Viva a Vida !

Este blog destina-se aos meus amigos e conhecidos assim como aos visitantes que nele queiram colaborar..... «Olá, Diga Bom Dia com Alegria, Boa Tarde, sem Alarde, Boa Noite, sem Açoite ! E Viva a Vida, com Humor / Amor, Alegria e Fantasia» ! Ah ! E não esquecer alguns trocos para os gastos (Victor Nogueira) ..... «Nada do que é humano me é estranho» (Terêncio)....«Aprender, Aprender Sempre !» (Lenine)
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sábado, 3 de setembro de 2022

Convívio entre Abril e Maio (26) - Até ao lavar dos cestos ... (14) - Carta a Um amigo Virtual



Building a rainbow de Tito Salomoni



From: "Ana "
To:
Subject: carta a um amigo virtual
Date: Terça-feira, 5 de Outubro de 1999 15:09

Pois é Victor, quando acordo, de manhã, o sentimento é sempre o mesmo. Uma tristeza imensa desperta comigo, enrosco-me mais ainda, com vontade de voltar a adormecer mas, desta vez, eternamente. Acho que dormir eternamente não deve ser tão mau como as pessoas pensam. Sei que lá fora gira uma imensidão de vida mas nada me consegue atrair. Não há Sol, não há flores, não há música que me "agarre" nesta vida. Acho que já fiz tudo o que tinha para fazer. Esgotei a minha imaginação. Sinto-me "morta" por dentro. Se adormecesse eternamente, o mundo não iria dar pela minha falta. Pouca gente sabe que existo porque na realidade não tenho "existido". Os meus pais, os meus irmãos, a minha filha, alguns amigos, chorariam, sentiriam a minha falta por algum tempo mas habituar-se-iam. Eles sabem , já lhes disse, que o sofrimento é que me assusta não a morte e que nunca sintam pena de mim se morrer sem sofrer. Acho que só os privilegiados têm essa sorte.
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É assim que me sinto hoje, foi assim que me senti ontem e não sei se é assim que me sentirei amanhã. Detesto os sábados, domingos e feriados.
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Obrigada por escutares este meu desabafo amigo virtual e n fiques com a sensação que "isto " poderá querer dizer "algo". Acho mesmo que foi importante dizer "isto" a alguém que não me conhece mas que eu sei que me "lê".
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Um beijo e um bom resto de tarde
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Ana
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quarta-feira, 30 de julho de 2008

Convívio entre Abril e Maio (19) - Até ao lavar dos cestos ... (7)

Building a rainbow de Tito Salomoni
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From: Manariana
To: vicnog
Subject: "mº obrigada"
Date: Sábado, 9 de Setembro de 2000 20:08

Vic
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Obrigada,pelo lindo poema que me enviaste, um dos teus primeiros,logo uma relíquia preciosa e pioneira! Que me enterneceu, me colocou uma lagrimita no olho!
Gostei de o ler, porque encerra toda a beleza da vida!
Toda a gratidão que "a gente" sente por estar nela, com "ela"!
Pegando-lhe quantas vezes com gana de amor e raiva "pelas pontas"!
Já que, traiçoeiramente, a cada passo nos devota a apreensões dolorosas!
E gostamos tanto dela!
Lutamos por "ela"
Queremos estar nela, com "ela"...
Gerindo as nossas mazelas!
Obrigada por o teres escrito!
Por mo teres enviado
pelo teu sentido de oportunidade
pelo teu sorriso
pela tua sensibilidade
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* Manariana
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terça-feira, 29 de julho de 2008

Convívio entre Abril e Maio (18) - Até ao lavar dos cestos ... (6)

Building a rainbow de Tito Salomoni
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From: "M.C"
To: vicnog
Subject: Carta a Alguém.. quase desconhecido...
Date: Terça-feira, 5 de Outubro de 1999 22:34

Elvas, 5 de Outubro de 1999




Sentada à mesa no meu cantinho de trabalho, onde lavro, aro e semeio o caminhar dos dias, e o eco do teu "deves-me carta" bem presente no ouvido, pego-me à escrita.

Como pano de fundo, uma Aria de Bach.De uma beleza extrema, pegando-me na mão como quem guia o cego, leva-me à esfera mais interna do sentir, faz-me partícula, harmoniza-me com o Universo e impregna o ar de uma cantata de ternura.

È neste enquadramento sereno e belo, que me ponho a pensar no que hei-de dizer, a alguém que mal conheço.

Falar de mim a alguém que, de mim pouco sabe, seria, aparentemente uma tarefa fácil, pois muitos trechos haveria para escolher, dos cerca de quarenta anos (dos primeiros seis pouco recordo!) de vida vivida com o entusiasmo que o saber das diferentes idades me foi permitindo desfrutar.

Mas, contrariamente ao que seria de esperar, sinto-me como se quisesse fazer escoar todo um caudal de vida, pela garganta estreita da ponta da caneta, para esta folha branca feita foz.

Sinto o fluir da água... gosto de me espraiar como onda no crescer da maré...

O mar, sempre presente em mim que, curiosamente, escolhi viver neste mar de terra onde apenas ouço o vaivém das marés, quando o trigo está louro e a seara escaldante ondula, ao som da brisa, em fim de dia.

Também gosto do branco-cal das casas, que a luz dourada deste sol do Sul torna de um brilho único.

E depois há o céu...o céu do Alentejo, em que me perco a contar estrelas, quando, em madrugadas de trabalho, regresso a casa, cidade adormecida a sono solto.

A lua, ela também é minha companheira; espreito-a e, ora se esconde, ora se mostra, para me fazer lembrar que a vida é feita de momentos, pertença de uma única unidade.

E quando chega o frio, o aroma de lareira acesa impregna-me o sentir, quando de casa me aproximo e, cansada do dia, persigo o sonho ao som do estalar do azinho e me aconchego no crepitar da chama.

Tantas e tantas coisas mais teria para te dizer desta procura apaixonada com que faço o caminho, mas eu não sei falar de mim...

Socorro-me por isso, de um pedacinho do meu eu, que, talvez fale melhor do muito que eu gostaria que a ti chegasse, mas que não sei dizer.


Um jinhooooooo

M.



Um jinhooooooo
A moça de Elvas