade ancorada na exploração do homem pelo homem.
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2ª necessidade: aprofundar a compreensão do desenvolvimento da configuração interna dos Estados e correlativas vias de fascização de novo tipo.
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Aspectos a aprofundar:
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a) papel da securitização do Estado na prevenção (e criminalização) de futuras movimentações operárias e populares.
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b) possibilidade de o capitalismo tentar controlar politicamente a grave crise económica e o crescente caos associado por via do recurso a vias de fascização da vida política.
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c) compreender como estas tendências fascizantes convivem com instituições formalmente democráticas e, mais importante, com a assunção de que tais processos seriam democráticos e realizados no interesse de todos os cidadãos.
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Importância prática desta questão:
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a) reafirmar a natureza de classe no Estado e dos processos políticos. O Estado nunca foi, e hoje muito menos, um aparelho neutro e desligado de interesses de classe. A existência de naturais diferenças entre várias formas de Estado (liberal, ditadura militar, fascismo, etc.) não deve obscurecer a tendência imanente de em situações históricas de crise o capital abraçar empreendimentos militaristas, repressivos e fascizantes.
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b) compreendendo a substância dos Estados – cada vez menos democráticos e cada vez mais autoritários na sua actuação quotidiana – mais facilmente se colocará perante as massas que a superação do sistema implica uma transformação do aparelho de Estado, num sentido da sua democratização e do seu controlo político pelo povo e pelos trabalhadores.
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3ª necessidade: aprofundar a compreensão das transformações na esfera cultural e ideológica.
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Aspectos a aprofundar:
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a) compreender como ideologias de classe (pós-modernismo, teorias sobre a sociedade do conhecimento e correlativo fim do trabalho e das classes, teses sobre a superioridade numérica das chamadas classes médias e dos «colaboradores», etc.) se apresentam como pretensamente não-classistas e compreender o seu impacto nas dificuldades de identificação colectiva de camadas da classe trabalhadora.
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b) perceber a relação entre crise estrutural do capitalismo/tendência fascizante de organização do poder político/estetização da política e da vida quotidiana. Por outro lado, a crise do capitalismo, do ponto de vista dos interesses do grande capital, implica que os trabalhadores adoptem comportamentos individualistas e refractários à luta reivindicativa. Neste capítulo, a difusão de ideologias consumistas junto de novas camadas de trabalhadores actua como um poderoso factor para fazer recuar a consciência operária e popular nas suas forças.
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Importância prática desta questão:

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a) compreender a ligação entre a produção cultural, a difusão ideológica, os mecanismos de condicionamento na formação da opinião e a legitimação do capitalismo.
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b) desconstruir a noção de que o que os indivíduos pensam (e que lhes transmitem nos media e noutras instâncias culturais) é natural, lógico e inquestionável, mas que se encaixa perfeitamente nos processos de dominação ideológica do grande capital.
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c) um mais apurado entendimento destes fenómenos permite um avanço na luta ideológica contra o capital e, portanto, na luta mais geral contra o capitalismo.
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4ª necessidade: aprofundar a compreensão das causas fundamentais do findar da ex-URSS.
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Aspectos a aprofundar:

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a) decifrar como se operou a interacção causas internas e causas externas na derrota do socialismo. Quer dizer, a relação complexa e vasta entre: o colossal cerco imperialista; a relação triangular edificação do Estado socialista – transformação das relações de produção – desenvolvimento das forças produtivas; as modalidades específicas e a variável intensidade da luta de classes no processo de construção do socialismo; o sucesso ou insucesso na formação de quadros e no maior ou menor fomento da participação popular, etc.
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Importância prática desta questão:

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a) uma compreensão sólida do que se passou nas experiências de construção do socialismo assegurará que o ideal comunista se afirme como alternativa ao capitalismo. Ou seja, o socialismo só passará à ofensiva ideológica se for capaz de compreender mais cabalmente esta questão. Um dos eixos mais relevantes que o capital tem aproveitado na luta ideológica passa pela assunção de que não existiria alternativa ao actual sistema. A criminalização do socialismo soviético aparece aqui como central nesse desígnio ideológico do grande capital e do imperialismo. Nesse sentido, a reposição da verdade sobre as experiências de construção do socialismo consubstancia-se como um passo fundamental nesse processo.
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Conclusão
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Uma compreensão mais profunda dos fenómenos acima mencionados permitirá a desmontagem de enunciados da ideologia dominante. Evidentemente, os comunistas e revolucionários têm um largo património teórico sobre estas questões. Assim, trata-se aqui da necessidade de se aprofundar ainda mais esse património e não de o descartar ou ignorar.
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Com efeito, a própria teoria revolucionária será tanto mais eficaz quanto mais se avançar na discussão colectiva dos problemas em causa. Discussão colectiva que tem de estar sempre inserida no quadro de fortalecimento da luta de massas e das organizações da classe trabalhadora. Só a luta dos trabalhadores e dos povos e das suas organizações de classe poderá transformar o mundo.
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Animada por esse objectivo, a teoria poderá interpretar mais correctamente o mundo social e político, por conseguinte, melhorando as probabilidades de sucesso da luta popular pela transformação da sociedade. E porque o marxismo consagra essa unidade entre pensamento e acção, só a luta (teórico-ideológica e de massas) é o caminho!

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*Sociólogo

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in

o diario.info

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Quinta-feira, 25 de Junho de 2009

Que escreverias a alguém num muro branco?

Assunto: BRINCADEIRINHA...
Data: 25/Jun 11:53

--- Ana Paula wrote:

SE NUM MURO BRANCO PUDESSES ESCREVER UMA FRASE PARA MIM,O K ESCREVERIAS?......

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PASSA A TODOS OS TEUS AMIGOS E VÊ O RESULTADO....DIVERTE-TE......

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Distribuído por Moranguinho Pereira (hi5)

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Há Patrões de Direita e Patrões de Esquerda ?

Assunto: Fascismo...
Data: 23/Jun 14:25

Sabem que há patrões de "esquerda" que acham que devemos estar agradecidos por nos darem trabaho, contra o pagamento de 450 euros mensais por 8h (ou mais) diarias de trabalho, sem subsídio de refeição e sem nos inscreverem na Segurança Social. Se reclamamos, ainda somos mal agradecidos. Ao que isto chegou...

Lua e Mar


NOTA VN - Patrão é sempre patrão, seja ou não oportunista de esquerda. Se não agisse como patrão, falia e passava a ... desempregado. Mas as pessoas esquecem-se do bê-à bá

Victor Nogueira

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Terça-feira, 16 de Junho de 2009

J J Castro Ferreira - desenho


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Segunda-feira, 15 de Junho de 2009

Rui Pedro - Desenhos




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anotações da mãe, Celeste Gato
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Domingo, 14 de Junho de 2009

Barradas de Oliveira - cartoon

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J J Castro Ferreira - auto-retrato (1948)


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Sábado, 13 de Junho de 2009

J J Castro Ferreira - estudo para um cartaz

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* J J Castro Ferreira
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´
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Quinta-feira, 11 de Junho de 2009

Recensão de Terra Sonâmbula, de Mia Couto, por Madalena Mendes

Categoria: Literatura - Romance
Idade: 0 - 5
Editora: Caminho
Ano da Obra: 2008
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O TEMA DO MÊS autonomiza um conjunto de listas temáticas de recensões organizadas pelo leitur@gulbenkian aquando da comemoração de certas efemérides.

Para assinalar o Dia do Livro de 2009 contámos com a colaboração de Sandra Velhinho, Madalena Mendes, Ilda Maria Sobral Azinhais Velez e Duarte Sérgio da Silva Martins, nossos leitores que responderam ao desafio de enviar uma recensão crítica de um livro à sua escolha.

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in

leitura.gulbenkian


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Terra Sonâmbula
recenseador: Madalena Mendes, 2009

Apreciação:

Mia Couto, escritor africano, é um exemplo paradigmático no campo da reinvenção da linguagem e da recriação da língua portuguesa. A sua obra, forjada no caldo entrecruzado da memória, da História e das estórias, atravessa os tempos e os espaços e emerge de África para se assumir como narrativa universal.
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Exímio na arte da transgressão, o escritor-poeta impugna os binarismos dicotómicos – branco/negro, feminino/masculino, mito/verdade, natureza/cultura, vida/arte, facto/ficção, razão/sentimento; norte/sul -, nos trilhos de uma outra legibilidade das fracturas introduzidas pelos cânones etnocêntricos, em prol de uma nova geopolítica do conhecimento perfilada no reconhecimento da pluralidade e multiplicidade dos conhecimentos e dos espaços e lugares da sua enunciação.
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A obra de Mia Couto, projecto clinámico inscrito na falinvenção das razões silenciadas (Santos), fronteiriças (Mignolo) mestiças (Ribeiro), híbridas (Canclini) e oprimidas (Freire), apresenta-se como referência incontornável para se repensar a literatura, a linguagem, o dinamismo da língua, a História e o lugar nela, dos sujeitos e da multiplicidade mestiça das suas identidades.
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Professora, Investigadora e Doutoranda em Educação, 47 anos.
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Quarta-feira, 10 de Junho de 2009

Em Terras de Portugal

* Fotos de J. J. Castro Ferreira


Fontanelas - as placas toponímicas têm uma quadra alusiva


Rio Tejo - Ponte 25 de Abril


Lamego - fachada da Sé
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Terça-feira, 9 de Junho de 2009

Tiago Silva . Aguarela


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Segunda-feira, 8 de Junho de 2009

TE AMO TB SE DIZ A UM AMIGO/A!

Assunto: TE AMO TB SE DIZ A UM AMIGO/A!
Data: 8/Jun 18:01

Quem gosta de você levanta os braços!!!


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Viu o tanto de gente que gosta de você ??

Xiii...Tem uma ali no meio
Que nem levantou os braços !
Sabe quem é ?

*Euu*

sabe por que?

Porque não gosto de você
Mais sim AMO demais.

Você vivє αki Óн..♥

e sempre viverá.

mande isso pra todas as pessoas que você ama de verdade inclusive eu i eu te amo de verdade
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se você receber pelo menos a metade de volta pode se considerar uma pessoa amada bjusssss
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Distribuída por Morenguinho Pereira (hi5)
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Belisa verseja :-)

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Belisa disse...
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olá :)
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É sempre bom lembrar
e fico muito contente
Ás vezes podes pensar
que eu estou ausente
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Podes ficar descansado
venho sempre espreitar
Para saber o teu estado
vejo a data do teu postar
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Muitos beijinhos te envio
desejo saúde e tudo mais
Mesmo sem qualquer desvio...
os amigos nunca são demais
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Sabes que eu gosto
de escrever a rimar
Um grande beijo estrelado
Aqui te vou deixar!

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Domingo, 7 de Junho de 2009

ANEL da AMIZADE


Sexta-feira, 12 de Outubro de 2007

ANEL da AMIZADE






que agradeço à belisa da Estrela no Mar
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Para além da Belisa, não posso deixar de referir a estima ou amizade dos editores do seguintes blogs, citados alfabeticamente:
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Arestas ao Vento
Baobab
O Cantinho da Zé
Casa de Maio
Das palavras que nos unem
De Amor e de Terra
Dona Redonda
Escrito a Quente
Este Blog Chama-se Assim
Filha do Administrador
Kalinka
Momentos & Documentos
Namibiano Ferreira
Paixões e Encantos
poesianopopular
Querubim Peregrino
Rosa dos Ventos
SÓ VERDADES
Tiago'
Travessa do Ferreira
Vale a Pena Lutar
As vinhas da Ira

E não se esqueçam de visitar

A B S O R T O
Caderno de Poesia
O Cheiro da Ilha
Citizen Mary
O Fogareiro - um taxista em Lisboa
Ø G®¡†ö ðö Þöë†ä
Kitanda
Marco Negro
Memórias do Cárcere
PALAVRAS AO VENTO ²
Tempo das Cerejas
Verde Água
Vieira Calado
Whispers in night
Convívio das Quadras (10) e Paulo Sempre
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Agradeço também a todos os outros visitantes e desculpem-me se não referi alguém que devesse ser referido. Para todos um abraço


Victor Nogueira

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ver também

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Recomendações do Kant_O em Ao Sabor do Olhar

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Sábado, 6 de Junho de 2009

Bom Dia e música, hoje e sempre

Flowers Graphics
PopularVirals.com
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Luar de Agosto numa manhã de Dezembro - Rui Gato

* Rui Gato

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Paulo Santiago (pseudónimo)

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A vida é... acontece e acaba.
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E se o que me apetece é beijar-te,

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Tudo o resto é nada.

Se sou só eu,

E a minha vontade és tu.

Se a tua vontade fosse eu,

Então seríamos.

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Uma manhã de Dezembro

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Sou um fracasso, sou fraco, estéril de acções, fértil de pensamentos que disso não passam, sou maternidade e cemitério. Sou inútil, incerto, sou deserto, mas tão cheio de nada. Sou frio, mais frio que esta manhã de Dezembro que desabrocha lá fora, lá, fora de mim, onde não existo.

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Bebo mais um gole. Preto e quente este café, amargo como eu. Não gosto de café. Não gosto do Inverno. Não gosto de acordar de manhã… não gosto de acordar.

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Aproximo-me da janela como quem liga a televisão. Por entre a neblina matinal vislumbro na paragem os vultos que já adivinhava, os do costume. Há 13 anos que os vejo. Há 13 anos que com eles me transporto ás 7:15 para a fábrica, onde não existo. E há 13 anos que às 17:20 regresso a esta paragem. A verdade é que aos domingos não vou, nem nas ocasionais, mas óbvias folgas que me dou por dívidas para com o sono. Mas mesmo assim, 13 anos são 13 anos.

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Saio e desço no desagradável elevador que todos os dias me aproxima da paragem que me desagrada. “Então Gomes, bom dia. Está uma manhã agradável, não?” Aceno com a cabeça que sim. Chama-se Carlos Coimbra este homem que me fala. Fala-me sempre. Na casa dos 40 Carlos é uma figura simpática. Invejo as pessoas Simpáticas, invejo os despreocupados, os felizes, os que não pensam, invejo as pessoas que não sou…

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Subo para o Autocarro como quem desce ao inferno, sento-me nos bancos de trás, onde posso observar sem ser observado, e fecho os olhos.

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O que seríamos nós sem as memórias? Sem estas velhas fotografias do passado em preto e branco. Que nos matam, que nos prendem, que não me deixam viver.

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Já houve um tempo em que vivi. Um tempo em que gostava de café e acordava como um escritor para quem o dia é uma folha em branco pronta a escrever.


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Parada a olhar o mar, absorve-me completamente e esforço-me por ser o ar que ela respira, esforço-me por chegar a ela sem no entanto mover os pés. Os 10 metros que nos separam parecem uma eternidade. Surgem-me como uma barreira intransponível, repleta de perigos, na qual nem o mais ousado “eu” ousaria aventurar-se. A rapariga apoia-se curvada sobre o varandim que dá para o mar, tem a pose de quem olha para o seu quintal, e no entanto parece deslocada. Eu, ao lado dela, finjo estar concentrado nos pescadores que na praia em frente lutam numa luta desigual com uma rede de pesca. Enquanto procuro sentir as vibrações no varandim. O varandim em que os braços dela se apoiam é o mesmo que me apoia. E pelo canto do olho vejo-a engolir o mar, e vejo-me navegar. Pelo canto do olho contorno a timidez e vejo-me falar. Calado. No meu lugar. Ela olha-me, e eu, pela primeira vez fixo realmente os pescadores, e prometo-me não lhe voltar a olhar. E faltando ao prometido constato que ela me continua a olhar, e sorri, sorri como quem é feliz, como quem sabe mais que eu. Sorri como eu quero ser. Dirige-se a mim, segura de si, deixando-me tanto mais inseguro a cada passo que dá.

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É fim de tarde, no verão.

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Deitados no chão olhamos o escuro, olhamos o futuro, prendem-nos as estrelas e o seu brilho, distantes, tão distantes e irreais quanto o futuro para dois miúdos de 11 anos para quem a vida é o egoísta presente. Ao meu lado, Luís, cúmplice de todas as brincadeiras e alegrias. Pensamos o que aí vem. Não precisamos, porque somos crianças, porque o futuro é longe e não existe. Mesmo assim pensamos. E a noite abafada e quente parece parar no tempo. E naquele momento somos únicos e sozinhos e donos de nós.

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Louise - é assim que a rapariga se chama - é francesa, filha de portugueses e fala com um sotaque que por si só a torna querida. É engraçado como os sotaques nos fazem olhar para as pessoas como tendo uma fragilidade ternurenta, uma deficiência querida.

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Olhos do tamanho da sua confiança, enormes e castanhos. Cabelo curto e loiro como o trigo no Alentejo, e uma calma, uma segurança, a paz…

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Louise olha-me, fala-me, toca-me e a tarde transforma-se em noite, os minutos transformam-se em fonte e as horas em prazer.

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Sentados na areia ouvimos as gaivotas gritarem estórias de tempestades passadas sobre a calmia da presente água. E a cerveja aproxima-nos como anos de experiência em comum. A desconhecida rapariga do varandim é agora, esta noite, nesta praia, a pessoa mais importante. E eu sou dela, sem que ela talvez ainda o saiba, neste momento sou o que quero, sou com ela. Neste momento sou para sempre, sem que ela talvez ainda o saiba. E guardo cada gesto dela, por mais insignificante e natural que para ela seja, guardo-os como se fossem exclusividade minha.

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“Pedro, vem para dentro que vai chover” diz a voz que me chama, a voz que não me lembro. Eu corro junto com “Évora”, a nossa cadela, horta dentro, pisando couves e tomates q.b. , não oiço a voz que não me lembro, a voz que me chama para o real, porque neste momento estou embebido na luta contra o mal junto com o meu fiel companheiro destas demandas. “Évora” olha-me como quem me admira, “Évora” olha-me feliz, e eu olho-a como a um guerreiro.

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“Pedro, não me ouviste chamar-te para dentro?” diz a voz que me acorda com uma palmada na cabeça. A cabeça onde largo a espada e um guerreiro se transforma numa cadela. Sigo a voz para dentro de casa. São as férias de verão. E estamos todos. Sentamo-nos á mesa e comemos, vemos televisão e dormimos, e quando acordamos, estamos todos.

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Estou acordado há mais de uma hora, e sou espectador do mais belo espectáculo, no mais belo palco. A luz do sol e a sombra do cortinado dançam no corpo de Louise. E o seu corpo imóvel ganha vida para além da vida que já tem. E os seus contornos ganham evidência para além da evidência que lhes dou. Vejo-a dormir, tenho medo de pensar demasiado alto, tenho medo de a acordar e estragar o momento.

Pela janela aberta entra o mais azul dos céus, e a brisa fresca do mar toca o corpo sobre o qual adormeci, e o branco e suave lençol parece encontrar o par ideal na suave e adormecida pele de Louise. E vendo-a assim, indefesa, nua, e despida de qualquer disfarce mental toco-lhe o cabelo e esforço-me por ser o sonho que ela dorme.

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Louise neste momento é tão simples, ela simplesmente dorme. E não são as coisas simples as mais belas?

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Esta manhã desprezo todos os cursos e todos os grandes pensadores, os empregos, o xadrez, as cirurgias, teorias e todas as justificações. Esta manhã, estou a sentir, como há anos não sentia. Como o pensar me impedia. Esta manhã Louise dorme e eu estou mais acordado que nunca.

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Sigo os passos de Luís como se de uma lição se tratasse. Balde na mão e galochas nos pés, avisto já ao fundo a miniatura do moinho. Ontem combinámos apanhar caranguejos e esta madrugada assim o fazemos. Quero impressioná-lo. Quero principalmente impressionar-me a mim. Quero ser como ele, natural. E a minha falta de jeito para apanhar pássaros, caranguejos ou arranjar bicicletas, só é agravada pela minha consciência disso mesmo.

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Voa um pouco de pão e das árvores em redor poisam dezenas de pombos e uma dúzia de pardais. Lutam como se fosse o último bocado de pão em todo o parque, seu mundo.

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É o dia mais quente do verão - disseram os entendidos, de dentro da sua televisão - e do colo de Louise, onde a minha cabeça descansa, vejo-a atirar outro bocado de vida ao jardim morno e morto. “pombos estúpidos” diz Louise. “roubam o pão aos pardais”. Estamos num recanto do jardim, coberto por densa vegetação. Por trás da vegetação estão outros bancos, e outros namorados, diferentes estórias na mesma tarde do mesmo jardim.

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Louise faz-me festas no cabelo e eu fecho os olhos, e o vento nas folhas parece música de embalar, e o cheiro adormece-me e acorda-me continuamente. Juntos vemos o sol pôr-se por entre as árvores. E olhando nos olhos dela vejo o inverno.

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Faltam 2 semanas para o fim do Verão.

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Alguém desenha um céu quente no chão frio da velha casa, uma folha outrora branca é agora uma montra para a imaginação, onde gaivotas voam, flores amarelas e sorridentes crescem ao tamanho de casas fumegantes de felizes gigantes de mão dada. No castanho e idoso sofá descansa a minha avó, cosendo uma espécie de sapatos de lã que já imagino aquecerem-me os pés no inverno que se avizinha. No quarto alguém ouve Duran Duran, cantando o refrão numa desafinada pré-adolescência, saltando na cama num evidente descontrole hormonal. Ponho a data e o meu primeiro nome na parte de trás da folha, tal como o meu pai me ensinou. Pouso a caneta de relva, e chama-me à atenção a televisão, montra para a realidade. Assusta-me a ideia de morte. É um medo desmesurado, é um medo sufocante, cinzento, é um medo que uma criança de 5 anos não devia ter, que me ocupa e aprisiona na minha cabeça, meu mundo. A maior parte das vezes não penso nisso e sou feliz. Mas quando penso, sou só e apenas isso. É um pânico indescritível. Quem dera que as flores sorrissem e crescessem com a vontade como limite. E o rosto desfocado olha-me, a mão ausente afaga-me, e a voz que não me lembro diz que tudo vai correr bem. E eu finjo acreditar até me esquecer.

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"Lulu", chamo eu. Louise finge não me ligar, ou então não me ouve mesmo. Há alturas em que é difícil perceber. Cada vez mais. Sentado na cama vejo Louise na varanda, como se de um quadro se tratasse. Estática, como um mistério. Em segundo plano vejo o mar, que olha para ela como um chamamento, como uma recordação, uma vontade. Louise não olha para mim. Como um adeus.

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O telefone toca, eu levanto-me, dos desenhos animados, o telefone toca, eu caminho, calmo, o telefone toca, eu atendo, calmo, alguém chora e num segundo passa-me a vida inteira pela cabeça, neste segundo somos todos adultos. O coração dispara. O telefone mata-me. E as palavras matam-me, as palavras mataram a voz, o rosto, o toque. O choro lembrou o inevitável. E o choro toca-me. O telefone toca-me. E do outro lado do choro lembram-me que a voz que não me lembro não voltará a falar. Do outro lado do telefone acordam-me. Do outro lado da vida adormecem-me. Do outro lado da morte mataram a vida. Mataram a minha criança.

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"Sabes o que dizem? Que quando dormimos a nossa alma anda por aí a vaguear nos sonhos. Então vou mandar a minha adormecer-te, até que acordes, vou mandar a minha sonhar-te, até que eu acorde" digo eu a Louise, que, deitada a meu lado me olha com olhos de mar, olhos que não percebo, olhos de noite, que cai como as pálpebras. Cai como a razão, que há muito deixou de existir. Já não lhe vejo o branco dos olhos, já não lhe oiço a segurança da voz. Louise está por trás da noite, está por trás das pálpebras fechadas. Incontactável. Olho o tecto que cai em mim como um inevitável amanhã. Como um acordar que não quero. Como um fim que não pedi. Não consigo adormecer... pois sinto que já dormi tempo de mais. E não sei quando aconteceu o que vai acontecer. Não sei quando podia ter evitado o que vai acontecer. É um vazio de angústia e impotência. Não sei quando deixei de a ouvir, não sei quando deixei de lhe falar.

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A morte afinal existe. Não é algo de que se fala... não é como o papão ou o Pai Natal. As pessoas desaparecem, as vozes calam-se, os rostos são comidos e desfigurados, e os ossos aliviados do pensar e existir.

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Esta noite é a lua que me olha. Esta noite, tenho a certeza que a voz não voltará a chamar-me à realidade. E a fantasia é tão mais fácil de aceitar. E olho a lua que me chama, com todos os seus fantasmas, é a lua com todos os seus uivos que me embala, como uma mãe embala a sua criança. A voz não mais me embalará.

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É dia 21 de Dezembro. Começa o Inverno – dizem os entendidos de dentro da sua televisão. E penso “deus queira que deus exista”. Que seja só eu que não oiça a voz, mas que ela continue a falar a quem a oiça, porque ela não me voltará a chamar para a realidade, e a fantasia é tão mais fácil de aceitar. Sento-me no sofá e ligo a televisão, para deixar de pensar, e os dias enfim passarão, a noite cairá dos céus, e a lua continuará a reflectir o Sol.

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Estou acordado há mais de uma hora, ainda não abri os olhos com medo de ver o que não está lá. A minha cabeça é uma fábrica de pensamentos, de hipóteses, esta fábrica de medos, esta desconcertante certeza. Levanto-me sem olhar para o lado esquerdo onde o vazio se deita. E caminho com passos de desconforto para o chuveiro. Como é difícil carregar esta cabeça... pesada... como é difícil esta certeza... é difícil este acordar. Abro a água, fria como a manhã, e olhando para o ralo desejo ver desaparecer toda a minha existência. Desejo que a água me lave de pensamentos, e pela manhã escorrego pelo ralo com a água que me arrasta.

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Saio ignorando a toalha e pingando o corredor, e como um zombie numa missão, sigo a brisa da janela aberta, em direcção ao quarto. A cama está vazia. Sento-me derrotado e olho para fora de mim... para fora de casa, fixo o varandim, e de Louise só resta o mar. Os pescadores continuam numa luta desigual. E de Louise só resta o mar. A areia molhada de Inverno lembra o calor que se foi. Deixo-me cair para trás e afogo-me num sono, de 13 anos, num sonho de Inverno, afogo-me em recordações boiando num presente sem Verão.

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E adivinho uma lua que à noite subirá ao meu pensamento, trazendo de volta todos os seus fantasmas, e mais alguns.

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E tanta coisa que lhe queria dizer, mas já não me ouve. Tanta coisa que queria ouvir, mas já não me fala. Tantos dias que a queria acordar, mas já não me dorme. Tanto que queria viver, mas já morri. São 17 e 20, e regresso a esta paragem. Abandono a solidão ordeiramente agrupada e contributiva da fabrica para nesta paragem reencontrar a solidão egoísta de mim. Todos somos egoístas. Até mesmo os altruístas só o são porque tal os faz sentirem-se bem consigo próprios. Egoísta de mim pensar assim... Esta paragem do tempo nesta viagem de vida. Saio aqui. Esta é a minha paragem. Há 13 anos. Nesta paragem. Daqui olho a minha janela. E sou actor da vida que dela vejo. Subo as escadas para casa como quem desce ao inferno. Abro a porta e entro na ausência. Sento-me na ausência. Sinto-me na ausência. O relógio de sala move-me os olhos. Move-me a vida estagnada. E com o passar do tempo não somos mais do que retalhos, fantasmas de vidas passadas, acabadas, interrompidas. Não somos mais do que peças de um puzzle que nunca fará sentido, simplesmente porque não encaixamos uns nos outros. E olhando para trás, não sei se cheguei a ter 11 anos, não sei se cheguei a ser eu com amigos, ou se naquele final de tarde, no Verão cheguei realmente a falar com a rapariga do varandim... ou se tudo isto é um sonho. Se amanhã acordo ao som de uma voz esquecida. A qual não tenho a certeza algum dia ter existido.

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No fundo, nada dura para sempre, a não ser, a certeza e o sentimento de que nada dura para sempre. Para uma pessoa o principio pode ser o fim para outra... onde vejo uma estrada desaparecer no horizonte, outros vêm um beco... um qualquer dia 1 de Janeiro pode nunca deixar de ser um 31 de Dezembro. Quantas vidas temos? Quantas realidades há para o mesmo acontecimento? Quantas palavras por dizer? Quantos rostos e lençóis vazios... as vozes que esquecemos, as coisas belas e simples que se complicaram, os fossos que cavámos em nosso redor, assombram-me como a inexistência. E é difícil aceitar que as pessoas que conhecemos não vêm sozinhas, mas que trazem consigo todos os seus fantasmas, e todas as pessoas que já foram.

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Sinto falta que me cantem uma canção de embalar. Sinto falta de ti, sinto falta de mim, sinto falta de nós, sinto falta que sintas falta. E a saudade é eterna. Eterna porque o “sempre” é a minha curta existência. Como se o passado existisse para além da minha cabeça. Tenho saudades do futuro. Sou frio. Mais frio que esta noite de Dezembro que chove lá fora. Chove da lua que sobe lá fora... onde os fantasmas moram. Onde os lobos choram e os namorados adoram. Onde sei que está o que perdi. Um pequeno passo para a humanidade, inalcançável para mim.

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A vida é... acontece e acaba. E o fim não tem uma lógica, acontece e pronto.

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Aproximo-me da janela e afasto-me de mim.

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Setúbal – 2005

Rui Gato

Quinta-feira, 4 de Junho de 2009

O Homem Adjectivado - Rui Gato

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* Rui Pedro Gato

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I – por saber quem sou

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Era uma vez o homem original. Ele era um só, e não só mais um. Pelo menos assim se pensava a si próprio. O homem original era feito de pensamentos, palavras, sentimentos. Tentava compreender tudo e todos. Ao Contrário dos “Alberto Caeiros” da vida, o sentir não lhe bastava. O homem original autopsiava cada sensação até à exaustão. Isto não lhe prejudicava em nada o sentir. Pelo contrário. Sentia ainda mais por saber o que, e porque sentia.

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A flor é uma flor e é bonita enquanto tal. O homem original concordava e apreciava a simplicidade existencial das coisas e das sensações por elas causadas. Mas porquê ficar por ali? Ele queria compreender o conceito de beleza. A complexidade das coisas simples. Queria tocar nas coisas que lhe tocavam. Tacteando, cheirando, saboreando, observando, ouvindo, e usando o pensamento enquanto sexto sentido.

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O homem original queria ainda mais. Queria o sétimo sentido, as sete cores do arco-íris, as sete tonalidades do som, os sete pecados capitais, os sete mares, as sete maravilhas do mundo, os seis dias que deus levou a criar o mundo, seguidos do sétimo, no qual Deus validou o nosso direito à preguiça, a contemplação. O sétimo sentido. O sentido da vida.

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Na sua demanda interior, o homem original havia experiênciado inúmeros sentimentos. E de todos eles, o amor era o que lhe fazia mais sentido. Havia decidido que o sentido da sua vida se encontrava no amor original. Estava decidido a encontrar a mulher original. Encontrar um pensamento ao qual juntar o seu solitário. Alguém com quem ver o arco-íris, alguém com quem dançar ao ritmo do som, com quem pecar, navegar, alguém para partilhar as maravilhas do mundo. Alguém com quem criar finalmente o seu mundo e descansar.

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Um dia, o homem original cruzou-se com a mulher interessada. Não era mais bonita nem mais feia que as outras. Nem mais sapiente nem mais ignorante. Não era mais alta nem mais baixa. Era simplesmente “interessada”. E como se a uma flor, o homem original quis compreender o conceito de interesse. E transformou a mulher interessada na mulher do seu interesse. Deu-se, conheceu-se, recebeu-a, ajudou-a a conhecer-se.

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O Homem Humano conhece-se pela genética e pelas experiências passadas. Os acontecimentos que nos fazem acontecer. Pensamos o que os cinco sentidos nos fizeram pensar. É este sexto sentido o que mais me interessa. O resultado dos outros cinco. O que sou. Descartes disse “penso, logo existo”. Entretanto Descartes foi desdito. Eu, presunçoso, digo, penso, logo sei que existo. Quantas são as coisas que sabemos existir mesmo sem elas pensarem? O “saber” e o “existir” são conceitos criados por nós, pensantes. Penso, logo sei que existo. Logo penso outra coisas que penso existir. Sendo presunçoso, não tenho a presunção de outros pensantes que julgam o pensamento colectivo como algo próprio da sua construção individual. Haverá, claro, algo colectivo na procura individual de cada um. O bem-estar. O meu sétimo sentido. É este bem-estar que varia de indivíduo para indivíduo.

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A mulher do seu interesse aparentava ser uma mulher em paz consigo própria, consciente, dona do chão que pisava, sorria, falava, ouvia, facilmente o homem original a prendia ás suas palavras. Dela, o homem original facilmente arrancava uma gargalhada, e com o baixar das defesas, com a mesma facilidade lhe arrancava lágrimas. Por essa altura o homem original tomava consciência de haver uma mulher verdadeira por detrás da mulher mascarada que outrora o entesara. E a mulher forte do seu interesse transformou-se na mulher frágil da sua paixão.

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Esta mulher com olhos de criança, com olhos de quem quer sorver todos os gelados que a vida dá. Tinha nos olhos de facto, o que era por dentro, uma criança perdida, triste e solitária. Esta mulher que a um conhecido casual transmitia uma enorme luz e calor, era de facto assombrada por um interior frio e sombrio. Era uma mulher de facto extrovertida. Mas não porque estivesse em paz consigo própria. Mas porque temia a introversão. Porque as crianças têm medo do escuro e dentro de si ela não conseguia dormir.

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O homem original armou-se cavaleiro seguro de ser capaz de salvar a sua amada princesa do monstro interior que a mantinha cativa. A princípio a princesa cativa acenava da pequena janela da sua torre/prisão e na sua expressão adivinhava-se jubilo e esperança. Também o cavaleiro rejubilava. “O Amor é de facto o caminho! A cura de todos os males! Derrota de todos os monstros”. Á medida que o cavaleiro se aventurava na profunda caverna da alma que enclausurava a princesa esperançosa e apaixonada, o caminho fez-se estreito, e na sua frente, portentoso, se edificava o monstro. O cavaleiro caiu do cavalo! Não podia acreditar! O monstro tinha a cara da princesa. Sem reacção, ficou a mercê das suas garras e dentes. O monstro cuspia fogo com a nítida intenção de quebrar o cavaleiro. Cambaleante e ferido, este não tinha outra alternativa senão recuar. O monstro e a princesa eram na verdade, uma e a mesma entidade. A mulher prisioneira impedia-se a si própria de sair em liberdade.

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II – por tentar saber quem és

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A mente é um lugar estranho

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Que uma aranha macho se sacrifique ao apetite canibalesco da sua fêmea copulada é algo de fácil entendimento. Segue os seus instintos e não possui razão. O seu instinto é a sobrevivência da espécie. O espalhar do seu gene.

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O ser humano ultrapassou essa fase e dotou-se de razão. É agora capaz de raciocinar o passado e antever o seu futuro. É nesse sentido que esta nova faculdade me fascina e ao mesmo tempo deprime. A nossa mente – quem nós somos – trabalha não raras vezes a nosso desfavor. Qual a lógica que faz com que um menino abusado sexualmente em criança tenha mais tendência em tornar-se um adulto pedófilo? Porque uma menina abusada sexualmente tem tendência a tornar-se uma mulher promíscua e incapaz de amar? Porque uma criança com falta de amor há de ter dificuldade em receber amor enquanto adulta? Porque um menino que assista ao pai maltratar a mãe tem mais tendência a maltratar a sua futura mulher? Porque uma mulher maltratada tem tendência a optar sempre por homens que as vão maltratar? Porque nos armadilhamos a nós próprios? Se temos a capacidade de pensar. De quebrar ciclos. Porque recusamos a cura para a nossa doença e em vez disso continuamos nós próprios a alimentar-nos de veneno?

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Usando a analogia de Freud. Compreendendo o nosso mundo interior – o nosso “eu” – como um iceberg muito mais submerso do que emerso. A razão para as minhas questões anteriores estarão sem dúvida na parte submersa de nós prórios.

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Aquando das teses de Freud, este não contava seguramente com um mal dos nossos tempos. O aquecimento global. O degelo dos pólos. A parte emersa dos icebergs é cada vez menor. A nossa consciência diluí-se num oceano a que podemos chamar consciência global ou pensamento único. Temos então duas opções para manter a nossa individualidade face ao chão que nos desaparece dos pés. O homem original escolhe mergulhar e conhecer a sua enorme parte submersa. A sua e a dos icebergs que com ele se cruzem. Conhecer os seus medos, os seus desejos, os seus comportamentos e consequências. Raciociná-los fazendo assim com que esse belo pedaço de gelo venha á superfície, aumentando assim o espaço em que este conscientemente se move. É mais fácil controlar os nossos instintos quando compreendemos porque os temos. A mulher prisioneira do seu passado tem demasiado medo de mergulhar e enfrentar os seus processos interiores. Escolhe sim fugir de si própria. Se a consciência lhe foge debaixo dos pés, esta faz-se ao mar no barco da ignorância. Assim como Freud não previu o aquecimento global. A mulher fugitiva também não conta com a extinção dos combustíveis fosseis. E acabando o combustível da ignorância, fica perdida á deriva sem gelo consciente para pisar. Ocasionalmente chocando com icebergs circundantes. Assim encontrou o iceberg do homem original onde este já construía casa e mobilava o seu espaço renovado, revisto e aumentado. Este convidou a sentar-se na sua consciência. Era confortável e quentinha. A mulher fugitiva gostou. Há muito tempo que andava á deriva e não pousava “terra” firme. Bebeu um cházinho e aqueceu-se na fogueira dos sentimentos do homem original. O homem ouviu as estórias da mulher e ofereceu-se para a bordo do seu barco do amor procurarem o iceberg perdido da mulher e juntos mergulharem para trazerem á superfície um espaço próprio e consciente para esta. A mulher cuspiu o chá. E olhou o homem em pânico. “Mergulhar em mim? Perceber-me? Barco do amor? Parar de andar á deriva? E se não gosto do que lá sou em baixo? E se não consigo voltar á superfície?” levantou-se e numa corrida zarpou novamente para o mar colectivo a bordo da sua ignorância, ao sabor dos ventos e correntes. O homem original não podia permitir tal loucura. Como sobreviveria ela naquela embarcação pequena, esburacada e de madeira inchada pelo tempo? Era suicídio. Ele não seria testemunha ou cúmplice por inacção do afogamento desta linda mulher que perdida havia encontrado o seu iceberg. Içou as velas do seu majestoso e bem construído barco do amor e perseguiu a mulher conformada com o seu destino ah deriva na ignorância. “mulher” gritou o homem “vem para bordo do meu amor. Não temos que mergulhar já em ti. Sei que pode ser difícil. Sei que requer esforço. És bem vinda a ficar no meu iceberg o tempo que for preciso, ou a bordo do meu barco. E quando estiveres pronta procuramos por ti. Vem, eu ajudo-te… não tens que navegar sozinha!” a mulher, remando para longe com as mãos fingia não o ouvir. Ele insistiu. Perseguiu a sua embarcação, dias e dias, noites e noites. Por fim parou e observou a mulher desaparecer lentamente na linha que ao fundo separava o mar do céu. Sozinha na imensidão do mar. O homem original baixou os olhos fixando os seus próprios pés. “não posso obrigar uma pessoa a ser feliz” pensou. E frustrado voltou para o seu iceberg onde um chá quente o esperava. Imaginando as tempestades que o futuro reservava para a mulher e a sua ignorância. Sozinha na imensidão do mar.

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III – por ter que perceber um fim

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Setúbal 2008.01-15

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Quarta-feira, 3 de Junho de 2009

Creative Commons


Creative Commons

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Cultura e ação antipirataria: o poder do Creative Comnons

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Creative Commons - Portugal
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Segunda-feira, 1 de Junho de 2009

Rui Pedro - desenho 3


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Autor - Rui Gato 1986.09.08
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Domingo, 31 de Maio de 2009

O peso das palavras, a leveza dos actos - Rui Gato

* Rui Gato


A palavra custa-lhe a chegar. Uma palavra para encaminhar a frase ignição da estória. E como são importantes as palavras para quem escreve, para quem procura ler, percebendo. Para quem pensa o que diz e ouve o que é dito por quem pensa o que diz.
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As palavras são sentimentos. Medos. São por vezes ditas a medo. São segredos se não forem ditas. Como os sentimentos, são segredos. Por medo que pensem o que dizemos. São importantes e perigosas. As palavras, e os silêncios.
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A cama suporta-lhe o peso sentado e a sua cabeça não suporta a falta de ideias. Na verdade cresceu rodeado de livros. Dormiu os anos da sua adolescência num divã, num escritório, entre milhares de estórias, entre o cheiro de livros novos e velhos, tantas personagens, capítulos, parágrafos. Respirou o pó tão próprio dos livros como o dióxido de carbono das plantas. Partilhou o divã com bichos da prata. Mas a sua preguiça raramente lhe permitia abrir um dos livros. A preguiça que o acompanhou desde que se lembra até agora. A mesma preguiça que não lhe permite sentar mais vezes a juntar palavras por escrito. Há mais de 1 ano que não tenta. E quando tenta é frente a um monitor, um teclado, ao som das ventoinhas do computador e por vezes 1 ou 2 albuns apropriados ao ambiente que se quer para a estória. Não tem a magia dos verdadeiros escritores. Aqueles que inveja. Que precisam do cheiro do papel e de ver o desenhar de cada palavra sentida pela razão, parida pela caneta trémula que seguram na mão. Falta-lhe magia, falta método, a urgência de uma ideia, a necessidade da palavra.
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2009.
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Sexta-feira, 29 de Maio de 2009

Das Utopias

Olá Víctor

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Lendo os teus poemas e frases lembrei-me...

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Bjs Madalena, a caminhante

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DAS UTOPIAS
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Se as coisas são inatingíveis... ora! Não é motivo para não querê-las... Que tristes os caminhos, se não fora a presença distante das estrelas!


Mário Quintana

Terça-feira, 26 de Maio de 2009

Rui Pedro Desenho 2


Desenho não datado desenhado aos 8 anos (?)
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Segunda-feira, 25 de Maio de 2009

Rui Pedro - desenho 1



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desenho do Rui Pedro aos 8 anos
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Domingo, 24 de Maio de 2009

Amizade Virtual

Gioconda diz:

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Amigo, espero não ser "varrida" da sua rede de amigos virtuais...
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Segunda-feira, 18 de Maio de 2009

J J Castro Ferreira - cena medieval - 1947

Domingo, 17 de Maio de 2009

no Primeiro mensário do Francisco



Get PhotoBuzz or try VideoGifts

Expressão de Amizade

Sábado, 16 de Maio de 2009

J J Castro Ferreira - Retrato de Luís Piçarra - 1947




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Terça-feira, 12 de Maio de 2009

Lua e Marr

Lua e Mar
Para: Victor
Assunto: RE: Trago dentro de mim
Data: 12/Mai 9:41

Tens dado a tua excelente poesia, força e persistência. Bem hajas.
Estás melhor?
Abreijo

--- Victor wrote:

Trago dentro de mim - Victor Nogueira
11/Mai 21:04

Trago dentro de mim - Victor Nogueira

Trago dentro de mim alegria e tristeza.

Trago dentro de mim a tua imagem.

Liberto perante ti os sonhos que sonho em ti

feitos de um pequeno nada:

............ uma palavra amiga

............ o veludo das tuas mãos e do teu olhar

............ a carícia dum sorriso

.............no teu corpo de mulher

..................................-como ave a navegar.

É tão pouco o que te peço

e o Mundo é tão pequeno e o Tempo tão escasso

que todo o tempo do mundo é pouco para contigo estar!

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Hoje pensei em ti

................... e subi ao sol e ás núvens

................... enchendo o ar de estrelas e poalha dourada.

Hoje fui ao teu encontro e nada tinha para te dar

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94.01.10

Setúbal

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Segunda-feira, 11 de Maio de 2009

Porto - Gravuras de J. J. Castro Ferreira (3)


Porto - vivenda na Avenida da Boa Vista - 1948


Porto - Vivenda em S. Mamede de Infesta - 1948
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Foto 3 em ABC

Gioconda diz:

10/Mai 21:02

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_____♫♥...♥Nice♥...♥♫
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Domingo, 10 de Maio de 2009

Fernando Tordo em Arestas de Vento

Pode ouvir agora e aqui grande entrevista de Fernando Tordo ao Arestas de Vento. O registo sonoro em causa vale para nós como testemunho com história !!!

Também por isso...

"Não posso deixar de te dizer, meu querido e bom amigo, que não há reencarnações. Não queiras ver em mim o que já não existe, o que morreu. Tenta ver apenas alguém que sobreviveu e faz o seu trabalho da melhor forma que lhe é e está possível. ENQUANTO NÃO FOREM MORTOS OS FANTASMAS, FICAMOS A NAVEGAR PESSIMAMENTE ENTRE O SALAZAR QUE AINDA É TÃO QUERIDINHO PARA TANTOS, E O CAMARADA ARY QUE TRAZIA SEMPRE O POVO NO CORAÇÃO... Enquanto eu cá estiver, não pretendas que eu seja outro, porque isso seria negares o homem inteligente e livre que em ti conheço.
Um abraço muito grande do teu amigo"
Fernando Tordo

ARESTAS DE VENTO

Tudo aos Sábados, em directo, entre as 16 e as 19h, na Popular fm (90.9)
e online em
http://www.popularfm.com/

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A ENTREVISTA PODE SER OUVIDA NESTE BLOG NA FORMA DE REGISTO SONORO !!!
TUDO AO ALCANCE DE UM SIMPLES CLIQUE IMEDIATAMENTE ABAIXO
:

http://arestasdevento.podomatic.com/

O registo sonoro em causa vale para nós como testemunho com história até 2006 (altura em que foi feito). De lá para cá Fernando Tordo continuou em actividade ininterrupta.
E é bom não esquecer: Para assinalar esta actividade, entre outras coisas boas, foi preparada uma digressão nacional com grande orquestra. Fernando Tordo & Stardust Orchestra apresentaram num poderoso Concerto as músicas de uma vida numa vida cheia de músicas.
O Fernando esteve muito bem acompanhado por uma fantástica Orquestra de 24 músicos sob a direcção artística do Maestro Pedro Duarte.
Lisboa de Feira, Tourada, Adeus tristeza, Só ficou o amor por ti, são alguns dos muitos temas que desfilaram, acompanhados quer pela doçura e subtileza da secção de Cordas da Orquestra (violinos, violas de arco e violoncelos), quer pela energia da sua secção de metais. Esta digressão nacional teve início no dia 8 de Junho de 2008 e a apresentação no Coliseu dos Recreios de Lisboa no dia 10 de Outubro foi o seu momento alto.
Siga a Roda ...
Qualquer Fernando Tordo estará ao vivo e a cores no Arestas de Vento.
Faz parte.

Fernndo Tordonet.JPG

ARESTAS DE VENTO

O raio de um programa onde a polémica e as palavras andam sem algemas e mordaças, saudavelmente à solta, mas com ameaça de mandado de captura ...
RICARDO CARDOSO e CÉU CAMPOS, chefiam um bando de colaboradores e convidados, brutos no falar, intemeratos, atrevidos e sem topetas ...
é a polémica a bater forte nos idiotas, nos colaboracionistas, nos que se julgam únicos e insubstituíveis, na sacanagem que vegeta nas franjas ocultas do poder , de qualquer poder ...
é a boa cultura a fazer das suas - e das nossas!

Publicado por arestas em 12:10 AM






Sábado, 9 de Maio de 2009

Porto - Gravuras de José João Castro Ferreira (2)


Porto - Moradia na Avenida da Bela Vista - 1948


Porto - Jardim do Palácio de Cristal - Capela de Carlos Alberto - 1948
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Sexta-feira, 8 de Maio de 2009

Porto - Gravuras de José João Castro Ferreira (1)


Palácio de Cristal - 1948


Porto - Igreja românica de Cedofeita - 1948
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Segunda-feira, 4 de Maio de 2009

Os 3 Porquinhos - Luísa



Falta-lhe a Margarida para o defender.

Não fui eu... foi o lobo!

Beijos imensos a todos

luísa

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Quarta-feira, 29 de Abril de 2009

TANTO MUNDO Á NOSSA ESPERA!

VAMOS PASSEAR, MEU AMOR!TANTO MUNDO Á NOSSA ESPERA! BRINQUEMOS COM AS PALAVRAS.....AS LETRAS DOS NOSSOS NOMES...VÊS, FORMAM PALAVRAS QUE NÃO EXISTIAM POIS FOMOS NÓS QUE AS INVENTÁMOS! DEUS, AS FADAS, O DESTINO, TODOS SABIAM QUE NOS PERTENCÍAMOS....MAS TIVEMOS QUE VIVER....QUE SOFRER....QUE APRENDER, PARA NOS PASSARMOS A MERECER. HOJE AQUI ESTAMOS, ESCREVENDO NO MESMO LIVRO DA VIDA, AS PALAVRAS AMOR, CORPO, DEDOS, ALMA, SINTONIA, SORRISO E ABRAÇO!EM ANEXO...UM BEIJO! ( LEMBREM-SE DO MEU GUEST BOOK....VÁ LÁ,,,)

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Moranguinho Pereira (hi5)
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Continua em

BRAILE - Nuno Júdice

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Amizade - Gioconda

Gioconda diz: 29/Abr 14:12

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Terça-feira, 28 de Abril de 2009

Nos 160 anos de “Trabalho assalariado e capital”: a compreensão da exploração capitalista

Nos 160 anos de “Trabalho assalariado e capital”:
a compreensão da exploração capitalista

João Aguiar vem relembrar os 160 anos da publicação de «Trabalho assalariado e capital de Karl Marx, salientando a actualidade da obra neste momento de crise estrutural do capitalismo «o capital procura apresentar as relações de trabalho como relações estritamente individuais, como se trabalhador e patrão fossem dois indivíduos livres e colocados no mesmo patamar. Daqui decorreria que não haveria classes sociais e que cada trabalhador competiria no mercado com os restantes membros da classe…»
João Aguiar* - 28.04.09

Introdução

Um dos terrenos de mais inegável pertinência do legado de Marx para a luta pelo socialismo na actualidade é, sem dúvida, a sua teoria do valor. É a partir desta que se desdobra a compreensão da essência da exploração capitalista. Em tempos de retrocesso social e de forte ofensiva ideológica das forças do imperialismo, a difusão de teses várias sobre um suposto fim da exploração do trabalho pelo capital, implica o reafirmar da teoria marxiana sobre o trabalho assalariado. Por outras palavras, a importância da compreensão da natureza da relação social que enforma a exploração capitalista surge hoje como uma peça-chave na actual luta ideológica e política dos revolucionários e progressistas. Sendo a extracção de trabalho vivo a fonte de produção de riqueza nas sociedades contemporâneas e sendo esse o mecanismo central a partir do qual se estrutura a vida social, tornar acessível a teoria de Marx sobre a essência da exploração capitalista assume-se como um empreendimento necessário e pertinente. Nesse sentido, procuraremos apresentar a teoria da exploração capitalista tal como Marx a expôs em 1849 num conjunto de conferências para operários – e publicado mais tarde com o título “Trabalho assalariado e capital”. Tal como então, utilizaremos este texto de linguagem simples e objectiva como forma de divulgação de uma das traves-mestras do carácter científico do marxismo. Homenagear o labor revolucionário de Marx passa necessariamente por divulgá-lo nos termos próprios com que o autor elaborou a sua obra. Neste caso, assim se espera, em termos simples, precisos e objectivos.

1 – Duas falácias do capital…

Entre outros argumentos ideológicos, o capital procura apresentar duas falácias em ordem a justificar a sua legitimação.

Por um lado, o capital procura apresentar as relações de trabalho como relações estritamente individuais, como se trabalhador e patrão fossem dois indivíduos livres e colocados no mesmo patamar. Daqui decorreria que não haveria classes sociais e que cada trabalhador competiria no mercado com os restantes membros da classe. Obviamente, para o capital prevalece a noção da competição entre os indivíduos trabalhadores sobre a solidariedade de classe. Assim, como forma a baixar o preço da massa salarial, o capital opta pela via descrita por Marx: «à medida que o capital torna o trabalho em algo cada vez mais desagradável, mais repugnante, a concorrência entre operários aumenta e o salário diminui» (Marx, 1974, p.83). Nesse sentido, a concorrência entre operários por um posto de trabalho – seja entre trabalhadores empregados e desempregados ou entre trabalhadores “nacionais” ou “imigrantes”, por exemplo – é causa directa da acção dos mecanismos da exploração capitalista. O capital procura aproveitar a concorrência, hoje cada vez mais internacionalizada, por postos de trabalho com o objectivo de, primeiro, baixar os custos salariais e, segundo, desorganizar a classe trabalhadora.

Por outro lado, a relação do trabalho assalariado assim apresentada faria com que cada indivíduo fosse portador de um factor produtivo específico. No caso do capitalista, este seria um portador de capital, ou seja, o capitalista seria um proprietário inato de maquinaria, dinheiro, tecnologia, etc. como se maquinaria, dinheiro e tecnologia não adviessem do trabalho humano, portanto, da exploração do trabalhador pelo grande capital. Esta asserção das teorias económicas burguesas omite um dado essencial na relação social do trabalho assalariado: a acumulação de riqueza pela burguesia deriva de um longo processo histórico – e quotidianamente reproduzido – de expropriação das condições sociais de produção das mãos dos trabalhadores. No fundo, o volume de capital acumulado pela burguesia depende directamente da expropriação da maquinaria, da organização social do trabalho e dos produtos do trabalho das mãos dos trabalhadores. É deste processo que trata a exploração capitalista. É respondendo à questão “porque o trabalho desempenhado pelos trabalhadores se torna propriedade de uma outra classe social” que a teoria de Marx dá as ferramentas teóricas mais fecundas.

2 – …e os componentes da exploração capitalista: força de trabalho, trabalho, venda da força de trabalho e salário

Contrariamente a todas as teorias económicas burguesas que afirmam que o trabalhador vende trabalho ao capitalista, uma das imensas inovações científicas protagonizadas pelo marxismo passou pela descoberta de que o que o trabalhador vende no mercado é a sua força de trabalho. Isto é, a ausência de posse de meios de produção por parte do trabalhador faz com que o seu único recurso económico seja precisamente a sua capacidade física e intelectual para executar tarefas laborais. Portanto, é o seu corpo físico e intelectual disponível para trabalhar que qualquer trabalhador vende ao capitalista. Por sua vez, o capitalista coloca essa “disponibilidade para trabalhar” do operário em acção num determinado processo produtivo (seja ele na fábrica, numa oficina, na escola, num laboratório ou num hospital). No decorrer da introdução do trabalhador no processo produtivo dois factos ocorrem. Em primeiro lugar, todo o trabalho executado passa a ser posse directa dos proprietários da unidade produtiva. Quer dizer, os resultados do trabalho executado – desde uma peça de mobiliário, até a um automóvel, passando por um programa de software ou outro qualquer bem ou serviço – serão posteriormente vendidos no mercado e o seu valor arrecadado por inteiro pelos proprietários dos meios de produção, os capitalistas. Em segundo lugar, importa ter em mente que os capitalistas não são apenas donos legais e jurídicos dos meios de produção mas detêm e controlam a função de direcção e de gestão do processo produtivo. Isto quer dizer que as orientações ditadas na esfera da produção e circulação de um produto no mercado dependem sempre das decisões ministradas pelas administrações das empresas.

Por conseguinte, a relação entre trabalho, força de trabalho e salário pode ser sintetizada nas seguintes palavras de Marx:
«o que o operário produz para si não é a seda que tece, não é o ouro que extrai das minas, não é o palácio que constrói. O que ele produz para si é o salário», o rendimento proveniente «dessa actividade essencial que ele vende a um outro para conseguir os necessários meios de subsistência» (idem, p.38).

Com efeito, o salário surge então como «o custo necessário para conservar o operário como operário e para fazer dele um operário» (idem, p.49). Esta definição de Marx é extremamente elucidativa da condição operária, independentemente de este se situar no século XIX, XX ou XXI. Não se estão a desprezar visíveis evoluções e recomposições na classe trabalhadora ao longo do tempo. Todavia, importa não perder a natureza do trabalho assalariado. É isso que demonstra a última frase de Marx acerca do trabalhador como agente social e económico que vende a sua força de trabalho no mercado a troco de um salário. Por um lado, o salário representa a quantidade de dinheiro que os capitalistas estão dispostos a pagar para que o trabalhador se mantenha disponível para trabalhar, enquanto estiver mental e fisicamente apto para tal. Por outro lado, o salário representa a quantidade de dinheiro que os capitalistas estão dispostos a pagar para que a classe trabalhadora se reproduza. É este fio condutor da condição assalariada que importa ter em mente e que atravessa todas as sociedades capitalistas e todos os ramos da actividade económica, dos professores aos metalúrgicos, passando pelos empregados num call-center ou por programadores informáticos, apesar de variações de contexto para contexto.

3 – A relação do trabalho assalariado: capital = trabalho acumulado

Nesse conjunto de discursos proferidos para uma audiência de operários, em 1849, Marx sintetizou de uma forma elementar e despretensiosa a essência do trabalho (livre) assalariado:
«o servo pertence à terra e constitui um rendimento para o dono da terra. O operário livre, pelo contrário, vende-se a si mesmo, bocado a bocado. Vende em leilão oito, dez, doze, quinze horas da sua vida, dia após dia, a quem melhor pagar, aos proprietários das matérias-primas, dos instrumentos de trabalho e dos meios de vida, isto é, aos capitalistas. O operário não pertence a nenhum proprietário nem está adstrito a nenhuma terra, mas a oito, dez, doze, quinze horas da sua vida diária pertencem a quem lhas comprar. O operário, quando quer, deixa o capitalista para quem trabalha e o capitalista pode despedi-lo quando achar necessário, quando já não obtém lucros dele ou quando não lhe arranca o lucro que esperava. Mas o operário, cujo único recurso é a venda da sua força de trabalho, não pode desligar-se de toda a classe de compradores, isto é, da classe capitalista, sem renunciar à existência. Ele não pertence a este ou aquele patrão, mas à classe capitalista e compete-lhe a ele encontrar quem o queira, isto é, encontrar um comprador dentro dessa classe burguesa» (idem, p.40).

Esta relação de interdependência (não confundir com uma qualquer falsa harmonia entre as classes) entre o trabalho executado pelos trabalhadores e o monopólio do controlo dos meios de produção e das funções de direcção e de contratação da força de trabalho pelos capitalistas marca as profundas assimetrias entre as duas classes sociais fundamentais no capitalismo. Ao mesmo tempo, o trabalho assalariado consagra uma relação em que diferentes funções sociais cabem a cada classe social. Isto é, se à burguesia cabem as referidas funções de controlo, direcção e contratação da força de trabalho, ao conjunto da classe trabalhadora cabe a função de produzir mercadorias (trabalhadores produtivos da indústria, investigação, etc.) e de as colocar em circulação (trabalhadores dos serviços, bancos e comércio).

Desse modo, o que nas vulgatas económicas neoclássicas e neoliberais se denomina de capital – matérias-primas, maquinaria, meios de subsistência de toda a espécie – e que são empregues para produzir novas matérias-primas, nova maquinaria e novos meios de subsistência, são «produtos do trabalho, do trabalho acumulado» (idem, p.55).

Marx acrescenta ainda que:
«o capital também é uma relação social de produção. É uma relação burguesa de produção, uma relação de produção da sociedade burguesa. Os meios de vida, os instrumentos de trabalho, as matérias-primas que constituem o capital não foram produzidos e acumulados em determinadas condições sociais, em determinadas relações sociais? Não são eles utilizados na futura produção, em determinadas condições sociais, em determinadas relações sociais? E não é precisamente esse carácter social determinado quem converte em capital os produtos destinados à futura produção?» (idem, p.57).

Em traços gerais, estas afirmações de Marx demonstram que os produtos e os resultados finais do trabalho operário, para além de deixar de lhe pertencer, passam a ser propriedade do capitalista. Indo ainda mais longe, tudo o que a burguesia e seus académicos e ideólogos de serviço apresentam como suas propriedades naturais e eternas – a maquinaria, o dinheiro, etc. – derivam, na verdade, do trabalho desenvolvido pelos trabalhadores no seu quotidiano e subsequentemente apropriado pela classe capitalista. Assim, o trabalho assalariado e o capital constituem-se como dois pólos de uma única relação. De um lado, a produção de mercadorias (independentemente da sua natureza) e, de outro lado, a sua apropriação pela burguesia. De um lado, pagamento de um salário a troco da disponibilidade para criar excedente económico no decurso do seu quotidiano laboral e, de outro lado, rentabilização exponencial do capital acumulado pela burguesia.

Nesta ordem de ideias, as teorias que nas últimas décadas procuram apresentar o conhecimento como o factor produtivo essencial, em detrimento do trabalho, esquecem sistematicamente os pressupostos enunciados acima. A validade de Marx é neste como noutros aspectos de uma actualidade gritante.

4 – A exploração e a constituição da sociedade capitalista em classes antagónicas

Apesar de Marx em 1849 não ter ainda exposto a sua teoria da mais-valia, o pensador e revolucionário alemão já se tinha dado conta da discrepância entre o valor de recursos accionados no início do processo produtivo (os custos de produção na compra de força de trabalho, em matérias-primas e maquinaria) e o valor condensado no produto final do trabalho: «o operário não somente restitui o que consome», portanto o valor correspondente ao seu salário, «como ainda dá ao trabalho acumulado um valor maior do que o que antes ele tinha» (idem, p.59) [sublinhados nossos].

Por conseguinte, na raiz da exploração capitalista está o facto de o trabalhador se encontrar despojado dos meios de produção e da possibilidade de determinar as orientações do processo produtivo. Assim, o trabalhador acaba por receber como vencimento, em média, o correspondente ao que necessita para reproduzir a sua classe. Em troca, o trabalhador vê ser-lhe apropriado todo o produto do seu trabalho pelo capitalista. Evidentemente, a relação do trabalho assalariado é mais complexa, mas o seu nervo central está aqui em franco realce.

De facto, é a partir deste ponto que se estruturam as classes sociais no capitalismo. Para Marx, o proletariado, o conjunto dos trabalhadores assalariados constitui-se como a classe social que «não possui mais nada a não ser a sua capacidade de trabalho» (idem, p.58). Consequentemente, o salário surge para o operário como a sua fonte de rendimento. Para a burguesia o salário do operário é apenas mais um custo. Daqui decorre o antagonismo estrutural entre a classe trabalhadora e os grandes grupos económicos e financeiros. Enquanto os primeiros procuram lutar colectivamente pelo aumento do seu vencimento salarial, os segundos procuram reproduzir a sociedade existente, ou seja, em reduzir os salários de forma a que se encurte a diferença entre o valor dos produtos finais do trabalho operário e o conjunto dos salários a pagar. Desta dinâmica não se conclua, porém, que o aumento dos lucros do grande capital exige que o valor numérico dos salários tenha de baixar. Na realidade, os salários podem crescer e mesmo assim os lucros aumentarem numa taxa superior:
«um crescimento rápido do capital equivale a um crescimento rápido do lucro. O lucro só pode crescer rapidamente se o preço da força de trabalho, se o salário relativo diminuir com a mesma rapidez. O salário relativo (a proporção da massa salarial global tomada em relação ao lucro) pode diminuir, mesmo quando aumenta o salário real e o salário nominal – o valor em dinheiro do trabalho – mas só quando estes últimos não aumentarem na mesma proporção que o lucro. Se, por exemplo, numa época de negócios favoráveis, o salário aumentar 5% e o lucro, por seu lado, aumentar 30%, então o salário proporcional, o salário relativo, não aumentará mas diminuirá.

Por conseguinte, quando o rendimento do operário aumenta com o crescimento rápido do capital, o abismo social que separa o operário do capital torna-se mais profundo ainda, e o poder do capital sobre o trabalho, o estado de dependência do trabalho em relação ao capital ao mesmo tempo» (idem, p.72).

Para efeitos práticos da luta e da relação de forças entre a classe trabalhadora e a burguesia isso significa:
«que mesmo a mais favorável das situações para a classe operária, mesmo o mais rápido dos aumentos do capital que traga à vida material do operário um pouco de melhoria» que é um aspecto positivo para a melhoria das condições de vida dos trabalhadores, todavia, tal facto «não suprime o antagonismo entre os seus interesses e os interesses do burguês, os interesses do capitalista. Lucro e salário estão, exactamente como antes, na razão inversa um do outro» (idem, p.72-73).

No fundo, quando um dos lados aumenta o outro, em termos relativos, baixa, denunciando a oposição estrutural entre os interesses das classes populares (trabalhadores, camponeses, sectores intermédios, etc.) e das classes dominantes. Marx termina o seu raciocínio sobre a oposição antagonista entre as referidas classes da seguinte forma:
«quando o capital cresce rapidamente, o salário pode aumentar (o salário nominal ou o salário real), mas o lucro do capital aumenta incomparavelmente mais depressa. A situação material do operário melhorou, mas à custa da sua situação social. O abismo social que o separa das classes dominantes torna-se mais profundo» (idem, p.73).

Quer dizer, Marx rebate aqui as teses que propõem que um crescimento da iniciativa e dos lucros da burguesia resultaria numa equalização das condições de vida entre as várias classes sociais. Ora, o que Marx demonstra é que mesmo na situação mais favorável aos trabalhadores – o aumento dos salários reais como sucedeu, por exemplo, no pós-Guerra, resultado directo do impacto das lutas operárias e do prestígio internacional da União Soviética e do movimento comunista internacional – o antagonismo entre as duas classes fundamentais do capitalismo mantém-se. Evidentemente, não se está aqui a desvalorizar a luta reivindicativa pela melhoria das condições de vida dos trabalhadores. Sem essa luta reivindicativa não é possível passar a patamares de luta mais avançados e que, num contexto revolucionário, possam inverter a ordem das coisas, em favor dos trabalhadores e do povo.

Conclusão política da análise científica marxiana da exploração capitalista

Da compreensão do antagonismo de classes inscrito na exploração capitalista deriva a luta irreprimível entre, de um lado, as classes dominantes e, do outro lado, a classe trabalhadora e seus aliados. Isto quer dizer que a luta de classes como centro e motor do desenvolvimento histórico afirma-se como uma realidade palpável. A burguesia realiza sempre uma luta contínua pelos seus interesses. O neoliberalismo e a situação social e política desde finais dos anos 70, agravada com o findar da experiência soviética em 1991, mostram precisamente como uma alteração na correlação de forças num sentido ainda mais favorável ao grande capital, representa uma iniciativa na luta de classes. Isto quer dizer que os ataques aos direitos dos trabalhadores, a destruição dos serviços públicos, as investidas militaristas do imperialismo, etc. são instrumentos da luta de classes desencadeada, do seu lado, pelo grande capital.

A esta ofensiva de degradação profunda das condições económicas e de vida dos trabalhadores, só a luta popular lhe poderá colocar um travão. Assim, a luta popular contra o grande capital, portanto, a luta organizada e colectiva é o meio mais poderoso ao dispor da classe trabalhadora e seus aliados no processo global de confrontação – umas vezes mais declarada, outras vezes menos; umas vezes mais pacífica, outras vezes menos – com o grande capital. Em termos ideais quer-se que a luta seja o mais ampla e com a maior participação possível das massas. Contudo, as grandes manifestações de massas não surgem do acaso. De facto, uma manifestação de grande alcance como a da CGTP em 14 de Março de 2009 com mais de 200 mil trabalhadores, ou a manifestação de mais de 120 mil professores em 8 de Novembro de 2008, tem por trás de si não só uma grande organização sindical e social, mas também se sustenta no desenrolar de toda uma série de “pequenas” lutas. Isto quer dizer que sem lutas reivindicativas no local de trabalho em torno de problemas concretos e específicos não há possibilidade de, posteriormente, fazer convergir todo esse conjunto de ilhas de contestação para um único caudal de lutas. Por conseguinte, o reforço da luta contra os governos a mando do capital passa inevitavelmente pelo reforço da luta concreta nos locais de trabalho. É aí que, num primeiro momento, os trabalhadores tomam consciência da exploração capitalista e de como os seus interesses ao nível dos salários, dos horários de trabalho, dos turnos, etc. é claramente oposto ao dos patrões. É aí que os trabalhadores tomam consciência que os seus colegas de trabalho não são concorrentes seus mas camaradas de luta e indivíduos que partilham a mesma situação de classe. É aí que os trabalhadores aprendem que a luta colectiva é a sua arma mais poderosa contra os interesses antagónicos do patronato. Nesse sentido, o reforço das organizações sindicais de classe e das células dos Partidos revolucionários nos locais de trabalho é uma condição indispensável não apenas para o seu fortalecimento orgânico mas também para a própria orientação consequente da luta, apelando aos trabalhadores, quando o contexto assim o proporcione, para formas mais avançadas de luta.

Para concluir, há uma relação dialéctica entre “pequenas” e “grandes” lutas. Grandes movimentações de massas só são possíveis por via do desenvolvimento molecular e quase subterrâneo da luta concreta no local de trabalho. As ”pequenas” lutas criam no trabalhador a consciência dos seus interesses económicos específicos e um sentido geral de pertença à sua classe. As “grandes” lutas elevam a consciência económica do trabalhador a níveis mais elaborados, permitindo ao trabalhador compreender a ligação entre o conjunto dos patrões e o espelhar dos interesses destes nos governos. Ambas as lutas, por seu turno, forjam uma aprendizagem social e política dos trabalhadores. São por isso elos insubstituíveis e complementares na movimentação dos trabalhadores pela defesa e aprofundamento dos seus direitos, pela construção de uma sociedade socialista, uma sociedade liberta da exploração do homem pelo homem.

Bibliografia
MARX, Karl (1974 [1849]) – Trabalho assalariado e capital. Lisboa: Edições Avante!

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*Sociólogo

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in

odiario.info

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Quadras ao Francisco - Belisa

`Belisa
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ter 28-04-2009 12:15

OLá :)

Muitos Parabéns! Muitas Felicidades!
É muito lindo e é uma ternura olhar para as fotos.Obrigado!

Para ele felicidades mil
E ao avô todo "ínchado"
Que neste mês de Abril
Arrecadou mais um legado...


A continuação das melhoras para ti, se ainda não estiver tudo bem.

Beijos estrelados

de
Belisa

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ter 28-04-2009 12:44

Belisa deixou um novo comentário na sua mensagem "How are you ?":



OLá :)

Venho do correio agora
Quero repetir novamente
Que nunca me iria embora
Gosto dos Amigos sempre!

Eu estou bem melhor
E tu também como vais?
Espero que nunca pior
Parabéns a ti e aos pais!

Beijos estrelados

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Segunda-feira, 27 de Abril de 2009

How are you ?

HOW ARE
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Gioconda do Porto 2009.04.27 - 11:04
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Domingo, 26 de Abril de 2009

CANTAR JOSÉ AFONSO E ARESTAS DE VENTO

CARO (A) AMIGO (A),
É COM IMENSO PRAZER QUE PARTILHO CONTIGO ESTE LINK.ESTA PARTILHA CONSTITUI UMA JUSTA HOMENAGEM AO MEU AMIGO VICTOR SERRA QUE DEDICOU MUITO TRABALHO E MUITO DO SEU SABER PARA TORNAR POSSÍVEL O “CANTAR JOSÉ AFONSO”, UMA DAS MELHORES INICIATIVAS CULTURAIS LEVADAS AO PÚBLICO EM SETÚBAL, NOS ÚLTIMOS ANOS.
O SERRA FOI UM DESTACADO DIRIGENTE DO, INFELIZMENTE, EXTINTO CÍRCULO CULTURAL DE SETÚBAL, GRANDE REFERÊNCIA DEMOCRÁTICA DA CULTURA NA CIDADE E INSTITUIÇÃO LIGADA A MOMENTOS INOLVIDÁVEIS ANTES E DEPOIS DO 25 DE ABRIL.NESTE MOMENTO VIVEMOS EM SETÚBAL NUM DESERTO CULTURAL SEM UM OÁSIS QUE NOS REFRESCE; E A CULTURA É, INDISCUTIVELMENTE, COMO O PÃO PARA A BOCA, ESSENCIAL.
PEÇO-TE QUE O DIVULGUES PELOS TEUS AMIGOS EMPENHADOS NA CAUSA DA BOA CULTURA!!!
Leonel Dias/ Setubalense/ Democrata/ Amigo do Arestas de Vento


É FAVOR VER ESTE LINK E DIVULGAR PARA FICAR NA NET COMO FAZENDO PARTE DA HISTÓRIA DO CIRCULO CULTURAL DE SETÚBAL

http://cantarjoseafonso.blogspot.com/

OBRIGADO

VICTOR SERRA

MAIS ATENÇÃO PARA O QUE VEM A SEGUIR:

"Tudo indica que a entrevista do Arestas de Vento, ao Grupo de Teatro Infanto-Juvenil Espelho Mágico, foi um sucesso de todo o tamanho. Mas por entre aplausos e opiniões solidárias e incentivadoras(...)"

UNS, COMEM FAISÃO, OUTROS NEM MIGALHAS DE PÃO…

Tudo indica que a última entrevista do Arestas de Vento, ao Grupo de Teatro Infanto-Juvenil Espelho Mágico, foi um sucesso de todo o tamanho. Mas por entre aplausos e opiniões solidárias e incentivadoras, também se fizeram ouvir duas ou três vozinhas de compadres e comadres zangadinhas, porque, dizem, “o raio do programa não tem papas na língua”. E ainda bem que não tem, acrescentamos nós. Porque se tivesse era sinal de que estava subordinado a alguém ou a inconfessáveis interesses, ou que era reles correia de transmissão de algum poder político… E este programa lá perdia a sua piada, a sua identidade e forma de ser, passando, como infelizmente muitos outros, a ser pau mandado ou papel higiénico na rota de anafado traseiro…

O Grupo de Teatro Espelho Mágico, GATEM, cuja produção é integralmente dedicada a crianças e que é considerado a entidade cultural que no concelho de Setúbal (e se calhar no distrito) mais estimula jovens para o teatro e que pratica esta arte com distinção e com invejável maturidade artística, comprometido com a cultura verdadeiramente popular e que ao longo dos seus vinte anos de existência reaparece, anualmente, cheio de vitalidade e sempre com novos trabalhos teatrais e descobertas de novos talentos infanto-juvenis, (e só por isto merece todos os nossos encómios!) tem, sabe-se lá porquê, sido algo esquecido pelos poderes públicos, com excepção, diga-se em abono da verdade, no que respeita à Câmara e Junta de Freguesia de Palmela, sempre disponíveis para apoiar as iniciativas do grupo, principalmente aquando da realização do Festival da Canção de Palmela, evento que irá acontecer dentro de muito pouco tempo.

Sendo o teatro uma das mais antigas e essenciais formas de expressão e manifestação humanas, ajudando a ampliar as fronteiras do nosso conhecimento e da nossa experiência, o Grupo de que temos vindo a falar respeita integralmente estes valores e, mesmo com modestos apoios, lá vai singrando, aguenta-se nas curvas, que é como quem diz, nos palcos, assistindo com natural mágoa, à atribuição de chorudos subsídios a certos pseudo grupos teatrais, desproporcionais ao trabalho por eles desenvolvido. É esta falta de respeito que se reflecte no investimento adequado à manutenção e aprimoramento do seu contributo cultural para a sociedade, que faz com que os responsáveis do grupo, exercendo o seu inegável direito à indignação, questionem muitas vezes a forma e os critérios utilizados pelos poderes políticos para a atribuição de apoios financeiros que, em muitos casos, revela ou grande desconhecimento da realidade, ou grande conhecimento da cor do cartão partidário…

forum_setubal2net.JPG

É possível discordar, ter e defender ideias antagónicas – por vezes, como no tempo da ditadura fascista, que muitos benzidos democratas de meia-tijela não conheceram, com gravosas consequências. É a tal história do “não és por mim, és contra mim”. E por este motivo simplório e altamente caricato, se condena pessoas e entidades ao ostracismo, se trava iniciativas e projectos estimulantes de muita qualidade, dando primazia à bagunça cultural de ferro-velho, tóxica, chocha e que nada diz ao público, a nenhum público.

forum_setubalnet.JPG

O GATEM, Grupo de Animação e Teatro Espelho Mágico, cuja directora é a jovem actriz, pintora, poeta e radialista Céu Campos, tem que ser respeitado e, mais do que isso, é absolutamente necessário que exista! A bem da juventude que se quer responsável e participante e a bem da sociedade que se deseja sã e verdadeiramente livre!


Fernando Manuel Pereira/ Jornalista/ Poeta/ Setubalense

Publicado por arestas em 10:50 PM

Todas as notícias do Arestas de Vento em http://arestasdevento.blogs.sapo.pt/


Enviado por Ricardo Cardoso
qui 09-04-2009 10:04
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Quinta-feira, 23 de Abril de 2009

ölhår_Îñðîscrëtö...Å ¢µ®¡ö§¡dädë - 3º aniversário





ölhår_Îñðîscrëtö...Å ¢µ®¡ö§¡dädë

Quinta-feira, 23 de Abril de 2009
Aniversário,A partilha...

Toda a Dádiva deve ser sempre partilhada...
Mesmo não sendo explicada.
Meus Bons Amigos
Três anos já passaram, desde que surgiu o “Olhar Indiscreto” .
Nasceu apenas com uma finalidade, A PARTILHA…
Para manter o mesmo propósito, foi criado um livro de visitas.
Mas...estarei sempre presente.
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Luís de Camões - Desenho a lápis de J.J. Castro Ferreira


Desenho a lápis de J.J. Castro Ferreira
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Clicar na imagem para aumentar
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Segunda-feira, 20 de Abril de 2009

A Linha da Vida ...

QUANDO POR VEZES NOS DEBRUÇAMOS SOBRE A IMENSIDÃO DA NOITE, OS CAVALOS DOS PENSAMENTOS PASSAM Á DESFILADA....SOMOS UM PONTO DE ENERGIA MAS A MISSÃO DA NOSSA VIDA TRANSCENDE-NOS, É DO TAMANHO DO UNIVERSO....POIS ELE VIVE NA NOSSA ALMA....POR TUDO ISTO NÃO EXISTEM LIMITES PARA OS SONHOS NEM MUROS PARA ALCANÇARMOS A FELICIDADE.....SE É PRECISO LUTAR....LUTEMOS....SE TEMOS DE ULTRAPASSAR AS NOSSAS BARREIRAS....VAMOS EM FRENTE, SEM MEDO.....DESISTIR, É QUE NUNCA...QUANDO CHEGARMOS AO FIM DA LINHA POSSAMOS DIZER...ACREDITEI, LUTEI E CONSEGUI!
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Moranguinho Pereira (hi5)
Data: 20/Abr 9:47
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Continua em

REFLEXÕES - Clarice Lispector

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Domingo, 19 de Abril de 2009

... O NOSSO MUNDO FUTURO!

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PEGO NA MÃO COMO UM PINCEL E DESENHO UM PLANETA TERRA NO AR....COM A BORRACHA APAGO TODAS AS INJUSTIÇAS, TODAS AS GUERRAS, TODAS AS LÁGRIMAS....EM SEU LUGAR COLOCO SORRISOS, RAIOS DE SOL, APERTOS DE MÃO, ABRAÇOS DE AMIGO, MÃOS EM V DE VITÓRIA E UM FUTURO PARA TODOS OS DESFAVORECIDOS DO MUNDO QUE NÃO TENHA FIM.....ALGUÉM QUE SE ATREVA A APAGAR ESTE MUNDO QUE CRIEI....SEREI A MURALHA QUE O PROTEGE E A VOZ QUE O GLORIFICA....EM ANEXO UM BEIJO!
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Moranguinho Pereira (hi5)
Data: 19/Abr 9:23
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Continua em

ODE Á CRÍTICA - Pablo Neruda

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Sábado, 18 de Abril de 2009

MAURO...NADA RECEIES...

NÃO SABEMOS SE UM DIA ACORDAMOS E JÁ NÃO TEMOS ALGUÉM QUE AMÁMOS.....AS LÁGRIMAS QUE CORRERÃO NÃO SERÃO APENAS DE PENA....DEIXAR DE AMAR NÃO SIGNIFICA DEIXAR DE GOSTAR E TEMOS A OBRIGAÇÃO DE SENTIR QUE, DURANTE UM TEMPOS, DUAS LINHAS SE CRUZARAM E DEPOIS DECIDIRAM SEGUIR PELA VIDA, PARALELAS, ATÉ QUE UM SINAL AS DEZ VOLTAR A DIVERGIR. MESMO LONGE, A MEMÓRIA SE FARÁ SEMPRE PRESENTE, E NEGAR QUE CHEGÁMOS A SER FELIZES É NEGARMOS A NOSSA HISTÓRIA DE VIDA...( HOMENAGEM AO MEU EX MARIDO MAURO, QUE NESTE MOMENTO, NESTE PRECISO SEGUNDO, NÃO SEI SE JÁ INICIOU A VIAGEM DE REGRESSO.QUE OS ANJOS LHE INDIQUEM O CAMINHO )
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Continua em

É PROIBIDO - Pablo Neruda

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