Viva a Vida !

Este blog destina-se aos meus amigos e conhecidos assim como aos visitantes que nele queiram colaborar..... «Olá, Diga Bom Dia com Alegria, Boa Tarde, sem Alarde, Boa Noite, sem Açoite ! E Viva a Vida, com Humor / Amor, Alegria e Fantasia» ! Ah ! E não esquecer alguns trocos para os gastos (Victor Nogueira) ..... «Nada do que é humano me é estranho» (Terêncio)....«Aprender, Aprender Sempre !» (Lenine)
Mostrar mensagens com a etiqueta Ana Wiesenberger. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Ana Wiesenberger. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Ana Wiesenberger - Quero trazer a poesia para a rua

Quero trazer a poesia para a rua
Vê-la descalça a pisar
A terra e as pedras
Sem medo de assumir
A sujidade dos dias

Quero poemas com cheiro e ruído
Que nos acompanhem pela casa
Sem pejo de ir à casa de banho
Quando é preciso

Quero as palavras fumegantes
Directamente recebidas dos tachos e das panelas
Ao lume
Com sons de óleo a crepitar na frigideira
E do molho que o esquecimento
Já queimou

Quero as letras desossadas e indecisas
A agruparem-se umas com as outras
Num acaso feito de desperdício
No balde do lixo

Quero servi-las à mesa do desconforto
Do fim do dia
E regar-lhes o cansaço
Com bom vinho

Quero acariciá-las, já desfeitas
Na cinza do cinzeiro
E depois, levá-las para a cama do desejo
E transformá-las em almofadas fofas de sonhos

E quando acordar de noite
Sobressaltada pelos pesadelos
Quero que elas me abracem
E me renovem
O sentir da realidade

E quando o meu dia de partida
Chegar
Amortalhem-me com folhas de dicionário
E abecedários lúdicos, desses que se compram
Para as crianças
Quero continuar a brincar com as palavras
No jardim do Além
E, talvez, eu até convença Deus
A tornar-se um poeta


Ana Wiesenberger (in Dias Incompletos)

Foto: Quero trazer a poesia para a rua
Vê-la descalça a pisar 
A terra e as pedras
Sem medo de assumir
A sujidade dos dias

Quero poemas com cheiro e ruído
Que nos acompanhem pela casa
Sem pejo de ir à casa de banho
Quando é preciso

Quero as palavras fumegantes
Directamente recebidas dos tachos e das panelas
Ao lume
Com sons de óleo a crepitar na frigideira
E do molho que o esquecimento
Já queimou

Quero as letras desossadas e indecisas
A agruparem-se umas com as outras
Num acaso feito de desperdício
No balde do lixo

Quero servi-las à mesa do desconforto
Do fim do dia
E regar-lhes o cansaço
Com bom vinho

Quero acariciá-las, já desfeitas
Na cinza do cinzeiro
E depois, levá-las para a cama do desejo
E transformá-las em almofadas fofas de sonhos

E quando acordar de noite
Sobressaltada pelos pesadelos
Quero que elas me abracem
E me renovem
O sentir da realidade

E quando o meu dia de partida 
Chegar
Amortalhem-me com folhas de dicionário
E abecedários lúdicos, desses que se compram
Para as crianças
Quero continuar a brincar com as palavras
No jardim do Além
E, talvez, eu até convença Deus
A tornar-se um poeta


Ana Wiesenberger (in Dias Incompletos)

Imagem - Alexandr Dolgikh
Imagem - Alexandr Dolgikh 
 



Victor Nogueira o fogo e a cor das palavras, azuis ou em labareda ! Bjos, Ana Wiesenberger

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Ana Wiesenberger blog quero trazer a poesia para a rua


http://querotrazerapoesiaparaarua.blogs.sapo.pt/494.html

Convite para uma visita ao meu blogue. Boa semana! Beijinho.



querotrazerapoesiaparaarua.blogs.sapo.pt
Quero trazer a poesia para a ruaVê-la descalça a pisarA terra e as pedrasSem medo de assumirA sujidade dos dias Quero poemas com cheiro e ruídoQue nos acompanhem pela casaSem pejo de ir à casa de banhoQuando é precisoQuero as palavras fumegantesDirectament...
**

Quarta-feira, 05.09.12

Quero Trazer A Poesia Para A Rua

Alexandr Dolgikh

Quero trazer a poesia para a rua
Vê-la descalça a pisar
A terra e as pedras
Sem medo de assumir
A sujidade dos dias

Quero poemas com cheiro e ruído
Que nos acompanhem pela casa
Sem pejo de ir à casa de banho
Quando é preciso

Quero as palavras fumegantes
Directamente recebidas dos tachos e das panelas
Ao lume
Com sons do óleo a crepitar na frigideira
E do molho que o esquecimento
Já queimou

Quero as letras desossadas e indecisas
A agruparem-se umas com as outras
Num acaso feito de desperdício
No balde do lixo

Quero servi-las à mesa do desconforto
Do fim do dia
E regar-lhes o cansaço
Com bom vinho

Quero acariciá-las, já desfeitas
Na cinza do cinzeiro
E depois, levá-las para a cama do desejo
E transformá-las em almofadas fofas de sonhos

E quando acordar de noite,
Sobressaltada pelos pesadelos
Quero que elas me abracem
E me renovem
O sentir da realidade

E quando, o meu dia de partida,
Chegar
Amortalhem-me com folhas de dicionário
E abecedários lúdicos, desses que se compram
Para as crianças

Quero continuar a brincar com as palavras
No jardim do Além
E, talvez, eu até convença Deus
A tornar-se um poeta

Ana Wiesenberger (in Dias Incompletos)

http://querotrazerapoesiaparaarua.blogs.sapo.pt/494.html

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Ana Wiesenberger - Na Minha Vida Deixei-me Abraçar

querotrazerapoesiaparaarua



Sexta-feira, 23.08.13

Imagem - Pedro César Teles

Na minha vida deixei-me abraçar
Por patas e páginas
Cães, Gatos
Livros, jornais, revistas
Cadernos meus em que mergulhei
Emoções
Em que tentei encadernar a minha solidão
Endémica

Houve sempre mãos a quererem-me tocar
E eu a querer ser tocada
Aprisionada na torre do meu ser
Sem me conseguir libertar
Sem me conseguir dar
A ninguém

Todavia, sinto com tanto fervor
O Colectivo; as vozes feitas de terra
Sangue e Dor
Os desprotegidos, os segregados
Pela amoralidade dos sistemas
Pela indiferença confortável
Dos que juraram viver bem
Num quadrado bem definido
De presunção e concepções estreitas
Fechadas à dinâmica do crescimento
Da elevação do percurso humano

Na minha vida, restam-me as palavras
Para chegar aos outros e a mim
E às vezes, quando o sol se põe
E a noite me enlaça numa exteriorização
Da minha amargura, da minha escuridão
Olho o céu através da cortina das minhas lágrimas
E procuro nas estrelas longínquas
Todas as vozes e os cheiros amigos
Que já se apartaram de mim

Ana Wiesenberger
20-08-2013

Imagem - Pedro César Teles