Viva a Vida !

Este blog destina-se aos meus amigos e conhecidos assim como aos visitantes que nele queiram colaborar..... «Olá, Diga Bom Dia com Alegria, Boa Tarde, sem Alarde, Boa Noite, sem Açoite ! E Viva a Vida, com Humor / Amor, Alegria e Fantasia» ! Ah ! E não esquecer alguns trocos para os gastos (Victor Nogueira) ..... «Nada do que é humano me é estranho» (Terêncio)....«Aprender, Aprender Sempre !» (Lenine)
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sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Octávio Guedes Coelho - O desembarque...

* Octávio Guedes Coelho

Estava a pensar... que há muitos anos atrás, desembarquei em Luanda, com a cabeça mergulhada em sonhos e o corpo encadernado num bonito fato de boa fazenda, devidamente engravatado, com os sapatos a brilhar de bem engraxados e escovado de alto a baixo.

Logo ali no cais senti-me aliviado quando percebi que estava em terra não muito diferente da deixada 18 dias antes na Gare Marítima de Alcântara. O sentimento inquietante de que havia deixado para trás o próprio mundo, desapareceu como por encanto.

Á minha volta ia toda uma azáfama de gente rindo, gritando, movendo fardos, arrastando malas e embrulhos, em quase tudo idêntica à do cais de Lisboa, embora aqui as cores fossem mais vivas e os odores mais intensos,

As gentes diferentes na raça e na cor da pele, misturavam-se pacificamente, eram alegres, ruidosas, vestiam-se com roupas frescas e tinham um aspecto mais saudável do que o meu, enfarpelado num fato de alpaca, com maneiras de janota lisboeta.

Ainda não tinha saído do cais, não vira nada e já tinha a certeza de que Luanda e as suas gentes eram lindas.

As escalas que tinha feito anteriormente em 3 portos africanos, tinham-me deixado confundido quanto às gentes e costumes, levando-me a duvidar das narrativas da minha avó Teresa, que eu lia e relia vezes sem conta, vendo-me já a andar pelo calor da cidade e a sentir os cheiros desconhecidos de Luanda, tal a intensidade das descrições feitas nas cartas que me escrevia.

Eu queria e estava ansioso por acreditar, mas durante a viágem céptico como o apóstolo: precisava de ver, para depois crer na África que me tinha calhado em sorte. Mas a querida avó Teresa era senhora de palavra e de grande dignidade.

Eu nunca devia ter duvidado!

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Antonio Jorge - A Chuva, a Rapariga e o Cão!

Victor Nogueira partilhou a foto de António Jorge.
A Chuva, a Rapariga e o Cão!

...não deixemos que aconteça ficarmos apenas com direito à água da chuva - lutemos para que a água que sai pelas torneiras, uma dádiva da natureza, alguém a possa privatizar para comercializar e nos submeter à sede por razões económicas e politicas! 

António Jorge - Luanda
Foto: A Chuva, a Rapariga e o Cão!

...não deixemos que aconteça ficarmos apenas com direito à água da chuva - lutemos para que a água que sai pelas torneiras, uma dádiva da natureza, alguém a possa privatizar para comercializar e nos submeter à sede por razões económicas e politicas! 

António Jorge  - Luanda

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

António Jorge - Luanda

Luanda, renovada aqui exposta em algumas imagens actualizadas e o edifício, ainda em fase de acabamento, onde será instalada a Assembleia Nacional da Republica, situado entre a Praia do Bispo e a cidade alta.

António Jorge - Luanda (6 fotos)
Foto: Luanda renovada.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

José Carlos Moutinho - SAÍDA DE LUANDA


Deixo-vos um pequeno trecho do livro que eventualmente, publicarei em breve. É prosa, dando continuidade ao meu muito sucinto, porém intenso livro anterior "Angola do Tejo ao Kwanza".

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SAÍDA DE LUANDA
..."A imagem que se deparava, sobre a cidade era de um estranho e magnifico encantamento. Os raios do sol que ia esmorecendo, na sua descida até à linha do horizonte, cintilavam como feixes de luzes artificiais, sobre a cidade. Na sua lânguida e simultaneamente vibrante vivência, Luanda, chegava ao fim de mais um dia de trabalho, neste entardecer cálido, de cores únicas.

O avião da VARIG que acabara de descolar, levando no seu interior Teresa, José e Carlos, descrevera meia volta sobre a cidade que se estendia lá em baixo, na agitada azáfama do final do dia e tomava agora o seu rumo sobre o mar, proporcionando um espetáculo de total deslumbramento, quando o reflexo do sol sobre o dorso do Atlântico, criou uma imagem de fascínio indizível. Era uma tela Divina, pintada pela graça artística da Natureza. 

A belíssima baía de Luanda, a Fortaleza de S. Miguel, a paradisíaca extensão de areia dourada das praias da ilha de Luanda, que brilhava com a luz solar, perdiam-se na distância. A cidade, que tantas alegrias tinha oferecido aos corações dos três passageiros daquele voo, ficava para trás. "

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Luanda no agoramente

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Baixa de Luanda
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O lixo e a Saúde - o edifício é de um Centro Médico

(foto M. Glória - 2002)
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Bairro do Cazenga

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Baía de Luanda

(em 1º plano, à esquerda, um anúncio da Coca Cola, cuja venda era proíbida em Portugal mas não em Angola)
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Vista nocturna da Marginal e seu reflexo nas águas da baía
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Avenida Marginal, outrora denominada de Paulo Dias de Novais

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Baía de Luanda e Avenida Marginal, vistas talvez da Fortaleza de S. Miguel.

À esquerda um autocarro, que em Luanda se chamavam machimbombos. Pelo que nos primeiros tempos em POrtugal, quando perguntava onde era a paragem do machimbombo, olhavam para mim com ar de espanto ou quando pedia o mata-bicho, tinha logo que traduzir para pequeno almoço

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Avenida Marginal com núvens
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Antigo Liceu Salvador Correia, agora com outro nome, masculino do 1º ao 5º ano, e misto no 6º e 7º anos. Mas fora das aulas havia segregação: as miúdas subiam pela escadaria central, desembocando junto à biblioteca e «museu», virando à esquerda para a varanda do 1º andar do claustro (havia outro à direita). Durante os intervalos os rapazes tinham de zarpar rápidamente do «geniceu», para não levarem com um dia de suspensão. Também quando havia «borlas» (falta de professor) os rapazes podiam sair para a cerca do Liceu, mas as raparigas tinham de ficar na sala da raparigas.
Defronte havia uma rampa, ajardinada, para a cidade baixa.

Com o último reitor, visita da nossa casa como muitos outros professores, pois a minha mãe dava aulas de Física e Química na Escola Industrial, ao tempo denominada de Oliveira Salazar ... Pois dizia eu que após o término das aulas era proibido aos alunos estarem sentados no muro do Liceu ou na berma do passeio. De vez em quando, lá do cimo da escadaria, o reitor anotava o nome do pessoal desobediente e pimba, lá vinha o castigo, salvo erro um dia de suspensão das aulas
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Largo do Baleizão (nome do proprietário) onde se situava a Cervejaria do mesmo nome, que também fabricava sorvetes que eram vendidos pelas ruas em carrinhos empurrados por negros. Baleizão ficou assim a ser o nome para ... sorvete ou gelado, como são conhecidos em Portugal.
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O Bairro dos Coqueiros, onde se situava o estádio de futebol. Creio que o edifício amarelo era do Hotel Paris, que servia também comida para fora, em vários tachos empilhados e seguros por uma armação onde se encaixavam, o de cima com tampa seguro com mola e o de baixo, mais alto, contendo a sopa. Eram designados por «marmitas térmicas», salvo erro.
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Ilha do Cabo
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O que me surpreende nestas fotos, para além do ar de abandono e degradação, é o trânsito caótico e a enorme quantidade de carros, muitos dos quais não me parecem chavecos. Já agora, nas várias análises sobre quem visita os meus blogs, designadamente o Kant_O, Angola situa-se em 4º lugar, logo atrás dos EUA, ambos muito longe de Portugal e do Brasil, e todos os seus «visitantes» estão localizados apenas em Luanda. Ver comentarios à Livraria Lello, no post anterior
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Fotos remetidas por João Coimbra sem identificação do autor, salvo a de M. Glória. Comentários às fotos por Victor Nogueira

Quem espera sempre alcança e nem sempre a curiosidade mata

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Os 4 da vida «airada» ao portão dos Coimbra.
À direita vê-se a casa dos Nogueira da Silva
Na foto, de autor não identificado.
o escriba destas linhas, o João, o meu irmão Zé Luís (que se suicidou alguns anos depois de desmobilizado) e a Estrelinha.
A foto é de 1959 e eu ainda era criança, pois a idade adulta chegava para os rapazes com a autorização paternal da mudança dos suspensórios para cinto e dos calções para calças.
O grupo tinha mais gente, que não ficou nesta foto: o Dinho (que morreu na guerra), o Quim, a Renata, o Pedro, a Leonor (mais metida em casa), o Gil e o Bustorff.
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A vivenda geminada onde residíamos à esquerda
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Foto tirada com telemóvel pelo João à casa onde residia
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Foto tirada com telemóvel pelo João à casa onde residia
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Livraria e Papelaria Lello, que ocupava todo o r/c e onde vendiam os livros retirados do Mercado por ordem da PIDE, que os apreendia, mas que continuavam a ser vendidos ao pessoal de confiança por baixo do balcão. Se a memória me não falha havia duas outras boas livrarias, a Minerva e, salvo erro, a ABC. Noutras terras como em Évora em certas livrarias os livros proibidos eram adquiridos da mesma forma, por baixo do balcão.
Alguém que fosse visto com um livro ou revista ou jornal proibidos era chamado à PIDE para dizer onde tinha sido adquirido, pergunta que não tinha resposta cabal e comprometedora para o livreiro
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Barra do Rio Dande, a Norte de Luanda e para o interior, onde se propõe a construção duma nova capital, de que o João afirma «Esse projecto do brasileiro para mim faz algum sentido, pois fui lá visitar e gostei francamente do que vi, se bem que na época do calor e chuvas seja terrivel o clima».
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Localização da futura capital, se fôr esta a opção que vier a ser tomada. Repare-se no Rio Bengo, que fornecia água a Luanda e que deu origem à expressão
«Quem beber água do Bengo tem de voltar»
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Acrescenta o João ao meu mail anterior que «Tudo o que tu descreves é de facto exactamente o que se vê no "terreno". Incrivel como parece [que alguém] até está por lá a viver!!!»

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Sobre o bairro da Praia do Bispo escreve: «Nos primeiros dias de Junho tirei com o meu telemóvel estas duas fotos à nossa antiga casa Numero Um da Praia do Bispo. só agora consegui fazer o "download" para o computador e aí vai para vocês verem as modificacões, renovacões e melhorias feitas na mesma. Sem dúvida que de todas as casas era a que estava em melhor estado, pois dá a sensacão de ser pertenca de alguma companhia estrangeira.
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E pronto, cá fico aguardando uma reportagem mais completa que o João prometeu enviar
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Norte de Luanda espera pela nova capital angolana
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* ARMANDO RAFAEL
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Opção preferida fica entre Cacuaco e a Barra do Dande
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As autoridades angolanas estão apostadas na construção de uma nova capital para o país. Para já, o projecto não passa disso mesmo, mas Oscar Niemeyer, o arquitecto brasileiro que projectou os edifícios mais emblemáticos de Brasília, já confirmou ter sido sondado pelo Presidente José Eduardo dos Santos para esse efeito.
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Numa entrevista ao jornal britânico The Guardian, Niemeyer, que em Dezembro fará 100 anos, explica, entusiasmado, que já só está espera que Angola lhe diga o que pretende para passar à acção. "O Presidente angolano convidou-me para projectar a nova capital do seu país, que deverá ser quatro vezes maior que Brasília.
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"Já a sua mulher, Vera Niemeyer, mostra-se mais prudente, como as suas declarações à Lusa evidenciaram na terça-feira. "Ele foi sondado há cerca de um mês. Em princípio, está interessado, mas aguardamos que esse convite seja oficializado.
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"Só que em Luanda ninguém parece estar muito à vontade para falar deste projecto. Pelo menos, a título oficial, tendo em conta que a sondagem a Niemeyer foi feita pelo próprio José Eduardo dos Santos, razão pelo qual o DN foi remetido dos assessores do Presidente para o Governo provincial de Luanda ou para o Gabinete de Reconstrução Nacional, dirigido pelo general Hélder Vieira Dias "Kopelipa", que chefia também a Casa Militar presidencial. Sendo certo que este projecto que, segundo Niemeyer, envolve a construção de uma cidade para dois milhões de pessoas, pode levar muitos anos a concretizar. "Se o paralelo fosse Brasília, seriam 16 anos.
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"À margem dos contactos oficiais, o DN apurou, no entanto, que o projecto da nova capital angolana está planeado para o norte de Luanda, numa região que vai do município de Cacuaco à Barra do Dande (ver mapa)."É a melhor opção", confirmou ao DN uma fonte do Governo angolano, aludindo às condições climatéricas e geográficas que favorecem essa localização. Em detrimento da zona Sul, para onde Luanda tem vindo a expandir-se nos últimos anos, através da construção de vários condomínios.
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Ao ponto de muitos angolanos, e não só, aludirem já à Luanda II que estaria a ser edificada nas imediações do Futungo, onde José Eduardo dos Santos vivia até há dois anos, altura em que se mudou para o palácio do antigo governador-geral colonial.
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"Ao contrário da região Norte, onde até nem há muitas pessoas a viver, a zona a sul de Luanda é mais inóspita e árida, duas limitações que só se alteram depois da Barra do Kwanza.
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"Talvez, por isso, o Conselho de Ministro de Angola tenha decidido, entretanto, atribuir a designação de "reserva do Estado" a três blocos de terrenos situados a Norte de Luanda e que, em conjunto, totalizam 187 quilómetros quadrados, como o Semanário Angolense revelou no final de Maio.
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Mas nem todos os terrenos abrangidos se destinam à futura capital. Dois dos três blocos envolvem outros projectos no município de Cacuaco.
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De reserva para a futura capital estão apenas 77 quilómetros quadrados - Lisboa, por exemplo, ocupa uma área de 84,8 quilómetros quadrados - na região do Dande, admitindo-se que a nova cidade pudesse vir a incluir igualmente a construção de um novo porto que possa substituir ou ampliar as infra-estruturas já existentes em Luanda, e que estão a ser objecto de requalificação.
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Mas, como explicou outra fonte angolana ao DN, o planeamento da nova capital de Angola ainda não chegou à fase de projecto. Mesmo que José Eduardo dos Santos já tenha sondado Oscar Niemeyer, rejeitando, ao que tudo indica, um outro projecto que lhe tinha sido anteriormente apresentado por Troufa Real: o da construção de Angólia.
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in Diário de Notícias 2007.08.09
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Se quiser saber mais sobre Oscar Niemeyer, o arquitecto de Brasília, ver no Kant_O o post «Niemeyer: "a política importa mais que a arquitetura" », colocado em 2007.07.25 , retirado de http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=21460, embora o post contenha hiperligações para a sua obra.
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E não se esqueçam de ir ao post anterior, que está imediatamente abaixo :-)

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Que dia é hoje?

* Victor Nogueira
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Bem, hoje é o dia 15 de Agosto. E feriado nacional. Tempo de férias ou de mini-ponte. Ou para passeios à beira-mar, para que uma eventual fescura da brisa marítima afugente este calor húmido, plúmbeo e pegajoso, que se cola ao corpo, tal qual como em Luanda, coberto de gotículas de suor que às tantas escorrem por nós abaixo, de acordo com as leis da gravidade, para além de ensopar a roupa de tal modo que se a torcêssemos encheríamos um alguidar avantajado e, depois de evaporados os liquídos do suor, encontraríamos talvez uns grãozitos de sal, o tal cloreto de sódio de que fala António Gedeão em «Lágrima de Preta».
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Hoje o tema é Luanda. Porquê. Ora ... vamos «dar tempo ao tempo, que a pressa e má conselheira» e «quem muito corre pouco alcança»
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Pois a Vila de S. Paulo de Luanda, minha terra natal, foi fundada em 1575, na Ilha do Cabo, por Paulo Dias de Novais. Essa ilha, território do Rei do Congo, era a sua reserva monetária, pois lá eram apanhadas as conchas cauri que serviam de equivalente geral, isto é, de moeda que permitia avaliar o valor das mercadorias no mercado.
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(ver agora ou mais tarde um artigo em http://kantoximpi.blogspot.com/search?q=cauri )
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Entretanto a povoação foi transferida para um morro de fronte, em 1576, inicialmente chamado de S. Paulo e depois de S. Miguel. Aí, na cidade alta se instalaram os serviços administrativos, as igrejas e as figuras importantes. A parte baixa ficou reservada para a «escumalha», pois Angola era terra de presídio para onde se desterravam os criminosos de Portugal e do Brasil. Um presidiário famoso foi o Zé do Telhado, mas as levas incluíam intelectuais e homens de saber que no Brasil queriam libertá-lo do jugo e da «exploração» dos Portugueses. Para além disso Angola e outros territórios africanos eram reserva para a «colheita» de escravos para as explorações agrícolas e mineiras dos países das Américas (ou Índias Ocidentais) e mesmo do Continente Europeu. Durante muitos anos a povoação denominava-se pois S. Paulo de Luanda, que ganhou foro de cidade em 1605, a mais antiga fundada por europeus a sul do Sahara e na costa ocidental
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De 1641 a 1648 ficou nas mãos dos holandeses, enquanto o Governo Colonial se refugiou num local quase inexpugnável, onde havia uma fortaleza-presídio: Massangano. Deste modo os holandeses, ou a Companha Holandesa das Indias Ocidentais, assenhoram-se do comércio de escravos que, fazendo falta aos fazendeiros do Brasil, tentaram armar várias esquadras, a última delas capitaneada pelo branco «brasileiro» Salvador Correia de Sá e Benevides.
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Face à recusa de rendição dos holandeses, parte dos quais na altura em Massangano para tentar conquistar aquele «foco» de resistência portuguesa, as forças «brasileiras» reconquistaram a Fortaleza de S. Miguel, colocando a colónia e o comércio de escravos novamente nas mãos dos portugueses, na altura mais preocupados com a Guerra da Independência após o domínio dos castelhanos de 1580 a 164o, no território europeu.
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Perguntarão agora os meus leitores a que propósito vem este arrazoado se este espaço é para «obra» de outrem. Calma, pois dando novamente a palavra à proverbial sabedoria popular, «devagar se vai ao longe» e «as cadelas apressadas parem cães cegos», embora não se deva «deixar para amanhã o que se deve ou pode fazer hoje».
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O assalto à fortaleza de S. Miguel iniciou-se a 15 deAgosto, dia da Assunção da mãe de Cristo aos céus, pelo que desde então esse dia, considerado como o da Reconquista de Angola, passou a ser Feriado Municipal. E a cidade ganhou uma nova denominação: S. Paulo da Assunção de Luanda, embora fosse correntemente designada apenas por este último nome até 11 de Novembro de 1975, data em que retomou o nome gentílico de Luanda.
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Aqui termina a minha historia, para dar lugar ao João Coimbra que, com a irmã Estrela, vizinhos de casa do lado na Praia do Bispo, são neste momento os meus amigos mais antigos, cerca de 40 anos, apesar da distância que nos separa.
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Pois o João um dia destes enviou-me dois mail com fotos de Luanda e com elas inicio a Colaboração de Outrem neste blog.
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No Kant_O, para quem quiser, no marcador Luanda encontra textos sobre a cidade, de várias autorias (Pode também procurar atendendo às datas de publicação):
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Uma outra Luanda - antes e agora ou o impossível retorno (VN - 2007.05.29)
Luanda (VN - 2007.o5.27)
Raizes - poema (VN 2007.05.09)
Fados do Tempo da Outra Senhora (37) (poesia de vários autores Angolanos - 2007.05.09)Fados do Tempo da Outra Senhora (36) (poema Quitandeira, de António Cardoso - 2007.05.09)
S. Paulo de Luanda no século XIX - Two Trips to Gorilla Land and the Cataracts of the Congo (Richard F. Burton - 2007.01.30)

Sobre a reconstrução de Luanda ou a criação duma nova capital de raiz ver:
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que se pretende entregar ao arquitecto brasileiro Óscar Niemeyer.
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Outros temas:
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Breve História de Luanda :
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Recuperação de colónias portuguesas depois da Restauração:
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http://pt.wikipedia.org/wiki/Recupera%C3%A7%C3%A3o_de_col%C3%B3nias_portuguesas_depois_da_Restaura%C3%A7%C3%A3o
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Guerra Luso-Neerlandesa:
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Noutra linha, mais «religiosa»:
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Findos os entretanto, vamos aos finalmente no próximo post. Então até já !