Viva a Vida !
Este blog destina-se aos meus amigos e conhecidos assim como aos visitantes que nele queiram colaborar..... «Olá, Diga Bom Dia com Alegria, Boa Tarde, sem Alarde, Boa Noite, sem Açoite ! E Viva a Vida, com Humor / Amor, Alegria e Fantasia» ! Ah ! E não esquecer alguns trocos para os gastos (Victor Nogueira) ..... «Nada do que é humano me é estranho» (Terêncio)....«Aprender, Aprender Sempre !» (Lenine)
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domingo, 30 de novembro de 2014
sábado, 7 de setembro de 2013
quinta-feira, 22 de agosto de 2013
Mia Couto - Testamento Da Mulher Suspensa
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Testamento Da Mulher Suspensa
Eis o que vos deixo:
um leve gosto
de renascer lembrada.
E um falso desejo de ser esquecida.
Que eu virei buscar a espuma da onda
que ficou para sempre por quebrar.
Beleza não me bastou:
o que quis ser
foram cetins de fogo,
pétalas de cinza depois do abraço.
Nem flor invejei:
o que mais ilumina
vem de um oceano escuro.
Esperanças tive: todas naufragaram
antes cansaços e remorsos.
Procurei ilhas e mares:
só havia viagens,
travessias de água
nos olhos de quem amei.
Num mundo com remédios parcos
não clamei bravuras.
Injusto é viver
em perecível ser.
Menina,
aprendi a desenrolar tapetes
em rasos pátios voadores,
varandas maiores que o mundo
onde o tempo à nossa mão vinha beber.
Meus pequenos dedos
rasgaram céus,
mas o ensejo era largo:
em mim secaram
lembranças de um mar antigo.
Assim,
tudo o que sou
já fui
na criança que sonhou ser tudo.
Meus lutos, sem emenda, carrego:
viuvez de mulher
não vem de marido.
Vem do amor não mais sonhado.
Com a fragilidade de um riso
enfrentei ruínas e derrotas
e apenas a vida, calada, me calou.
Tudo falei com meus amantes.
Perante o amor, porém, não tive palavra.
O que da vida me restou:
pegadas alheias sob meus pés molhados.
Viver sabe quem ainda vai viver.
Deixo-me,
mulher que quase foi,
à mulher que nunca fui.
Mia Couto in "Tradutor de Chuvas"
Eis o que vos deixo:
um leve gosto
de renascer lembrada.
E um falso desejo de ser esquecida.
Que eu virei buscar a espuma da onda
que ficou para sempre por quebrar.
Beleza não me bastou:
o que quis ser
foram cetins de fogo,
pétalas de cinza depois do abraço.
Nem flor invejei:
o que mais ilumina
vem de um oceano escuro.
Esperanças tive: todas naufragaram
antes cansaços e remorsos.
Procurei ilhas e mares:
só havia viagens,
travessias de água
nos olhos de quem amei.
Num mundo com remédios parcos
não clamei bravuras.
Injusto é viver
em perecível ser.
Menina,
aprendi a desenrolar tapetes
em rasos pátios voadores,
varandas maiores que o mundo
onde o tempo à nossa mão vinha beber.
Meus pequenos dedos
rasgaram céus,
mas o ensejo era largo:
em mim secaram
lembranças de um mar antigo.
Assim,
tudo o que sou
já fui
na criança que sonhou ser tudo.
Meus lutos, sem emenda, carrego:
viuvez de mulher
não vem de marido.
Vem do amor não mais sonhado.
Com a fragilidade de um riso
enfrentei ruínas e derrotas
e apenas a vida, calada, me calou.
Tudo falei com meus amantes.
Perante o amor, porém, não tive palavra.
O que da vida me restou:
pegadas alheias sob meus pés molhados.
Viver sabe quem ainda vai viver.
Deixo-me,
mulher que quase foi,
à mulher que nunca fui.
Mia Couto in "Tradutor de Chuvas"
- Victor Nogueira Bela a imanem e o poema; sedutoras a tua amizade e presença. Isa Alçada
Etiquetas:
Isa Alçada,
Mia Couto,
Poesia,
Victor Nogueira Breves
quinta-feira, 11 de junho de 2009
Recensão de Terra Sonâmbula, de Mia Couto, por Madalena Mendes
| Categoria: Literatura - Romance |
| Idade: 0 - 5 |
| Editora: Caminho |
| Ano da Obra: 2008 |
O TEMA DO MÊS autonomiza um conjunto de listas temáticas de recensões organizadas pelo leitur@gulbenkian aquando da comemoração de certas efemérides.
Para assinalar o Dia do Livro de 2009 contámos com a colaboração de Sandra Velhinho, Madalena Mendes, Ilda Maria Sobral Azinhais Velez e Duarte Sérgio da Silva Martins, nossos leitores que responderam ao desafio de enviar uma recensão crítica de um livro à sua escolha.
Para assinalar o Dia do Livro de 2009 contámos com a colaboração de Sandra Velhinho, Madalena Mendes, Ilda Maria Sobral Azinhais Velez e Duarte Sérgio da Silva Martins, nossos leitores que responderam ao desafio de enviar uma recensão crítica de um livro à sua escolha.
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in
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Terra Sonâmbula |
de Couto, Mia |
recenseador: Madalena Mendes, 2009 |
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| Apreciação: |
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| Mia Couto, escritor africano, é um exemplo paradigmático no campo da reinvenção da linguagem e da recriação da língua portuguesa. A sua obra, forjada no caldo entrecruzado da memória, da História e das estórias, atravessa os tempos e os espaços e emerge de África para se assumir como narrativa universal.
. Exímio na arte da transgressão, o escritor-poeta impugna os binarismos dicotómicos – branco/negro, feminino/masculino, mito/verdade, natureza/cultura, vida/arte, facto/ficção, razão/sentimento; norte/sul -, nos trilhos de uma outra legibilidade das fracturas introduzidas pelos cânones etnocêntricos, em prol de uma nova geopolítica do conhecimento perfilada no reconhecimento da pluralidade e multiplicidade dos conhecimentos e dos espaços e lugares da sua enunciação. . A obra de Mia Couto, projecto clinámico inscrito na falinvenção das razões silenciadas (Santos), fronteiriças (Mignolo) mestiças (Ribeiro), híbridas (Canclini) e oprimidas (Freire), apresenta-se como referência incontornável para se repensar a literatura, a linguagem, o dinamismo da língua, a História e o lugar nela, dos sujeitos e da multiplicidade mestiça das suas identidades. . Professora, Investigadora e Doutoranda em Educação, 47 anos. . . |
Etiquetas:
Literatura,
Madalena Mendes,
Mia Couto
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