Viva a Vida !

Este blog destina-se aos meus amigos e conhecidos assim como aos visitantes que nele queiram colaborar..... «Olá, Diga Bom Dia com Alegria, Boa Tarde, sem Alarde, Boa Noite, sem Açoite ! E Viva a Vida, com Humor / Amor, Alegria e Fantasia» ! Ah ! E não esquecer alguns trocos para os gastos (Victor Nogueira) ..... «Nada do que é humano me é estranho» (Terêncio)....«Aprender, Aprender Sempre !» (Lenine)
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sábado, 24 de agosto de 2013

Alô meu amigo.

Alô meu amigo. De regresso a Lisboa passo pelo teu canto para pedir desculpa pela falta de feedback. Férias em família. Um abraço grande.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Clara Esteves - Poema para um amigo triste

13 de Junho de 2013 às 0:51
Poema para um amigo triste


Quando tudo parece negro à sua volta
Em que mar azul ou verdes campos
Mergulha o parco sentido da sua vida?
Sempre névoa, noites ulceradas, sonhos em embrião,
Sem sentido de nada assim definha.
Nem choro nem raiva: vida seca, palavras cinza
Penteando histórias alheias até à exaustão do mundo..
Na Ilha ( mar do seu desejo) uma chuva silenciosa, permanente, cansativa,
E na poeira verde dos campos cabem mil séculos de memórias espezinhadas.
Navegante da terra e do sonhar,
Rasteja para a morte cansado de fugazes venturas
Esperança caindo a pique, trazendo fantasmas e agruras.
Entre a terra que cegamente pisa
E a terra a mulher e o mar que as garras do desejo anseiam,
Um sopro de luto.
Mede a lonjura a palmo e a água a dedais de dor.
Abraça a labareda da luz num vaivém sem princípio nem fim
Mas ainda acalenta a esperança no silêncio de cada imagem que adivinha,
Lhe entra pela noite e inunda o quarto de sonhos e frutos que cheiram a pomar.
Um jardim de horas mortas entra no seu corpo e irradia um esplendor a vida.
É a linha da felicidade, a luz que falta nos seus olhos, a sua mão em outra mão.
A dor vai encolher e exalta dentro de si a ternura dos poetas….

Quero rosas brancas e uma infinda alegria!


Clara Roque Esteves ( 2013)



sexta-feira, 7 de junho de 2013

Clara Esteves - Esta saga

7 de Junho de 2013 às 19:34


Esta saga escava-me o sossego.

Urge mudar o rumo que apunhala o sol à nascença.

Lá fora a chuva molha vales, planícies e as minhas cidades.

Escorre-me o suor da paciência

E registo, sem curiosidade, um revólver a pilhas que só eu uso

E me faz nas mãos um insuportável ruído.

O que sobra é a névoa, é o vento, é a espera a que me entrego e me dou inteira.

Sinto-me rebaixada, reservada nas palavras e

Enquanto os pássaros se cruzam levando a espera do tempo

Há uma conclusão por cumprir.

Mas uma vez mais só escrevemos na areia.




Clara RoqueEsteves  (Lisboa, 07 de junho de 2013)
***


  • Victor Nogueira Vim enquanto as palavras se não perdem na areia neste poema pessoano, mais própriamente, de Campos, o Álvaro, não no campo mas na praia ! Bjos, Clara 

domingo, 2 de junho de 2013

Clara Esteves - Já não me interessa, é inútil!

2 de Junho de 2013 às 3:43
Já não me interessa de todo o que dizem as estátuas do poder
Mas admito que gosto da ideia de ter de ir aos CTTs ao Brasil.
Não acredito em milagres nem me impressionam as palavras
Ou os dentes com que me mordem o ordenado.
Vejo, claramente, que na Europa a morte amadurece.
Por aqui, este cenário de ópera bufa, pouco transparente,
Também já não me deixa petrificada.
Novos e velhos, em sobressalto, consumidos vagarosamente,
Ficam ou “saltam”, e eu, completa e fechada
Relembro de novo o perfume sensual dos poetas.
E confesso um enorme desejo:
Mandar para o lixo ou à merda os inúmeros números compactos
Com que tentam amassar-me a alma.
Agora é inútil!
No meu espaço já não há espaço para sermões em particulas ou duodécimos.
Não mais serei infeliz por eles
E olho de costas os dias que perdi empurrando o sono
E puxando a vida por um fio.
Nem flagelada nem lazarenta.
É inútil tentarem crucificar-me. O meu negócio é igual à saída do ébrio:
Esqueço estes publicitários e estendo-me no tapete a rir, a rir, a rir...
Dizem que gastámos muito?
Pois bem, vou gastar ainda mais... desta vez em rolhas de cortiça.

Barreiro, 2 de Junho de 2013
imagem de Eduardo Martins
imagem de Eduardo Martins


  • Carlos Rodrigues Sarcastíssima Clarinha / Trouxeste uma massinha de não te rales / em vez de faca para o corpo dos lacraus / Uau, uau, Madressilva abriu / a época da caça às rolhas de cortiça / Chiça, chiça, etílico efluente / ea Opera bufa assim combatida / com a textura de uma bebida / merda, merda, bagaço amargurado / no fundo estás certa / de uma forma errada / porque esse Poema / de rabo ao léu, à Portuguesa / não é teu Clarinha / Não és tu Clarinha / É da tristeza da Arte que se aparta / Do que mais importa / Enquanto os lacraus te sobem pelas veias / Aqui não há garrafas meias / ou bebes tudo ou arreias. Beijinhos.
    5/6 às 17:28 · Gosto · 1
  • Clara Roque Esteves (Carlinhos) Carlos Rodrigues, conheces-me demasiado bem. Verdade que estou a ser cínica mas muito farta destes trambolhos que só nos dão preocupações. Mas fica sabendo que me estou a defender ouvindo-os cada vez menos. A tarefa tem de ser mesmo nossa. DEMISSÃO! Peguemos na sugestão daPaula Borges Palmeira e vamos escrever um livro de crónicas com os nossos pontos de vista. Um sucesso!!! Xiis para ti e Lourdes.
    5/6 às 21:15 · Gosto · 1
  • Carlos Rodrigues Clarinha o Olivro do descontentamento e o Inverno do dito já outros escreveram, hoje só se fosse o Livro da Agonia, quanto a Crónicos e Cronistas já há por aí uma inflação deles. Os meus pontos de vista inscrevo-os aqui ou em qualquer outro lado, directo e sem lanhesas, também não tapo os ouvidos por via dos compressores da palavra e quanto a jogar à defesa, a melhor defesa é o ataque, até que a voz me lixe. Beijinhos.
    5/6 às 21:23 · Gosto · 1

    • Victor Nogueira A morte não amadurece, apodrece tudo à sua volta, seja em banho-maria, seja de supetão e botas cardadas ou não.

      São aparentemente imutáveis as estátuas que o óxido e a erosão vão transformando. Mortas as estátuas, qual colosso de Rodes, elas existem ou existirão apenas enquanto quem as ergueu as venera ou não, na mutação e renovação constante que a vida em si encerra, como crisálida. ! VIVA A VIDA !

domingo, 26 de maio de 2013

Clara Esteves - O musgo dos olhos


26 de Maio de 2013 às 2:25


Não é miragem,
É o musgo indiferente dos olhos
No silêncio do horizonte
Como aves naufragadas, sem sentido.
Lembra um mar desencabrestado,
Ondas bramindo o sigilo de sentimentos,
Inquietação beliscando faces
Sem usar palavras enérgicas, nem estilhaços,
Só os olhos, ventos enrolados, atiram lufadas de músicas dissonantes.
Sem encenação especial,
Sem indignação ou repulsa,
O poente desce, desce lentamente
Qual rosa a desfolhar-se sangrando em fim de tarde.
Nas janelas hipócritas dos olhos
Um sopro desértico de emoções.
Não há socos prenunciando a noite
Nem a madrugada cicatriza feridas .
Num lívido mar de decepções
Imagens que se evaporam por entre o anúncio luminoso da lua cheia.
Ciente de não mais vagas nem marés,
Suspensa de um tudo – nada,
Recorta o perfil dos olhos,
Enche a boca de morangos
( sumo doce fartando os lábios)
E porque tudo acontece ao mesmo tempo,
Numa dura linha horizontal,
Quando as sombras do estio andam perdidas,
E não se sabe onde encontra-las.
O musgo  dos olhos atravessa o sono exausto.

Clara Roque Esteves ( maio de 2013)

terça-feira, 7 de maio de 2013

Clara Esteves - As nossas primaveras

7 de Maio de 2013 às 1:31


As tuas palavras virão bater-me à porta
Um dia, ao cair da tarde.
A lua ainda não nos molha
Mas os teus passos leves,
Pé ante pé
Chegarão a esta casa
Cheia de tudo, vazia de ti.
O teu olhar, ainda magoado de azul
Percorre as linhas do meu corpo,
Conta em cada traço do meu rosto
Cada ano que passou.
Em cada ruga
Procuras ler as palavras
Que os meus olhos calam
E saborear o mel da minha boca.
Em cada frase que lês
Estou eu e tu em sobressalto
Esquecendo os cães que as nossas mãos alimentaram
E traiçoeiramente nos morderam às escuras.
Estou eu e tu em sobressalto,
Derrubando pontes,
Pacificando os lugares onde nos apartámos vezes sem conta,
Homem e mulher de corações divididos.
Então
Acordaremos deste pesadelo
E deixaremos que a morte passe ao lado.
Eu preciso de ti, tu precisas de mim.

Agora, já, bate-me à porta!
A lua, ainda inacabada,
Já derrama luz no chão da minha rua...

Tu bates-me à porta
A noite acorda e nós
Celebramos as nossas primaveras.

Clara Roque Esteves ( Lisboa, 2007)