Viva a Vida !

Este blog destina-se aos meus amigos e conhecidos assim como aos visitantes que nele queiram colaborar..... «Olá, Diga Bom Dia com Alegria, Boa Tarde, sem Alarde, Boa Noite, sem Açoite ! E Viva a Vida, com Humor / Amor, Alegria e Fantasia» ! Ah ! E não esquecer alguns trocos para os gastos (Victor Nogueira) ..... «Nada do que é humano me é estranho» (Terêncio)....«Aprender, Aprender Sempre !» (Lenine)
Mostrar mensagens com a etiqueta Fotografia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Fotografia. Mostrar todas as mensagens

domingo, 6 de março de 2016

Margarida Piloto Garcia - Poema Diário


Poema diário

A gaivota solta-se do rio e enche-lhe de cinzento o café morno
Sobe-lhe aos olhos o dia taciturno enquanto a torrada se derrete
afogada na garganta que engole o grito da gaivota
Atiça as pontas dos dedos no teclado que o ludibria
e sorve a maresia, hospedeira da pele.
Perde-se à deriva, sobrevivente de desejos.
Inventa formas imprecisas aconchegadas numa tela
e absorve a languidez das palavras.

Voltam os dedos, soldados camuflados, espiões de sentimentos
retidos em beijos impalpáveis, brancos e oxidados
ou vermelho sangue , vampiros da paixão.
Conta os dias, para viver só um, o que conjuga no presente
sem esperar a eternidade fabricada
Adoça as palavras mas tem uma lâmina em cada lábio
a retalhar as sílabas como um verbo sem sujeito
Deita os olhos ao rio a medir o perímetro das coisas
a força da maré dentro de si, o escrutínio de quem é

De pálpebras fechadas solta a voz ao encontro da apatia
dos dias idênticos e dos inventores de malabarismos
Só quer dizer um nome, mesmo que a gaivota o engula
e leve para sempre o que murmura e lhe enche a boca
Agora as falanges estão rombas de usadas
e é preciso abusar da usura para escrever a luxúria incapaz
Cansa-lhe a vida mas padece do hábito de viver.
Afinal estar vivo é um poema diário.

© Margarida Piloto Garcia.

( todos os direitos reservados ao abrigo do código do direito de autor)

Foto de Lígia Bento.
 

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Margarida Piloto Garcia - Fio de Prumo

Fio de prumo

Sentava-se como se um fio de prumo
lhe atravessasse o corpo adivinhando-lhe os contornos
perdendo-se no sexo maduro a disfarçar gemidos.
Não lhe cresciam asas porque os punhais eram antigos
e tinham nomes de demónios.
As boas memórias rolavam como fome espinha acima,
tentando deitá-la onde as palavras eram leito.
Ela agarrava-se ao fio de prumo até a pele
seguir em frente, deixando-a só, a roer o instinto.
Tentou correr mas tiraram-lhe os abraços umbilicais
engoliram-lhe a boca com beijos adiados
plantaram-lhe mentiras nos seios feitos estrada
Nas horas densas acorrenta-se no silêncio e nos gomos
de pequenas felicidades que come com desejo.
Não morreu ainda, o fio de prumo retesa-a
estica-lhe o coração até ao impossível, por isso sabe.

© Margarida Piloto Garcia.

( todos os direitos reservados ao abrigo do código do direito de autor)

Foto de Jovana Rikalo
 

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Silvia Mendonça - Poema Marginal



CONTINUANDO A CIRANDA POÉTICA
O poeta e amigo Antonio Joaquim Alves convidou-em a participar numa "Ciranda Poética". Postar um poema por dia, durante cinco dias e convidar um outro amiga/o a fazer o mesmo. Publiquei dois poemas e desafiei, na primeira vez, a poetisaWaulena d'Oliveira Silva e Filpe Filipe Chinita a continuarem este evento poético. Neste terceiro dia, publico POEMA MARGINAL e desafio a poetisa Vony B S Ferreira a entrar na ciranda.

POEMA MARGINAL
Por Silvia Mendonça

Da primeira à última palavra
Depois da exaustão inflexível que
Silenciosamente
abarca meus poemas
Poso
Cálice virgem de excitação tinto
Saudades buquê
Aroma violino
Pálida entre travesseiros
Em teus ensaios lascivos
Permeados de poses libertinas
Não tenho como evitar
Tua conquista distraída
Tua meiguice em palavras dinamite
Teus gestos de linguajar faminto
Que me seda
Embriagues silábica
Labial
Vulgar vogal
Sou lava em tua boca
Cumplicidade em surdina
É o meu jeito [in] verso
Em cada esquina
Te pego inusitado
Saboreio-te conquistado
Paixão chama sobre medida
Vaga valsas de silêncio
Nos passos delirantes dessa história
Bailo nas ilhas de teu corpo
Na areia que salga tua pele
No encontro de almas
Gêmeas [?]
Chego a ti em borbulhas
Lábios lambuzados de cachoeiras
Mananciais perolados
Nos veios tesos
Negros
Rabiscados em teu peito pelos
Meus dentes tigrados
Invado teus meios
Com palavras sujas
Causo frenesi em teu trânsito
Em teus cruzamentos
Em teus faróis
Caos cativante
[des] amarrações
Da expulsão da mesmice poética
[Des] ocultemos nossas enfermas
[in] quietações
Esperas
Conformismos
Clandestinas tentativas poéticas
Vendem-te palavras falsificadas
Querem-te pela metade
[meio gesto meio escondido]
Trago-te palpitação nas páginas
Cios de encadernações orgasmos
Quero-te inteiro
Completo
Desde o primeiro pulsar
Até os terremotos horrendos
Atravesso trepidações
Maremotos suarentos
Grunhidos dos calores
De posse dos despojos
Entrego-te carinhos
Armo cenas
Roço lábios em tua nuca
[co] lapso de tempo
Assim é esse poema
Marginal
Saltimbanco
Despenteado
Relativo
Germe
[de nós]

[Poema reeditado - 10/02/2016]
[Foto: Hanna Brescia]
 — 

domingo, 10 de janeiro de 2016

Margarida Piloto Garcia - Instinto de sobrevivência

Instinto de sobrevivência

Como não acredito,
a chuva pouco me molha os olhos
e o estômago tem a dureza dos anos.
Tudo é tão depressa
que a palavra é difícil e transpirada.
Tudo é suportável
porque estou aqui, no impossível,
e existo, mesmo que seja um milagre
primitivo e demolhado em sangue.
Vejo de fora para dentro
o amor a cair em desuso
e eu a correr para uma equação forasteira.
Ávida de mim, digo que quero ainda
que renego incêndios apagados
e que nem tudo se perdeu.
Afinal, tenho alma de vento
e uma boca cheia de gritos.
Ser poeta de faz-de-conta
é apenas instinto de sobrevivência.

© Margarida Piloto Garcia.

( todos os direitos reservados ao abrigo do código do direito de autor)

Foto de Ralph Gibson
 

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Lisboa


8/1 
 Hello friends and Facebook member! 

That in 2016 we managed y es them joys! Exito ... Hug. 

That every day of your life to be happy ...
With peace, love and health! That true and good friends are always on your side ... With the continuation of much happiness ... I wish you success, always! Hug!

Que todos os dias de vossa vida seja feliz... 
Com amor, paz e saúde! Que os verdadeiros e bons amigos estejam sempre ao seu lado ... Com a continuação de muitas felicidades... Desejo-lhe sucesso, sempre! Abraços!

Visit Portuga! 

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Margarida Piloto Garcia . 365

365

365 dias para me fazeres sorrir
para me debruçares na janela e
roeres até ao osso cada segundo de desvaire.
Tantos dias e tão poucos
para juntares às minhas , as tuas asas
e descobrires o voo planado dos que sonham.
Ergo hoje o desejo maior de ser assim,
mulher, deusa, seiva eterna da terra.
Tu és o complemento que me faz ser una.
E nasces cada dia num novo ano
prenhe de vagas estelares.

© Margarida Piloto Garcia.

( todos os direitos reservados ao abrigo do código do direito de autor)

Imagem de Gosia Janik
 

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

margarida piloto garcia - recusa



Recusa

O corpo recusou-se a morrer
numa indecente paixão sem arrependimentos
Num esforço atrevido
negou-se a enterrar as flores da pele
e os frutos das lutas famintas
que corriam sempre como rios
nas latitudes e longitudes das camas gemedoras
Disse não ao terror nas veias
que os outros lhe deixavam nas palavras
e aos abraços feitos de tendões frios
a virarem-na ao contrário
Decepou os oráculos
e atreveu-se a amassar as sombras que a tolhiam
estrangulando os medos
alinhavados nos nomes que não queria pronunciar
Rasgou a dor que respirava
e soltou o canto eterno mas secreto
Sem pudor atirou o corpo contra o outro
num passo de dança rasgado e febril.
Depois... dissolveu-se às camadas
palmo a palmo, no palato inquieto de uma boca
e no abismo assanhado de outra pele.

© Margarida Piloto Garcia.

( todos os direitos reservados ao abrigo do código do direito de autor)

Foto de Olga Mest
 


segunda-feira, 24 de novembro de 2014

maria joão de sousa - DA NECESSIDADE DAS PALAVRAS RIMADAS




DA NECESSIDADE DAS PALAVRAS RIMADAS

(Soneto em decassílabo heróico)

Não fui eu, camarada, não fui eu!
Foi esta profusão de letras soltas
Que chegou até mim, que deu mil voltas
E, sem que eu saiba como... aconteceu!

Ou foi deste vazio que em mim cresceu,
Que nasceram, sem pai, nem berço ou escoltas,
E se acenderam, tal como as revoltas,
Negando a própria mãe que as concebeu...

Se, num dado momento, me acontecem,
E como os fios da estopa se entretecem
Sem precisão de engenho e fuso ou roca,

São justas, nunca pedem nada em troca,
Precisas, como pão que me encha a boca,
Tão úteis quanto as mãos que a vós se of`recem...


Maria João Brito de Sousa – 24.11.2014 – 13.27h
 



sexta-feira, 21 de novembro de 2014

sílvia mendonça - coreografia




COREOGRAFIA...
Por Silvia Mendonça.

no palco da noite
no bailado de corpos
no cenário de sombras
esculpidas em nus
tu danças as mãos
descreves contornos
na minha nudez
eu sou dimensão
danço em teu espaço
despida do cansaço
eternos desejos
volúpia
harmonia
vontade
ao longo de ti
tateio caminhos
no trajeto da boca
e danço contigo
e esqueço a memória
eu sou o teu sangue
na mesma saliva
no mesmo suor
bailamos amantes
gozamos coreografia

[Foto: Joanna Wilińska for Schon Magazine]

[Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (Autora). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.]