Viva a Vida !

Este blog destina-se aos meus amigos e conhecidos assim como aos visitantes que nele queiram colaborar..... «Olá, Diga Bom Dia com Alegria, Boa Tarde, sem Alarde, Boa Noite, sem Açoite ! E Viva a Vida, com Humor / Amor, Alegria e Fantasia» ! Ah ! E não esquecer alguns trocos para os gastos (Victor Nogueira) ..... «Nada do que é humano me é estranho» (Terêncio)....«Aprender, Aprender Sempre !» (Lenine)
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quinta-feira, 17 de março de 2016

HOMENAGEM DE APOIO À MARIA JOÃO - ALMAS GÉMEAS


O Albertino Galvão tomou a iniciativa, propôs-me e eu concordei, de mandar fazer uma edição de 50 livros, pagos por nós dois, em nome da nossa amiga poetisa e participante do HP, Maria João Brito de Sousa.

Essa atitude teve dois propósitos:
- homenagear a que é, sem dúvida, uma das maiores poetisas portuguesas de todos os tempos

- proporcionar-lhe algum conforto, entregando-lhe em mãos a receita TOTAL da venda dos livros, sabendo como é a sua vida, a que nada ajuda uma grande falta de saúde, que se vem agravando ano após ano. (Aliás, somos da opinião que já deveria ter sido ajudada por alguma entidade oficial, mas, já que isso não aconteceu, vamos ser nós - os que puderem - a prestar-lhe algum apoio.)

O livro tem por título ALMAS GÉMEAS (vamos colocar a capa no item FOTOS no HP), e é composto por duas partes:
- Dialogando com Florbela (dois sonetos da Florbela/dois da Maria João)
- Glosando Florbela (30 sonetos da Florbela/30 sonetos da Maria João, glosando aqueles)
- tem 74 páginas
- podia ser algo mais barato, mas atendendo à finalidade exposta acima, o preço será de 8 euros (+1 euro de portes para Portugal e + 2 euros de portes para outros países)

O dinheiro da venda será centralizado na minha conta, de IBAN PT50 0033 0000 500 884 32 328 05 e será entregue na TOTALIDADE, (como já disse acima) à Maria João, quando já houver um número de livros vendidos que o justifique.

Nota: mandaremos fazer outra edição, se a venda desta tiver o êxito que esperamos e se virmos que há pedidos que a justifiquem. O que esperamos que aconteça.
Vamos dar alguma alegria à nossa Maria João!
Ontem mandei-lhe um exemplar e ela, obviamente, não sabia nada do que estava a passar-se.

Mantive-me em contacto com ela esta manhã através do chat do HP, dizendo-lhe que espreitasse a caixa de correio, pois iria ter lá uma surpresa. Telefonei-lhe cerca das 11,20h e desceu pela 5ª vez ao rés do chão, onde finalmente já estava o livrinho.

Ficou sem palavras, pela emoção que teve.
Abraços para todos.

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

maria joão de sousa - acreditar


XXVIII JOGOS FLORAIS - AURPICAS 2014

(Soneto não premiado)

ACREDITAR

Em que acreditas tu, que não te ergueste
Assim que as labaredas te assolaram
E nelas te lançaste e te perdeste
No mar de fogo que outros te atearam?

E porque não crerás, se assim colheste
O muito que os demais lá semearam,
Na terra e no folhelho em que acendeste
O lume em que essas chamas te queimaram?

Terás, ao menos, visto que sobraram,
Dos sonhos que sonhaste e não viveste,
Sementes, que as fagulhas nem tocaram

Na raiz desse tanto que escondeste,
Inteiras, porque a terra perfuraram,
Que brotaram de ti, quando em ti creste?


Maria da Vírgula (pseudónimo)


Maria João Brito de Sousa


  • Victor Barroso Nogueira um soneto ao jeito de 

    eugénio de andrade / as mãos

  • Que tristeza tao inútil essas mãos
    que nem sequer são flores
    que se dêem:
    abertas são apenas abandono,
    fechadas são pálpebras imensas
    carregadas de sono.
    Pela noite adiante, com a morte na algibeira,
    cada homem procura um rio para dormir,
    e com os pés na lua ou num grão de areia
    enrola-se no sono que lhe quer fugir.
    Cada sonho morre às mãos doutro sonho.
    Dez-reis de amor foram gastos a esperar.
    O céu que nos promete um anjo bêbado
    é um colchão sujo num quinto andar.

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

maria joão de sousa - DA NECESSIDADE DAS PALAVRAS RIMADAS




DA NECESSIDADE DAS PALAVRAS RIMADAS

(Soneto em decassílabo heróico)

Não fui eu, camarada, não fui eu!
Foi esta profusão de letras soltas
Que chegou até mim, que deu mil voltas
E, sem que eu saiba como... aconteceu!

Ou foi deste vazio que em mim cresceu,
Que nasceram, sem pai, nem berço ou escoltas,
E se acenderam, tal como as revoltas,
Negando a própria mãe que as concebeu...

Se, num dado momento, me acontecem,
E como os fios da estopa se entretecem
Sem precisão de engenho e fuso ou roca,

São justas, nunca pedem nada em troca,
Precisas, como pão que me encha a boca,
Tão úteis quanto as mãos que a vós se of`recem...


Maria João Brito de Sousa – 24.11.2014 – 13.27h
 



sábado, 15 de novembro de 2014

maria joão de sousa - janelas (in memoriam de José Casanova)

*


JANELAS

Ressoam mil palavras que iluminam
Silêncios das janelas apagadas
Que vão mostrando, ainda que caladas,
O tanto que as vidraças nos ensinam

E, sempre que as janelas nos dominam,
Ficam, dentro de nós, perpetuadas,
Palavras – tantas mil! - das que, adiadas,
Não puderam ser ditas, mas fascinam

Como coisas antigas, revividas,
Que, assim que vislumbradas, decididas,
Repetem, sem falhar; - Nós ficaremos!

Janelas, quais palavras repetidas,
Que doem, mas jamais serão traídas,
Abertas sobre quem não mais veremos...

Maria João Brito de Sousa – 15.11.2014 – 23.22h

Ao Zé Casanova.

Ao Zé, in memoriam
 

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

maria joão de sousa - CIDADE SEM SENTIDO(S)

* Maria João de Sousa


Se a Cidade contasse os segredos
Das janelas fechadas dos dias
Quantos rostos e mãos não verias
Nas cortinas já gastas dos medos,
Quantos corpos em estranhos folguedos,
Quantas camas desfeitas, já frias,
Quantas mesas de pinho vazias
De uns pedaços de pão, mesmo azêdos?
Se a Cidade pudesse falar
E se erguida do chão, a gritar,
Rebentasse em protesto incontido
Levantando o seu punho no ar...
[... ah, Cidade que eu tento inventar,
nem eu própria sei dar-te um sentido!]


Maria João Brito de Sousa - 05.10.2011 - 15.03h

maria joão de sousa - ONDE MAIS NOS DÓI...

* Maria João de Sousa


Onde mais nos dói

é na ferida aberta

pelo momento em que a ceia,

travestida de doçura,

se nos derrama sobre a pele nua

e os olhos da lucidez se nos estendem

até ao inesperado veneno

de um cálice que ousáramos afastar…



Alguns de nós terão sobrevivido

e permanecido ainda que domesticados,

comprados, vendidos, usados, castrados,

programados, manipulados… mas gratos,



na montra (in)comum da exposição banal,

conveniente e pateticamente gratos!





… porque nem tudo o que luz é ouro

e nem tudo o que alimenta é digerível,

muitos terão morrido, tantos terão lutado



e,



um dia,

todos teremos conquistado

o direito a recusar a exibição

de um estatuto gravado a fogo

sobre a carne viva da sobrevivência





Maria João Brito de Sousa – 01.11.2013 – 18.40h

Maria João de Sousa - “PR`A NÃO FICAR DIVIDIDO...”

XXII JOGOS FLORAIS DO OUTONO – MONFORTE, 2014

Poesia Obrigada a Mote

MOTE

Minha mãe me queria bem,
Do meu pai tinha carinho,
Pr`a no mundo ser alguém,
Sou dos dois um bocadinho.

Júlio António

Glosa

“PR`A NÃO FICAR DIVIDIDO...”

Baixa, morena e franzina,
como dizem que convém,
nunca me olhou com desdém,
fez de mim “sua menina”
e nem supôs “ler-me a sina”
ao dizer; “Talento, tem!
Faz versos como ninguém
e até a mim mos ensina,
esta minha pequenina!”;
Minha mãe me queria bem”,

Alto e bom trabalhador,
apreciava um bom vinho,
preferindo estar sozinho
com livros ao seu redor,
mas tinha-me tanto amor
que me chamava, baixinho,
só pr`a dar-me o seu beijinho
que me sabia melhor
do que as “coisas de valor”;
“Do meu pai, tinha carinho”

Por saber valer a pena
ter escutado minha mãe,
escrevi, desenhei também,
senti-me, às vezes, pequena,
quase frágil açucena,
mas lá fui crescendo bem
porquanto a escrita sustém
e, servindo-me de empena,
garantiu-me a força plena
“Pr`a no mundo ser alguém”

E por meu pai, muito querido,
quando à noite, de mansinho,
regressava à casa-ninho
exausto e quase rendido,
mas jamais tendo esquecido
o tal beijo ao seu filhinho
que já estava deitadinho
no seu berço, adormecido...
Pr`a não ficar dividido,
“Sou dos dois um bocadinho”!

Adriana Só (pseudónimo)

Maria João Brito de Sousa

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Maria João de Sousa - AS TEIAS QUE O LUAR TECE

* Maria João de Sousa



Nas teias que o luar tece
Por cima dos pinheirais,
Vez por outra me acontece
Ver longe e ver muito mais,
Mas, de quanto me aparece,
Nunca vi – nunca, jamais! –,
Nessas visões que ele m`oferece,
Razões que fossem normais…

Vi segredos bem guardados
De vontades por escrever
Atrás de mil cadeados
Qu`inda estão por conceber
Nos traços desencontrados
De enigmas por resolver,
Tão estranhamente esboçados
Que eu nunca pude entender
Por que me foram mostrados
Se não pedira pr`ós ver…

Vi, nessas teias benditas
Que o luar teceu pr`a mim,
As mil coisas nunca escritas
Por mãos que fossem assim…

Vi verdades, nessas teias
Que o luar me quis mostrar
E, depois de as ler, deixei-as
Pr`alguém que as soubesse achar…

Vi letras de prata pura
Descrevendo esses pinheiros
Com a toda a casta ternura
Dos seus rebentos primeiros…

Vi a vida que começa
No recomeço da vida!
Vi puzzles, peça por peça,
Sem me apressar na partida
E, como alguém que tropeça
Em causa desconhecida,
Vi tudo a crescer sem pressa
Ou foi-me a vista traída
Tal qual fosse apenas essa
A razão de eu estar perdida,
Sem certezas nem promessa
De encontrar uma saída…

Nas teias que o luar tece
À noite, nos pinheirais,
Vez por outra me acontece
Ver longe e ver muito mais,
Mas, de quanto me aparece,
Não pude encontrar, jamais,
Nessas visões que fornece,
Questões que fossem banais…



Maria João Brito de Sousa – 04.04.2012 – 23.13h
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maria joão de sousa - QUANDO O LUAR BEIJA A PLANURA


Gustav Klimt - O Beijo


XXII JOGOSFLORAIS DE OUTONO – MONFORTE, 2014

SONETO


QUANDO O LUAR BEIJA A PLANURA




Lançado o véu de prata, o suave manto
Com que este chão se cobre ao sol poente,
Cada palmo de mundo,à nossa frente,
Ganha ideada forma ou traz quebranto,

Porquanto delineia,em cada canto,
Um halo indefinível,mas dif`rente
Que, por igual,cobrindo coisa e gente,
Sobre todos lançou profundo encanto;

Gerada a mutação,dá-se a magia
Impondo uma visão que, com mestria,
Me deixa embriagada de ternura,

Mas tudo se extrapola e... quanto via
Era o luar beijando,ao fim do dia,
O desnudado corpo da planura...



Ana Fauna Flora (pseudónimo)


Maria João Brito de Sousa

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Maria João de Sousa - Laranjas


* Maria João de Sousa


LARANJAS

Venho trazer-te oitavas de laranja,
Dizer-te boa noite e bom descanso,
Desejar-te, sincera, um sono manso
Enquanto aqui vou estando a pão e canja...

Hoje venho deixar-te o verbo em franja
Na fronte de um poema onde eu balanço
E oferecer-te, nisto, o mais que alcanço,
Porque além deste “mais”, nada se arranja...

Para ti escrevo agora, só sentindo,
Adivinhando, quase, ou permitindo
A mutação do gesto em sombra alada

Que faço esvoaçar, reconstruindo
Palavras que disseste e fui fruindo
Até darem laranjas, camarada...

Maria João Brito de Sousa – 05.11.2014- 21.39h
 — 

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Maria João de Sousa - (CON)TRASTE - Seis décimas para desafiar a mo(r)te sem glosar mote algum

8 de Novembro de 2013 às 15:14

Voz do comando final
Destoutra rebelião,
Mesmo que eu diga que não,
Que te erga o punho e proteste
Negando que aqui vieste
Sem bater, nem dar sinal,
Pôr fim, a bem ou a mal,
A quanto sobre à função
De ir conjugando alma e mão
Em versos que me não deste
E, decerto, não escreveste,
Mas nos quais deixaste o sal,

De nada me servirá,
Mas… que fazer, se esta vida
Me pede pr`a ser vivida
Toda do lado de cá?
Sei que, nem boa, nem má,
Esse teu ciclo cumprindo,
Não te orgulhas de ter vindo
E, à força de tão cumprida,
Tanto te faz que eu decida
Dizer que de ti prescindo…

Alguns chamam-te destino,
Eu, muito pelo contrário,
Dar-te-ei, de modo vário,
Um nome menos latino,
Mais simples, mais pequenino,
Em jeito de desafio
Pois, já que morro de frio,
De ti cobro o estranho erário
De mudar-te o corolário
Nas contas que aqui desfio!

Aqui deixo, à revelia
Da vontade que nem tens,
Como se escólio de bens,
O nome que me ocorreu
Pois, nem inferno, nem céu,
Antes sal de humana origem,
Me surge em estranha vertigem
Num verso a que não convéns
Já que terminá-lo vens
Quando o sei ser muito meu,  

Ponto final que resultas
De um percurso acidentado,
Circunstância, tempo errado,
Poder no qual nunca exultas,
(Sei que as pessoas mais… “cultas”
criticarão quanto digo,
mas, “isto” nasceu comigo
e trago-o tão bem pensado,
tão sentido e tão estudado,
que ouso e desdenho um tal p`rigo!)

Coisa comum que magoas,
Banalidade inclemente
Que arrebatas são, doente,
Gentes mesquinhas e boas,
Que, num segundo, atordoas
E noutro te retiraste
De quanta dor cá deixaste,
Só sei que fico contente
Por saber fazer-te frente
Quando te chamo “(con)traste”!



Maria João Brito de Sousa – 08.11.2013 – 14.31
La femme qui peint l`enfant eternell - Maria João Brito de Sousa - 2006
La femme qui peint l`enfant eternell - Maria João Brito de Sousa - 2006


  • Victor Nogueira Não há vagares na leitura do sexteto na clave com que o compuseste pois a correnteza das palavras depressa nos conduz ao climax, obrigando a retornar ao início. E gostei tb da foto que de repente me pareceu uma iluminura "aggiornata"



    • Maria João De Sousa Agradeço-te e confesso-te que... espera... aggiornata... intemporal?
    • Victor Nogueira refiro-me à iluminura, à forma, contrastando com a "correnteza" do rio das palavras, que expressam realidades e vivências de todos os tempos e lugares. Aliás, na minha percepção/conjugação de váras ilustrações, a iluminura ligar-se-ia às cantigas de amigo ou de escárnio e maldizer, e as décimas à pintura naif. E tu subverteste estas minhas "ligações", um pouco como eu faço nos meus rimances ou nalguns sonetos.

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Maria João de Sousa - quadra de chuva



Chove tão intensamente
que a poeira dos caminhos
vem colar-se aos pés da gente
suja a casa dos vizinhos