Viva a Vida !

Este blog destina-se aos meus amigos e conhecidos assim como aos visitantes que nele queiram colaborar..... «Olá, Diga Bom Dia com Alegria, Boa Tarde, sem Alarde, Boa Noite, sem Açoite ! E Viva a Vida, com Humor / Amor, Alegria e Fantasia» ! Ah ! E não esquecer alguns trocos para os gastos (Victor Nogueira) ..... «Nada do que é humano me é estranho» (Terêncio)....«Aprender, Aprender Sempre !» (Lenine)

sábado, 9 de novembro de 2013

António José Cravo - pancada de mar

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há 5 horas · Editado 

pancada de mar

o remo quebrado, pelo cágado, o gabriel carrega.

a poucos metros o mestre de redes, o cebola, continua de olhos no mar

o regresso à partida é uma questão de tempo

a vontade não quebra que de madeira não é

(torreira; companha do marco; 2010)
 

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Maria João de Sousa - (CON)TRASTE - Seis décimas para desafiar a mo(r)te sem glosar mote algum

8 de Novembro de 2013 às 15:14

Voz do comando final
Destoutra rebelião,
Mesmo que eu diga que não,
Que te erga o punho e proteste
Negando que aqui vieste
Sem bater, nem dar sinal,
Pôr fim, a bem ou a mal,
A quanto sobre à função
De ir conjugando alma e mão
Em versos que me não deste
E, decerto, não escreveste,
Mas nos quais deixaste o sal,

De nada me servirá,
Mas… que fazer, se esta vida
Me pede pr`a ser vivida
Toda do lado de cá?
Sei que, nem boa, nem má,
Esse teu ciclo cumprindo,
Não te orgulhas de ter vindo
E, à força de tão cumprida,
Tanto te faz que eu decida
Dizer que de ti prescindo…

Alguns chamam-te destino,
Eu, muito pelo contrário,
Dar-te-ei, de modo vário,
Um nome menos latino,
Mais simples, mais pequenino,
Em jeito de desafio
Pois, já que morro de frio,
De ti cobro o estranho erário
De mudar-te o corolário
Nas contas que aqui desfio!

Aqui deixo, à revelia
Da vontade que nem tens,
Como se escólio de bens,
O nome que me ocorreu
Pois, nem inferno, nem céu,
Antes sal de humana origem,
Me surge em estranha vertigem
Num verso a que não convéns
Já que terminá-lo vens
Quando o sei ser muito meu,  

Ponto final que resultas
De um percurso acidentado,
Circunstância, tempo errado,
Poder no qual nunca exultas,
(Sei que as pessoas mais… “cultas”
criticarão quanto digo,
mas, “isto” nasceu comigo
e trago-o tão bem pensado,
tão sentido e tão estudado,
que ouso e desdenho um tal p`rigo!)

Coisa comum que magoas,
Banalidade inclemente
Que arrebatas são, doente,
Gentes mesquinhas e boas,
Que, num segundo, atordoas
E noutro te retiraste
De quanta dor cá deixaste,
Só sei que fico contente
Por saber fazer-te frente
Quando te chamo “(con)traste”!



Maria João Brito de Sousa – 08.11.2013 – 14.31
La femme qui peint l`enfant eternell - Maria João Brito de Sousa - 2006
La femme qui peint l`enfant eternell - Maria João Brito de Sousa - 2006


  • Victor Nogueira Não há vagares na leitura do sexteto na clave com que o compuseste pois a correnteza das palavras depressa nos conduz ao climax, obrigando a retornar ao início. E gostei tb da foto que de repente me pareceu uma iluminura "aggiornata"



    • Maria João De Sousa Agradeço-te e confesso-te que... espera... aggiornata... intemporal?
    • Victor Nogueira refiro-me à iluminura, à forma, contrastando com a "correnteza" do rio das palavras, que expressam realidades e vivências de todos os tempos e lugares. Aliás, na minha percepção/conjugação de váras ilustrações, a iluminura ligar-se-ia às cantigas de amigo ou de escárnio e maldizer, e as décimas à pintura naif. E tu subverteste estas minhas "ligações", um pouco como eu faço nos meus rimances ou nalguns sonetos.

um texto de Alice Coelho

Victor Nogueira partilhou a foto de Alice Coelho.
há 23 horas
Aprisiono-me no tempo, nas palavras que invento, nos pecados que cometo, nos pensamentos errantes que liberto e acorrento-me às noites de amor, que os meus lábios não tocam os teus, nem a força das palavras esvoaça em direcção aos desejos que te amarram as vontades e os movimentos que nem sempre podemos vencer.

Até amanhã.......... 



AC ___________ Alice Coelho

Foto: Aprisiono-me no tempo, nas palavras que invento, nos pecados que cometo, nos pensamentos errantes que liberto e acorrento-me às noites de amor, que os meus lábios não tocam os teus, nem a força das palavras esvoaça em direcção aos desejos que te amarram  as vontades e os movimentos que nem sempre podemos vencer.

Até amanhã.......... <3

AC ___________ Alice Coelho.

um gosto de manuela miranda

Foto: Adoro Cavalos pela sua elegancia e beleza e como eles conseguem ultrapassar os obstáculos, assim gostaria eu de ultapassar os meus na Vida~~
Victor Nogueira foi identificado em 4 fotos no álbum Fotos de capa de Manuela Miranda.


Adoro Cavalos pela sua elegancia e beleza e como eles conseguem ultrapassar os obstáculos, assim gostaria eu de ultapassar os meus na Vida


terça-feira, 5 de novembro de 2013

Margarida Morgado - La Poésie


Por Victor Nogueira a Terça-feira, 5 de Novembro de 2013 às 22:25
Et pour toi mil fois merde
je te le dis!
que sais-tu de poésie, toi
qui regarde les journaux
aux yeux avides de voisine
qui aime trop les nouvelles
qui ne veut que savoir
ce qui se passe au monde
la poésie c’est tout autre chose
La poésie c’est l’ indisible
Ce qu’ on ne voit pas
Ce qu’ on aime trop
Pour pouvoir le dire!


Évora 1971.07.24

escrito  pela Guida num dia em que se zangou comigo

domingo, 3 de novembro de 2013

Margarida Garcia - Testamento




Testamento ( a publicar)

O que me cabe de ti são as palavras
Nada mais habita o testamento do que me deixaste.
Dentro de mim a tua voz passeia omnisciente
sobe os degraus do meu corpo
e grita ousada e quente na posse profunda e feroz.
Só as palavras nos pertencem
porque tudo o mais é labirinto e imaginação
Estas nossas bocas são louva-a-deus que se devoram
sem que os olhos se abram e desnudem verdades.
Cresces em mim e eu abro-te o centro de mim mesma
para que nele expludam os céus e as marés.
Mas apenas te sonho e te aconchego sem pressas, nem temores.
A tua presença ficou agarrada às maçanetas das portas
e aos cortinados flutuando nas janelas. Tudo respira o teu hálito.
Eu trago o sorriso a tremer, corredor fora. Busco fantasmas
de uma ausência bruscamente afirmada.
Mas nada mais existe e necessito
e a vida que me resta, está toda nas palavras que me cabem.

© Margarida Piloto Garcia.
(todos os direitos reservados)

Foto de Iaia Gagliani


sábado, 2 de novembro de 2013

um poema de Álvaro de Campos


Feliz noite camaradas e amigos ......

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada 
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...


Álvaro de Campos
 —

um poema de Jorgete Teixeira

Quem sabe o amor seja a flor tardia
Que nasce onde a palavra se incendeia
Talvez seja a maré ou a loucura
Que há na voz do vento
Gritando-me nas veias

jorgete teixeira

Manuela Pinto - mascara:

HOJE APETECE-ME SOLTAR ESTAS PALAVRAS DE NOVO

mascara:

ja tive infancia sem brinquedo - rica quando era pobre - e muito pobre quando era rica - ja fui escrava sem ter amo - prostituta de um so homem - ja fui puta e alimentei chulo - ja fui esposa sem marido - mae sem ter filhos - madrasta de filhos meus - alimentei quem nao tinha fome - protegi o mentiroso - sou julgada sem ser ré - fui cadela e nao mordi - fui invejada por estar nua - alimentei-me de ilusao - fui patroa e empregada de patrao de coisas minhas - humilhada e abusada por alimentar a mentira - era forte quando estava fraca - e fraca quando sou forte - ja fui prisioneira sem cadeia - ja fui ladra sem roubar - condenada sem sentença - ja fui pintora sem tela - artista sem palco - de "amigos" falseada - ja fui ateia com profecta - beata sem igreja - usuraria de notas falsas - fui previdente, bruxa e adivinha, sabia no presente o que me reservava o futuro - ja fui amada sem amor - vivi de pesadelos - em castelo de areia fui rainha - bombeira sem ter fogo - maqueira de urgencia - enfermeira sem seringa - ja fui gente sem ser ninguem - conhecida de desconhecidos - moldada como barro por mao de falso oleiro - louca sem manicomio - pari filhos sem pai - abortei em solidao - fui cozinheira de festas anfitria é que nao - fui mascara, columbina, usada e abusada de falso arlequim - gritei para gente mouca quando eu era louca - sou mulher sem letras douturada pela vida - sou madrasta de filhos bons - alimentei quem de mim comia - tive bom professor mas fui mà aluna - quero calar-me para ser ouvida - sofro porque nao amo e choro por nao ter dor - ja parti e voltei de novo parti e nao sei se voltarei - quero cansar a vida porque exausta ja estou - e de tudo isto resta-me o ideal que nao morre e com ele resistir até o corpo perecer! 

Manela

Victor Nogueira Um texto comovente, cheio de força e de garra e de amor, Manela Pinto

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Maria João de Sousa - quadra de chuva



Chove tão intensamente
que a poeira dos caminhos
vem colar-se aos pés da gente
suja a casa dos vizinhos 

domingo, 6 de outubro de 2013

na morte de celino silva

* Victor Nogueira

A ida évora foi sempre sendo adiada para o re-encontro, mas o encontro, esse já se dera no tempo em que Abril era uma esperança logo ali ao virar da esquina. Mas a vida persiste enquanto houver a memória daqueles que nos conheceram.


quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Margarida Piloto Garcia - Notas de outono




Notas de outono ( a publicar)

Anoitecia quando vieste cobrir-me de outonos.
E eu a voar como uma efémera, presa às poucas horas
que me restam para te dizer palavras impossíveis!
Teimam em mim os rubores extasiados e primaveris
de um corpo foragido e inquieto.
Confesso que te balbucio liturgias
enquanto te suspiro os cabelos, a boca entreaberta
à procura dos cheiros que possa engolir em golfadas
numa apneia de ti.
Trazes-me um frio azul e pálido como mãos silenciosas
que apenas me respiram intermitentemente
sem me arderem na pele.
E perdes-te sempre à bolina da razão enquanto me calas.
Doem-me os poros e a raíz dos cabelos
enredados no musgo dos muros que contróis.
Mas tudo entre nós é apenas paralelo.
Tu comes blinis em Moscovo nos jogos de vermelho e negro
enquanto eu saboreio crepes e sonho na Place de L’Opera.
E é por isso, que apesar do desejo estar perto
os nossos outonos nunca serão iguais.


© Margarida Piloto Garcia