Viva a Vida !

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sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Cecília Barata - Uma prosa sobre os meus gatos




UMA PROSA SOBRE OS MEUS GATOS

Perguntaram-me um dia destes
ao telefone
por que não escrevia
poesia (ao menos um poema)
sobre os meus gatos;
mas quem se interessaria
pelos meus gatos,
cuja única evidência
é serem meus (digamos assim)
e serem gatos
(coisa vasta, mas que acontece
a todos os da sua espécie)?
Este poderia
(talvez) ser um tema
(talvez até um tema nobre),
mas um tema não chega para um poema
nem sequer para um poema sobre;
porque é o poema o tema,
forma apenas.



DEL GATO Y DE LA MUJER

Del gato y de la mujer...
¿qué puedo decir de ambos?
No necesitan creer,
para ser idolatrados.

No necesitan pintar,
para poder ser pintados.
No necesitan amar,
para poder ser amados.

No precisan recordar,
por poder ser recordados...
y, aunque puedan olvidar...
jamás serán olvidados.

BERNARDO (8-11-2014)


GRACIAS, CECILIA. UN BESO.

**


sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Maria João de Sousa - quadra de chuva



Chove tão intensamente
que a poeira dos caminhos
vem colar-se aos pés da gente
suja a casa dos vizinhos 

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Carlos Rodrigues - “ TEMPEROS E GUARNIÇÕES “

" TEMPEROS E GUARNIÇÕES "

25 de Julho de 2013 às 21:11
                                            “  TEMPEROS E  GUARNIÇÕES “

                                                Ao umbelífero coentro
                                                Tiro o chapéu, sento à mesa,
                                                Que a coentrada é um evento
                                                Na comida à Portuguesa.

                                                Já o umbráculo do cogumelo,
                                                Tem sabores de muito uso,
                                                Mas campânula de medusa,
                                                É preciso conhecê-lo,

                                               Pode dar molho cremoso
                                               E ter um gosto apurado,
                                               Mas com pintas no telhado
                                               Mais certo é ser venenoso

                                               Com resultado fatal
                                               Para quem o tenha engolido,
                                               Como mágico e sabido
                                               Em viagens pelo astral,

                                              Estrangeirinhas ardilosas
                                              E outras formas obtusas,
                                              Não recomendo, nem uso,
                                              Com temperos cor de rosa,

                                              Já o rabanete ou rábão
                                              Entra em culinária vária,
                                              Sendo uma planta herbária,
                                              Eleva a decoração,

                                              E há até quem faça questão
                                              No poder paranormal,
                                              Que tem este vegetal
                                              Em casos sem solução.                               

                                             Também o liofilizado,
                                             Alimento  ora banal,
                                             Em contexto virtual,
                                             Vale o que vale o Mercado.

                                             Outros turvam, de raiz,
                                             O núbio preço da venda,
                                             E entre tanta encomenda,
                                             Paga aquele que nunca a quis.

                                             Passar mal não é destino,
                                             Mesmo com tempo nublado,
                                             Mas já disse um iluminado
                                             Que quem não come é comido.


                                             Temos o caldo entornado…
                                             O tacho é de ferro velho,
                                             Se fosse Aquiles era artelho,
                                             Pois já nasceu corroído.

                                             Mas não basta o sal das pedras,
                                             Para o menu equilibrar,
                                             O que faz falta é ousar
                                             Temperar palavras com obras,

                                            E quem vir mal na questão
                                            Desta guarnição a frio,
                                            Prove os gelos do vazio
                                            Entre restauro e Restauração.

                                           Carlos A.N. Rodrigues, 25 / 07 / 2013                                        


" TEMPEROS E GUARNIÇÕES "
" TEMPEROS E GUARNIÇÕES "



Carlos Rodrigues Bom Dia, Vitor, prazer em tornar a " ver-te ".Obrigado e B.F.S.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Maria Amélia Martins e a poesia



Eu não sei, nunca soube, escrever poesia. Mas houve uma época em que eu tinha a mania das quadras que me vinham à cabeça com facilidade. Coisas que passavam por mim e eu agarrava em palavras a rimar assim:

Vão cheiinhas as carreiras, 
ainda vai povo de pé,
outros tantos vão nas beiras
das estradas traiçoeiras
onde arrisca a vida, o "Zé".
É assim na hora de entrada
E nas saídas tambem
operários pela estrada 
cansados da caminhada
com muita força, porém.
Para lá, vão sempre a "horas"
quantas vezes "a penar"
mas quando se vão embora 
parece que a vida melhora 
enfim já vão descansar...
O que nas fábricas se passa 
é igual em todo o lado:
Se trabalhas, cais em graça, 
mas se exiges, que desgraça
já não passas dum safado....

...E isto ia por aí adiante até contar (como eu sabia fazê-lo em rima) a vida toda do "Zé operário" que era eu tambem...E isto completo, que enchia duas folhas do jornal local do PCP teve direito a destaque em páginas centrais. Já nem me lembro do resto, mas naquele tempo fiquei contente com a publicação. (fins dos anos 70)


~~~~~~~



  • Maria Amélia Martins Estes versos estão aqui imcompletos, encheu 2 páginas, mas nada especial, era o que eu era capaz e são do tempo em que tambem eu operária textil usavamos os autocarros como transporte para o trabalho nas fábricas da zona Riopele , Carides, Safil...como sabeis (os amigos Pereira, meus vizinhos) o numero de operários era então de muitos milhares e muito deles seguiam pelas bermas da estrada nacional (beiras) sujeitos a serem atropelados como sabeis que aconteceu a muitos...tambem a repressão nos trabalhos foi numa certa época muito severa...Os versos falam disso. obg. amigos bjs especialmente Lino e Valentim!



    • Victor Nogueira Já te disse, Maria Amélia Martins que gosto dos teus contos ou estórias e da maneira como escreves. Desvendaste-me agora a tua veia poética. E gostei, embora haja uma técncia para as chamadas quadras populares que podem ser apenas uma ou várias em sequência Mas como escreveu António Aleixo 



      A quadra tem pouco espaço
      Mas eu fico satisfeito
      Quando numa quadra faço
      Alguma coisa com jeito.

      há alguns segundos · Editado · Gosto



      • Maria Amélia Martins obg. Victor... poesia tambem já fiz e até tenho guardadas mas nem me atrevo a publicar porque sei que não é boa...quadras já fiz muitas e saiem com facilidade...beijinhos amigo!!!
      • Victor Nogueira Ah! E lembro-mr que qd percorria as estradas do Porto e do Minho, com o meu avô materno, de ver as longas filas de operários e operárias de bicicleta ou motorizada, nas idas e voltas para a fábrica. Não só mas tb na chamada recta do Mindelo. Como as minhas primas de Pedra Furada - Barcelos
        há 5 minutos · Editado · Gosto · 1
      • Maria Amélia Martins isso acabou..ainda existe a Riopele mas com menos trabalhadores...a Carides onde trabalhei, é agora um conjunto de pequenas empresas, poucos trabalhadores tambem..e já não se vêem muitos a pé...
        há 2 minutos · Não gosto · 1


        • Maria Amélia Martins aqueles meus versos dum tempo em que não havia crise no setor textil acabavam assim: Se mesmo sem crise, isto é assim/ trabalhar e viver mal/ abre os olhos, vai por mim/ estaremos no plural. :)))