Viva a Vida !

Este blog destina-se aos meus amigos e conhecidos assim como aos visitantes que nele queiram colaborar..... «Olá, Diga Bom Dia com Alegria, Boa Tarde, sem Alarde, Boa Noite, sem Açoite ! E Viva a Vida, com Humor / Amor, Alegria e Fantasia» ! Ah ! E não esquecer alguns trocos para os gastos (Victor Nogueira) ..... «Nada do que é humano me é estranho» (Terêncio)....«Aprender, Aprender Sempre !» (Lenine)
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quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Judite Faquinha- Avante

* Judite Faquinha

Era ainda pequenina Bem rebelde e traquina Vi um jornal pequenino
Era sim, bem pequenino Bebi cada palavra, do JORNALINHO Ensinou-me a ser o que sou!
Ideais, princípios de valor O li, quase de cor Orgulhosa de o ter para ler
Chamava o povo á realidade Apelava á unidade Praticar e a guardar
As lutas no dia, a dia Prisões, mortes acontecia O AVANTE denunciava
Denunciava tudo que era fatal Políticos, presos para o TARRAFAL Onde morriam em morte lenta
Se morriam na frigideira Eu chamo de torradeira Era TURTURA até matar
Dez, onze, doze apenas Eu era bem pequena Entreguei! Quantos salários?
Ia para a escola com alegria Correndo quase por magia Minha missão tinha comprido
Legumes por mim mandavam As famílias que precisavam Para a fome dos filhos matar
Dos legumes, a P.I.D. sabia Ao interrogarem o meu pai um dia O chefe Tinoco dos salários não falou
Mas eu nunca tive medo Se soubessem do meu segredo Me sentia feliz ao faze-lo
Eram, famílias dos comunistas Presos pela policia, fascista De um Portugal amordaçado
Lutavam por liberdade Justiça e dignidade Por trabalho, pão e PAZ
12-09-62 Judite Faquinha
Victor, no livro < VIVER E RESISTIR NO TEMPO DE SALAZAR> fala de um poema meu e, o que segnificou este jornal para mim! Te mando, o < AVANTE> mas, é o meu sentimento de uma comunista com a terceira classe, a minha formação académica e a esperiência da vida... e vivendo no campo, mas com o vicio da leitura, é um poema de linguagem simples, mas é o meu sentir!

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Lúcia Gomes - A minha primeira Festa!

A minha primeira Festa!

Tinha 14 ou 15 anos, não me lembro bem. Não conhecia o PCP para além daquele centro de trabalho onde ia, aos fins de semana, ouvir poesia e jam sessions com a minha irmã, o Tiago e alguns amigos com quem tinha uma banda (o Pedro, o Beto, o Tony). Um dia, o João Gustavo bate-me à porta e pergunta-me se quero ir à Festa do Avante! actuar no Café Concerto.
Não percebi muito bem a coisa, mas pareceu-me bem. Fui trabalhar para juntar dinheiro para ir e, chegados à data, fui com o Pedro, o baixista, apanhar o comboio a Espinho. “O comboio da Juventude!”. Um comboio inteiro cheio de gente para ir à Festa do Avante. Sento-me, acanhada, num dos bancos do regional e ouvi toda a gente a tratar-se por camarada. Não percebi porquê. Não conhecia nenhum comunista além do João. De repente vejo um rapaz que percorria as carruagens a oferecer bolachas de canela a toda a gente.
Olhou para mim e disse: “Camarada, queres uma bolacha?”. E eu lembro-me de achar simpático ele oferecer bolachas a toda a gente, mas alto e pára o baile que eu não era camarada de ninguém.
Chegada ao recinto, esperei numa fila para ir montar a tenda. Ficámos à sombra. Mal entrei na Quinta da Atalaia tudo me pareceu irreal. Tanta gente, nova, velha, alta, baixa, aquele palco incrível ao fundo da descida, o sorriso e o à vontade de todas as pessoas, os pavilhões de cada distrito. Como era possível aquilo existir e eu nunca ter ouvido falar? Passeámos pelos pavilhões, orgulhosos quando passávamos pelo distrito de Aveiro e lá fomos até à Cidade da Juventude ver o que nos esperava. O palco era giro, com uma espécie de passerelle até às mesas, pinturas e cores por todo o lado.
Fomos jantar. E de repente todas as pessoas levantavam o seu tabuleiro, punham os restos ao lixo, colocavam a loiça e o tabuleiro num sítio para o efeito e o lugar ficava livre e limpo. Mas afinal que sítio era aquele onde todos se tratavam por camaradas e se comportavam daquela forma, de sorriso nos lábios. Lembro-me que enquanto pedia a comida todos eram simpáticos e me tratavam por tu, como se me conhecessem desde pequena.
O concerto era no sábado, o nosso. Vimos os concertos de sexta e arrepiei-me. Nunca tinha visto um palco tão imponente e toda a gente a dançar numa explosão de bandeiras e de saltos ao som de uma música instrumental. Gente que descia as ruas e se abraçava e dançava. Apanhada no meio, nem que não quisesse, também eu saltei e dei gargalhadas.
No dia seguinte lá fomos. Eu, o Pedro, o João e o Tony actuámos na Cidade da Juventude. Ainda hoje guardo as fotos dessa meninice. O meu namorado à data surpreendeu-me e apareceu lá. E assim que apareceu eu não conseguia calar-me para lhe contar desta fraternidade que saía por todos os poros, da alegria que vibrava por todos os cantos daquele espaço. Fomos comprar coisas para comer e para beber e sentámo-nos, descalços, na relva, a olhar o palco.
Como se aquele sítio fosse nosso desde sempre. E o João disse-me, somos nós que a construímos. E eu achei que não era possível.
No dia seguinte era o dia de ir embora. Enquanto uns diziam, vamos cedo, não vamos ficar para a política, pedi que nós ficássemos mais um pouco. E de repente não vi mais nada senão um mar vermelho. Uma cor rubra que inundava a Atalaia enquanto se ouvia no palco Carlos Carvalhas, sobre a situação política. Lembro-me de gozar com o sotaque e pela primeira vez ouvir, de facto, o que dizia. E de me arrepiar com uma música que entoavam (“Avante, camarada, avante”), seguida daquela inenarrável e contagiante alegria da Carvalhesa (já lhe sabia o nome).
Fiquei triste por ser a hora de ir embora.
Entrei no carro, estava muito calor, e fomos pela nacional, para ser mais barato, rumo a casa. Não abri a boca a viagem toda. Aquela gente, aquelas cores, aquela alegria tinha ficado entranhada na minha pele. Não era possível haver um sítio como aquele. Onde “podes ser quem tu és, ninguém te leva a mal…onde a gente trata a gente toda por igual”.
Ficou-me entranhada na pele, no sangue. E desde esse dia, todos os anos voltei. Com outras pessoas, com família, com amigos. Só um ano não fui. E só lamento nunca lá ter estado com o meu Pai. Mas a Festa!, essa, continua ali. Rubra, de portas abertas, a tratar toda a gente por igual. E hoje, sou eu quem chama a toda a gente camaradas. Mesmo quando é a sua primeira Festa e os seus sentidos estão tão alerta quanto estavam os meus.
São três dias que não se encontram em nenhuma parte do mundo, a nossa Festa!. Até já, camaradas!


quarta-feira, 2 de março de 2011

Historiadores?, por Pedro Namora


Quarta-feira, 2 de Março de 2011

Historiadores?

Estado Novo foi o rótulo que o fascismo escolheu para esconder as suas actividades criminosas. Que, em democracia, tal expressão mentirosa e laudatória da ditadura fascista seja empregue pela generalidade dos historiadores, diz bem do estado a que chegou a bicharada que tanto gosta de se declarar imparcial.

Há-de ser essa imparcialidade que leva os historiadores que escrevem sobre o fascismo – que piamente perdoarão a minha incapacidade de chamar novo ao Estado velho do terror Salazarista – a constantemente escamotear e deturpar o papel do PCP durante esses anos.

Tarrafal? Chamem aí a Irene Pimentel que tratará do assunto e de forma versátil: fidedigno só o Edmundo Pedro e os arquivos da Fundação Soares, pois então. Mais o Fernando Rosas. E se alguma dúvida for levantada sobre algo, a Pimentel não hesitará em recorrer a um qualquer enfermeiro informador da pide para garantir que não, o PCP não tem razão.

Militão Ribeiro, assassinado no EPL? A Pimentel convocada não deixará de assegurar que no PCP isso foi polémico, porque se falou em suicídio. Mesmo que o Avante! da época a desminta, Irene persistirá na sua. Porque a anima um ódio visceral ao PCP, familiar de ódio similar de Pacheco Pereira e Fernando Rosas e tantos outros.


 
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terça-feira, 26 de outubro de 2010

O escroque e o lenocínio por José Pedro Namora

a Terça-feira, 26 de Outubro de 2010 às 1:34
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O PCP apresentou na Assembleia da República, no passado dia 18 de Outubro, o Projecto de Resolução  N.º 293/XI, nos termos do qual se recomenda ao Governo o reforço de medidas de combate ao tráfico de seres humanos e à exploração na prostituição.
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Não obstante a respectiva exposição de motivos ter mais de 5800 caracteres, o escroque João Pereira Coutinho resumiu desta forma porca e mentirosa a iniciativa dos deputados comunistas, no Correio da Manhã de 24 de Outubro: 
  
         “O nosso PCP, num ataque de probidade, pretende abolir os anúncios em que moreninhas atrevidas, com              peito natural e formas generosas, oferecem os seus serviços. Quando li a medida, julguei por momentos              que o PCP estava disposto a combater a publicidade enganosa. Erro meu. A ideia é combater a exploração,          porque na cabeça arcaica do nosso PCP a prostituição é sempre uma forma de exploração – e não,                       digamos, uma opção da mulher, que prefere esfregar todo o tipo de superfícies, excepto escadas.”
  
Depois, raivoso e aldrabão, foi ao osso que lhe apontaram e ladrou uns quantos impropérios sobre posições políticas que o PCP assumiu, sem qualquer relevância com o assunto. Porque o escroque Coutinho escondeu, censurando, mostremos do que fala o projecto de resolução:  

Os deputados comunistas consideram que se vivem hoje tempos de grave crise económica e social. E com eles, retornam formas anciãs de exploração, de desrespeito pelas pessoas, de aumento da vulnerabilidade dos mais pobres e mais necessitados, da consideração generalizada de que tudo se compra e tudo se vende, mesmo o amor, mesmo a vida, mesmo a dignidade humana. São antigas e novas formas de escravatura que recrudescem, ao mesmo tempo que o pós-modernismo pretende até elevá-las a condições de profissão e legalização. 

Em momentos como este, de agravamento da pobreza, de criação de novas formas de pobreza, mulheres e crianças são as primeiras a sentir na pele as consequências mais devastadoras da degradação do nível de vida. A exploração na prostituição e o tráfico de seres humanos revestem diversas formas de exploração: sexual, laboral, o tráfico de órgãos, a mendicidade, adopções ilegais, entre tantas outras. Segundo a United Nations Office on Drugs and Crime (UNODC), mais de 2,4 milhões de pessoas são actualmente vítimas de tráfico para fins comerciais. Segundo o relatório Global Report on Trafficking in Persons – UN.GIFT, de Fevereiro de 2009, a exploração sexual assume-se como a forma mais relatada de tráfico, com 79% dos casos, registando o tráfico para fins de exploração laboral 18% das situações.

 Aliadas ao crime de tráfico estão outras formas de exploração, nomeadamente: lenocínio, violência doméstica, casamento de conveniência, escravidão, sequestro, associação criminosa, violação, falsificação/contrafacção de documentos, uso de documentação de identificação ou viagem alheio, auxílio à imigração ilegal, associação de auxílio à imigração ilegal, angariação de mão-de-obra ilegal, rapto, numa teia intricada e complexa de vários crimes. De acordo com a OIT, a exploração sexual é de 63% nas economias industrializadas, sendo que Portugal hoje, de acordo com os vários dados disponíveis, é um país de destino, origem e passagem de vítimas de tráfico.

Para o PCP, também as pessoas prostituídas, não sendo vítimas de tráfico, estão em situações de especial vulnerabilidade e, independentemente de se considerar a opção livre e consciente, nunca tal situação pode levar à adopção de medidas legislativas que legalizem a escravatura e assumam que o consentimento é “esclarecido” na maioria dos casos. A prostituição não é a mais antiga profissão do mundo. Não é mais do que a exploração de seres humanos. Representantes de Nações e de Organizações não Governamentais reuniram-se em Junho de 1993 em Viena de Áustria sob os auspícios da ONU, visando uma Conferência Mundial das Nações Unidas sobre os direitos humanos. Os representantes presentes asseguraram que os direitos das mulheres fossem reconhecidos como direitos humanos.

«Os direitos humanos das mulheres e das meninas são inalienáveis, integrais e são uma parte indivisível dos direitos humanos universais.» «A violência baseada no sexo e todas as formas de perseguição e exploração sexual, incluindo aquelas resultantes de preconceitos culturais e tráfico internacional são incompatíveis com a dignidade e valor da pessoa humana e devem ser eliminados.» (Declaração e Plataforma de Acção de Viena, 1993, p. 33).

Assim, o tema da violência está indissociavelmente ligado aos direitos humanos. Por este motivo, o PCP entende ser imperioso o reconhecimento da exploração na prostituição como violação dos direitos humanos pelo Governo português, bem como a tomada de medidas urgentes que sejam um efectivo combate ao tráfico e à exploração sexual.

Consequentemente, os deputados comunistas propuseram o seguinte:
- O reconhecimento da exploração na prostituição como violação dos direitos humanos; A tomada de medidas urgentes de proibição de anúncios nos meios de comunicação social que, directa ou indirectamente, incitem à prostituição ou angariação de clientes para a prostituição; O lançamento de campanhas contra o tráfico e a exploração na prostituição em locais estratégicos, nomeadamente terminais de autocarros, estações de comboios e metros e aeroportos; A isenção de custas judiciais e atribuição de apoio judiciário com base na presunção de insuficiência de rendimentos para as vítimas de tráfico e para pessoas prostituídas; A criação de um apoio financeiro específico e transitório para vítimas de tráfico e pessoas prostituídas; Reforço da rede pública de casas-abrigo para vítimas de tráfico de seres humanos e de prostituição; A criação de uma linha telefónica SOS específica para casos de tráfico de seres humanos e exploração na prostituição; A adopção de medidas legislativas de protecção das vítimas de tráfico e exploração na prostituição, no seguimento da Convenção para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres e da Declaração e Plataforma de Acção de Viena.
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terça-feira, 29 de setembro de 2009

A luta continua! - Pedro Namora

27 Setembro, 2009

A luta continua!

Escrevo antes do encerramento das urnas para referir o óbvio: este é mais um acto eleitoral profundamente antidemocrático. Desde logo, pela disparidade dos meios ao dispor das forças políticas em confronto. Quer o ps quer o psd contam com o apoio interessado das grandes empresas e, sobretudo no caso do primeiro, com o aparelho de Estado, minado por boys dispostos a tudo para não perderem as mordomias de que usufruem.

Acresce que no caso da CDU, lhe foi vedada a possibilidade de difundir as suas propostas na comunicação social e os seus militantes continuam a ser perseguidos nos locais onde desenvolvem a sua actividade.

Por outro lado, a comunicação social dominante, ao serviço dos que a adquiriram, deturpa as propostas comunistas, tudo fazendo para criar da CDU a imagem do papão que urge evitar.

Apesar de tudo, confio que a luta travada por milhares de activistas contribuiu decisivamente, pelo menos, para impedir a erosão eleitoral em que apostam os coveiros do comunismo. E desta forma, reforçar a confiança dos homens e mulheres que lutam para tornar melhor a vida dos que sofrem a ofensiva neoliberal.

Independentemente dos resultados eleitorais, anima-me o saber antecipadamente qual será o núcleo essencial da mensagem de Jerónimo de Sousa: amanhã a luta continua! Porque não há farsa eleitoral que nos faça baixar os braços.

Viva a CDU!
Viva o Partido Comunista Português!
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