Viva a Vida !

Este blog destina-se aos meus amigos e conhecidos assim como aos visitantes que nele queiram colaborar..... «Olá, Diga Bom Dia com Alegria, Boa Tarde, sem Alarde, Boa Noite, sem Açoite ! E Viva a Vida, com Humor / Amor, Alegria e Fantasia» ! Ah ! E não esquecer alguns trocos para os gastos (Victor Nogueira) ..... «Nada do que é humano me é estranho» (Terêncio)....«Aprender, Aprender Sempre !» (Lenine)
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quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Maria Amélia Martins e a poesia



Eu não sei, nunca soube, escrever poesia. Mas houve uma época em que eu tinha a mania das quadras que me vinham à cabeça com facilidade. Coisas que passavam por mim e eu agarrava em palavras a rimar assim:

Vão cheiinhas as carreiras, 
ainda vai povo de pé,
outros tantos vão nas beiras
das estradas traiçoeiras
onde arrisca a vida, o "Zé".
É assim na hora de entrada
E nas saídas tambem
operários pela estrada 
cansados da caminhada
com muita força, porém.
Para lá, vão sempre a "horas"
quantas vezes "a penar"
mas quando se vão embora 
parece que a vida melhora 
enfim já vão descansar...
O que nas fábricas se passa 
é igual em todo o lado:
Se trabalhas, cais em graça, 
mas se exiges, que desgraça
já não passas dum safado....

...E isto ia por aí adiante até contar (como eu sabia fazê-lo em rima) a vida toda do "Zé operário" que era eu tambem...E isto completo, que enchia duas folhas do jornal local do PCP teve direito a destaque em páginas centrais. Já nem me lembro do resto, mas naquele tempo fiquei contente com a publicação. (fins dos anos 70)


~~~~~~~



  • Maria Amélia Martins Estes versos estão aqui imcompletos, encheu 2 páginas, mas nada especial, era o que eu era capaz e são do tempo em que tambem eu operária textil usavamos os autocarros como transporte para o trabalho nas fábricas da zona Riopele , Carides, Safil...como sabeis (os amigos Pereira, meus vizinhos) o numero de operários era então de muitos milhares e muito deles seguiam pelas bermas da estrada nacional (beiras) sujeitos a serem atropelados como sabeis que aconteceu a muitos...tambem a repressão nos trabalhos foi numa certa época muito severa...Os versos falam disso. obg. amigos bjs especialmente Lino e Valentim!



    • Victor Nogueira Já te disse, Maria Amélia Martins que gosto dos teus contos ou estórias e da maneira como escreves. Desvendaste-me agora a tua veia poética. E gostei, embora haja uma técncia para as chamadas quadras populares que podem ser apenas uma ou várias em sequência Mas como escreveu António Aleixo 



      A quadra tem pouco espaço
      Mas eu fico satisfeito
      Quando numa quadra faço
      Alguma coisa com jeito.

      há alguns segundos · Editado · Gosto



      • Maria Amélia Martins obg. Victor... poesia tambem já fiz e até tenho guardadas mas nem me atrevo a publicar porque sei que não é boa...quadras já fiz muitas e saiem com facilidade...beijinhos amigo!!!
      • Victor Nogueira Ah! E lembro-mr que qd percorria as estradas do Porto e do Minho, com o meu avô materno, de ver as longas filas de operários e operárias de bicicleta ou motorizada, nas idas e voltas para a fábrica. Não só mas tb na chamada recta do Mindelo. Como as minhas primas de Pedra Furada - Barcelos
        há 5 minutos · Editado · Gosto · 1
      • Maria Amélia Martins isso acabou..ainda existe a Riopele mas com menos trabalhadores...a Carides onde trabalhei, é agora um conjunto de pequenas empresas, poucos trabalhadores tambem..e já não se vêem muitos a pé...
        há 2 minutos · Não gosto · 1


        • Maria Amélia Martins aqueles meus versos dum tempo em que não havia crise no setor textil acabavam assim: Se mesmo sem crise, isto é assim/ trabalhar e viver mal/ abre os olhos, vai por mim/ estaremos no plural. :)))

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Cultura e Poesia Populares




Jangada Brasil, a cara e a alma brasileiras 
Victor Nogueira 4/11 às 21:35
A Jangada .... não é de Pedra mas do Brasil
Ab
VM
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 Carlos Rodrigues 5/11 às 12:15
Gostei muito desta Jangada Brasileira e popular, com muito trabalho de Antropologista e Etnólogo pelo meio. Fica-me o Baile de Augusto Saint Hilaire, a comparação de dois modos de vida e de duas classes, a das senhoras que tocam piano e falam Francês, em contraste com a escravidão da mulher do interior Brasileiro. Algo terá mudado, de então para cá, mas sempre insuficiente. O da Porca de Oliveira Hermes Gomes, dos contadores/cantadores espontâneos Nordestinos, com os seus desejos de queimar ps ricos no Fogo dos Infernos ter Jesus ao lado dos pobres e a sua conclusão final de Um homem não vive só, é preciso ser casado ( se não faz filhos em porca e tem filho parecido com ela/ele ?...), cheio de sabedoria popular, fez-me lembrar os nossos Poetas Barbeiros, Calafates e outros como o Carpinteiro, Joaquim Moreira da Silva, Cantador e Repentista ( para além de Anarquista ) que, muito embora Analfabeto até aos vinte anos, tem um Português obviamente melhor do que o dos Brasileiros e dizia coisas mais interessantes como:Nasce da larva nojenta /A borboleta formosa /Sai também da podridão /O lírio, o cravo e a rosa.
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Já para não falar do António Aleixo, que esse era outro número de Obra... Obrigado, gostei muito, Victor.
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Victor Nogueira 5/11 às 15:54
O Aleixo era um sábio. Na Câmara tínhamos 3 poetas populares, um deles repentista. Mas eram "pobres" e só tenho poemas dedicados a mim ou à minha filha Susana e livros dum deles autografados: o João Calceteiro, que com a idade passou a contínuo, pois batedor de maço, asfaltador e calceteiro são três profissões violentas! 
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O senhor Palma, que era o guarda do edifício onde eu trabalhava, deixava-me ler os poemas que escrevia, mas nunca me deu cópia nem mos deixou trazer para passar ao computador. Era um tipo muito delicado, com uma letra bonita, de contabilista, que nunca foi, e deixava-me recados na secretária que começavam "Senhor Dr Victor Nogueira" e continuavam numa linguagem doutros tempos: "Telefonou a senhora sua mãe mas não é nada de cuidado, era apenas para saber como estava o senhor doutor". E como eu o tinha entrevistado enquanto dirigente dos recursos humanos, entrevista da qual naturalmente não me lembrava, comentava-me sempre com reconhecimento mas sem subserviência: "Foi o senhor doutor que me entrevistou para eu entrar para a Câmara". 
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O repentista era o Matos, que nos almoços dos trabalhadores, em lhe dando ou não o mote, erguia-se e desfiava a poesia!
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E do Aleixo termino com uma das muitas pérolas, a essencial do que tudo ele escreveu:
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"A quadra tem pouco espaço
Mas eu fico satisfeito
Quando numa quadra faço
Alguma coisa com jeito."
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Abraço
VM
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Carlos Rodrigues 5/11 às 16:26
Houve muitos Poetas Populares e repentistas, hoje conhecidos normalmente pelas suas profissões, o Carlos dos Jornais ( Ardina ), o Barbeiro, Augusto Pires, o Calafate, António Maria Eusébio, o Chofer, o Ganhão, etc. e um António Vilar da Costa, de Lisboa, nascido em 1921, conhecido pelo CONTÍNUO, não sei se será este a que te referes, que muito escreveu para o Fado, sendo o mais conhecido " Ai Chico, Chico ", Fado Alegre, com música de Nobre de Sousa ( Ai, Chico,Chico do cachené ! Quem te viu antes / E quem te vê...
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Devo ainda ter por aí um livrinho de Fernando Cardoso exactamente sobre os POETAS POPULARES, muito interessante pelos comentários do Autor a cada um deles, apontando diferenças, defeitos e virtudes naturais e apontamentos biográficos. ( Tem pelo menos 3 edições ). Claro que o António Aleixo também lá está.
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Victor Nogueira 5/11 às 18:38
Nao, o contínuo não é esse. Tenho para aí vários volumes de poesia popular, designadamente do Alentejo, colectâneas ou de autor, entre as quais a do antologiador que referes. E tenho tb daqueles folhetos que os cegos vendiam no antigamente, quase todos do estilo "Ai, Maria, não me mates que sou a tua mãe".
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Uma vez na esplanada duma pastelaria contígua à Suiça, salvo erro "Irmãos Unidos", com esplanada para a Praça da Figueira, andava um poeta popular a vender livros dele como se de cautelas se tratasse. Então ele e a minha mãe à compita começaram a declamar poemas de cada um e acabei por lhe comprar um dos livros, que ele dedicou à minha filha Susana, não me lembro se em verso ou não, Está ali na secção de livros autografados pelo autor, da minha biblioteca
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Abraço
VM
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Victor Nogueira- 5/11 às 18:55
Em tempo - Deixo-te os endereços de O Fogareiro - Um Taxista em Lisboa http://ofogareiro.blogspot.com/, saborosíssimo, e dum poeta popular, José Manangão - Poesia no Popular http://poesianopopular.blogs.sapo.pt/
VM
ofogareiro.blogspot.com
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Carlos Rodrigues 5/11 às 19:49
Li com interesse as Crónicas do Taxista que fala de realidades que eu conheço muito bem, da velha Lisboa. Conheço o Adicense, a Sociedade, a Escola de Natação que foi, para muitos, na Doca do Jardim de Tabaco, onde por acaso nunca ninguém falou. no autêntico festival competitivo que era o chamado Pau de Cebo, subida que só verdadeiros atletas conseguiam completar. Claro que havia outras Sociedades Recreativas, A Boa União, dos meus primeiros namoros, um acabou em casamento, e bailaricos ( só se entrava de gravata e havia fiscais de comportamento na sala, vigiando os parzinhos mais atrevidos que eram logo chamados à Direcção e admoestados ), depois outra ainda mais elitista, a que a minha família mais frequentava, mas sem peneiras, o Lusitano Clube, obra de velho maçónico, o qual, respeitosamente, se tratava por Pai Carvalho, e, enfim, não havia droga nos Bairros, a droga era o vinho, como também se diz por aí. Hoje restam as Marchas, acho que, pelo menos em Alfama a Magalhães de Lima, ( outro Maçónico ) continua forte na Organização da Marcha, quase sempre vencedora, os Santos Populares valem por si só, mas nada é o que era. Depois há a outra parte das obras aprovadas pela Câmara há séculos que não mexem e outras que me tocam bem de perto, mas que não dá para falar sem me engasgar. Enfim, um dia falamos. Um abraço.
..
Carlos Rodrigues 5/11 às 19:54 
Claro que também gostei do José Manangão. Mas mantenho algumas reservas quanto à Poesia Panfletária. Ou uma coisa ou outra, sem ofensa, às vezes também vou por aí, mas não por método. Realismo, realismo, panfletos à parte. Não deixo, porém, de concordar com tudo o que diz. E esta, hein ?
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Victor Nogueira 5/11 às 20:38
O Aleixo na sua aparente inocência é muito acutilante e subversivo. Não sei que poeta teria sido e que poesia teria escrito se não fosse analfabeto.
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"Eu não tenho vistas largas,
nem grande sabedoria,
mas dão-me as horas amargas
lições de filosofia. "
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Tantos colegas pobres que tive no ISESE e que agora são gente com vastos cifrões e cargos importantes, esquecidos da pobreza e dos pobres no meio dos quais nasceram !
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"Não sou esperto nem bruto,
nem bem nem mal educado:
sou simplesmente o produto
do meio em que fui criado."
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quinta-feira, 10 de julho de 2008

Convívio entre Abril e Maio (13) - Até ao lavar dos cestos ... (1)


Building a rainbow de Tito Salomoni
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* Maria Mamede

Maria Mamede


Olá!

Sei que ando fugida, mas a AMIZADE, essa continua intacta e não me esqueço de quem nunca se esquece de mim.

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Por isso, aqui vai um pequeno Poema, para pedir desculpas das minhas frequentes ausências.


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Maria Mamede


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NÃO SEI SE INVENTO...

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Não sei se invento ou se existem

tantas palavras diferentes

para dizer que te amo...

não sei se invento!

Não sei se digo ou se calo

tudo o que me vai na alma

em palavras...

o gesto

esse, tanta vez fica por dizer

que nem sei se o invento!

Então

invento cartas

que deixo esquecidas

no banco da praça

ao pé do chafariz

esperando que alguém tas entregue

mesmo sabendo

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Maria Mamede

(in "No Cais do Tempo")

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quarta-feira, 30 de abril de 2008

Convívio do Movimento e Contraste (34) - Poesia Musicada de Abril em Maio

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Eu Vim de Longe
, José Mário Branco

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Quando o avião aqui chegou
Quando o mês de maio começou
Eu olhei para ti
Então entendi
Foi um sonho mau que já passou
Foi um mau bocado que acabou
Tinha esta viola numa mão
Uma flor vermelha n´outra mão
Tinha um grande amor
Marcado pela dor
E quando a fronteira me abraçou
Foi esta bagagem que encontrou
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Eu vim de longe
De muito longe
O que eu andei p´ra aqui chegar
Eu vou p´ra longe
P´ra muito longe
Onde nos vamos encontrar
Com o que temos p´ra nos dar
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E então olhei à minha volta
Vi tanta esperança andar à solta
Que não hesitei
E os hinos cantei
Foram feitos do meu coração
Feitos de alegria e de paixão
Quando a nossa festa se estragou
E o mês de Novembro se vingou
Eu olhei p´ra ti
E então entendi
Foi um sonho lindo que acabou
Houve aqui alguém que se enganou
Tinha esta viola numa mão
Coisas começadas noutra mão
Tinha um grande amor
Marcado pela dor
E quando a espingarda se virou
Foi p´ra esta força que apontou
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Eu vim de longe
De muito longe
O que eu andei p´ra aqui chegar
Eu vou p´ra longe
P´ra muito longe
Onde nos vamos encontrar
Com o que temos p´ra nos dar

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Lágrima de Preta - António Gedeão (Letra) - Manuel Freire (Música)

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Encontrei uma preta

que estava a chorar

pedi-lhe uma lágrima

para a analisar

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Recolhi a lágrima

com todo o cuidado

num tubo de ensaio

bem esterilizado

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Olhei-a de um lado

do outro e de frente

tinha um ar de gota

muito transparente

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Mandei vir os ácidos

as bases e os sais

as drogas usadas

em casos que tais

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Ensaiei a frio

experimentei ao lume

de todas as vezes

deu-me o qu´é costume
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Nem sinais de negro

nem vestígios de ódio

água (quase tudo)

e cloreto de sódio

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Cantar da Emigração - Rosália de Castro (letra) -
José Niza (Música)
Intérprete: Adriano Correia de Oliveira
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Este parte, aquele parte
e todos, todos se vão
Galiza ficas sem homens
que possam cortar teu pão
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Tens em troca
órfãos e órfãs
tens campos de solidão
tens mães que não têm filhos
filhos que não têm pai
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Coração
que tens e sofre
longas ausências mortais
viúvas de vivos mortos
que ninguém consolará

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Menino do Bairro Negro - Letra e música de José Afonso

Os meios sociais miseráveis do Porto, no Bairro do Barredo estiverem na origem desta balada.

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Olha o sol que vai nascendo
Anda ver o mar
Os meninos vão correndo
Ver o sol chegar
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Menino sem condição
Irmão de todos os nus
Tira os olhos do chão
Vem ver a luz
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Menino do mal trajar
Um novo dia lá vem
Só quem souber cantar
Vira também
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Negro bairro negro
Bairro negro
Onde não há pão
Não há sossego
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Menino pobre o teu lar
Queira ou não queira o papão
Há-de um dia cantar
Esta canção
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Olha o sol que vai nascendo
Anda ver o mar
Os meninos vão correndo
Ver o sol chegar
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Se até da gosto cantar
Se toda a terra sorri
Quem te não há-de amar
Menino a ti
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Se não é fúria a razão
Se toda a gente quiser
Um dia hás-de aprender
Haja o que houver
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Negro bairro negro
Bairro negro
Onde não há pão
Não há sossego
.
Menino pobre o teu lar
Queira ou não queira o papão
Há-de um dia cantar
Esta canção

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CANTAR ALENTEJANO - Vicente Campinas (poema) e José Afonso (música)

Catarina Eufémia foi assassinada pela GNR, em Baleizão (Alentejo) a 19 de Maio de 1954, quando com outros operários agrícolas reivindicava melhores condições de vida e de trabalho.

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Chamava-se Catarina
O Alentejo a viu nascer
Serranas viram-na em vida
Baleizão a viu morrer

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Ceifeiras na manhã fria
Flores na campa lhe vão pôr
Ficou vermelha a campina
Do sangue que então brotou

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Acalma o furor campina
Que o teu pranto não findou
Quem viu morrer Catarina
Não perdoa a quem matou

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Aquela pomba tão branca
Todos a querem p’ra si
Ó Alentejo queimado
Ninguém se lembra de ti

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Aquela andorinha negra
Bate as asas p’ra voar
Ó Alentejo esquecido
Inda um dia hás-de cantar

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A morte saíu à rua - letra e música de José Afonso

(José Dias Coelho, aerista plástico e dirigente do PCP, foi assassinado pela PIDE, em Alcântara (Lisboa) em 19 de Dezembro de 1961)
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A morte saiu à rua num dia assim
Naquele lugar sem nome para qualquer fim
Uma gota rubra sobre a calçada cai
E um rio de sangue de um peito aberto sai
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O vento que dá nas canas do canavial
E a foice duma ceifeira de Portugal
E o som da bigorna como um clarim do céu
Vão dizendo em toda a parte o Pintor morreu
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Teu sangue, Pintor, reclama outra morte igual
Só olho por olho e dente por dente vale
À lei assassina, à morte que te matou
Teu corpo pertence à terra que te abraçou
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Aqui te afirmamos dente por dente assim
Que um dia rirá melhor quem rirá por fim
Na curva da estrada hà covas feitas no chão
E em todas florirão rosas de uma nação
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Canto Moço - Zeca Afonso

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Somos filhos da madrugada

Pelas praias do mar nos vamos

À procura de quem nos traga

Verde oliva de flor no ramo

Navegámos de vaga em vaga

Não soubemos de dor nem mágoa

Pelas praias do mar nos vamos

À procura da manhã clara

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Lá do cimo duma montanha

Acendemos uma fogueira

Para não se apagar a chama

Que dá vida na noite inteira

Mensageira pomba chamada

Companheira da madrugada

Quando a noite vier que venha

Lá do cimo duma montanha

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Onde o vento cortou amarras

Largaremos pela noite fora

Onde há sempre uma boa estrela

Noite e dia ao romper da aurora

Vira a proa minha galera

Que a vitória já não espera

Fresca brisa moira encantada

Vira a proa da minha barca

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Os Vampiros


(José Afonso)

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No céu cinzento
Sob o astro mudo
Batendo as asas
Pela noite calada
Vem em bandos
Com pés veludo
Chupar o sangue
Fresco da manada
Se alguém se engana
Com seu ar sisudo
E lhes franqueia
As portas à chegada

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Eles comem tudo
Eles comem tudo
Eles comem tudo
E não deixam nada

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A toda a parte
Chegam os vampiros
Poisam nos prédios
Poisam nas calçadas
Trazem no ventre
Despojos antigos
Mas nada os prende
Às vidas acabadas

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São os mordomos
Do universo todo
Senhores à força
Mandadores sem lei
Enchem as tulhas
Bebem vinho novo
Dançam a ronda
No pinhal do rei

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Eles comem tudo
Eles comem tudo
Eles comem tudo
E não deixam nada

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No chão do medo
Tombam os vencidos
Ouvem-se os gritos
Na noite abafada
Jazem nos fossos
Vítimas dum credo
E não se esgota
O sangue da manada
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Se alguém se engana
Com seu ar sisudo
E lhes franqueia
As portas à chegada
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Eles comem tudo
Eles comem tudo
Eles comem tudo
E não deixam nada

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Trova do vento que passa
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é uma balada de António Portugal e Manuel Alegre do ano de 1963, estando contida no disco Fados de Coimbra cantada por Adriano Correia de Oliveira.
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Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.
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Pergunto aos rios que levam
tanto sonho à flor das águas
e os rios não me sossegam
levam sonhos deixam mágoas.
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Levam sonhos deixam mágoas
ai rios do meu país
minha pátria à flor das águas
para onde vais? Ninguém diz.
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Se o verde trevo desfolhas
pede notícias e diz
ao trevo de quatro folhas
que morro por meu país.
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Pergunto à gente que passa
por que vai de olhos no chão.
Silêncio -- é tudo o que tem
quem vive na servidão.
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Vi florir os verdes ramos
direitos e ao céu voltados.
E a quem gosta de ter amos
vi sempre os ombros curvados.
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E o vento não me diz nada
ninguém diz nada de novo.
Vi minha pátria pregada
nos braços em cruz do povo.
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Vi minha pátria na margem
dos rios que vão pró mar
como quem ama a viagem
mas tem sempre de ficar.
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Vi navios a partir
(minha pátria à flor das águas)
vi minha pátria florir
(verdes folhas verdes mágoas).
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Há quem te queira ignorada
e fale pátria em teu nome.
Eu vi-te crucificada
nos braços negros da fome.
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E o vento não me diz nada
só o silêncio persiste.
Vi minha pátria parada
à beira de um rio triste.
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Ninguém diz nada de novo
se notícias vou pedindo
nas mãos vazias do povo
vi minha pátria florindo.
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E a noite cresce por dentro
dos homens do meu país.
Peço notícias ao vento
e o vento nada me diz.
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Quatro folhas tem o trevo
liberdade quatro sílabas.
Não sabem ler é verdade
aqueles pra quem eu escrevo.
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Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.
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Mesmo na noite mais triste
em tempo de sevidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.
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O que faz falta - Zeca Afonso
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Quando a corja topa da janela
O que faz falta
Quando o pão que comes sabe a merda
O que faz falta
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O que faz falta é avisar a malta
O que faz falta
O que faz falta é avisar a malta
O que faz falta
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Quando nunca a noite foi dormida
O que faz falta
Quando a raiva nunca foi vencida
O que faz falta
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O que faz falta é animar a malta
O que faz falta
O que faz falta é acordar a malta
O que faz falta
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Quando nunca a infância teve infância
O que faz falta
Quando sabes que vai haver dança
O que faz falta
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O que faz falta é animar a malta
O que faz falta
O que faz falta é empurrar a malta
O que faz falta
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Quando um cão te morde a canela
O que faz falta
Quando a esquina há sempre uma cabeça
O que faz falta
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O que faz falta é animar a malta
O que faz falta
O que faz falta é empurrar a malta
O que faz falta
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Quando um homem dorme na valeta
O que faz falta
Quando dizem que isto é tudo treta
O que faz falta
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O que faz falta é agitar a malta
O que faz falta
O que faz falta é libertar a malta
O que faz falta
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Se o patrão não vai com duas loas
O que faz falta
Se o fascista conspira na sombra
O que faz falta
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O que faz falta é avisar a malta
O que faz falta
O que faz falta é dar poder a malta
O que faz falta

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Canta Camarada

(Popular/José Afonso)
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Canta camarada canta
canta que ninguém te afronta
que esta minha espada corta
dos copos até à ponta

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Eu hei-de morrer de um tiro
Ou duma faca de ponta
Se hei-de morrer amanhã
morra hoje tanto conta

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Tenho sina de morrer
na ponta de uma navalha
Toda a vida hei-de dizer
Morra o homem na batalha

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Viva a malta e trema a terra
Aqui ninguém arredou
nem há-de tremer na Guerra
Sendo um homem como eu sou

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Venham mais cinco - Zeca Afonso

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Venham mais cinco, duma assentada que eu pago já
Do branco ou tinto, se o velho estica eu fico por cá
Se tem má pinta, dá-lhe um apito e põe-no a andar
De espada à cinta, já crê que é rei d’aquém e além-mar
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Não me obriguem a vir para a rua gritar
Que é já tempo d' embalar a trouxa e zarpar
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A gente ajuda, havemos de ser mais eu bem sei
Mas há quem queira, deitar abaixo o que eu levantei
A bucha é dura, mais dura é a razão que a sustem
Só nesta rusga não há lugar prós filhos da mãe
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Não me obriguem a vir para a rua gritar
Que é já tempo d' embalar a trouxa e zarpar
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Bem me diziam, bem me avisavam como era a lei
Na minha terra, quem trepa no coqueiro é o rei
A bucha é dura, mais dura é a razão que a sustem
Só nesta rusga não há lugar prós filhos da mãe
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Não me obriguem a vir para a rua gritar
Que é já tempo d' embalar a trouxa e zarpar
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Trás outro amigo também
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Amigo
Maior que o pensamento
Por essa estrada amigo vem
Não percas tempo que o vento
É meu amigo também
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Em terras
Em todas as fronteiras
Seja benvindo quem vier por bem
Se alguém houver que não queira
Trá-lo contigo também
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Aqueles
Aqueles que ficaram
(Em toda a parte todo o mundo tem)
Em sonhos me visitaram
Traz outro amigo também
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Ouvir os poemas musicados em

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Convívio do Movimento e Contraste (35) - Convite - Canções de Abril em Maio


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terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Natal dos Simples por José Afonso


A Associação José Afonso gostaria de desejar a todos um bom Natal e um 2008 onde vire o vento e mude a sorte.

Natal dos Simples de José Afonso

Vamos cantar as janeiras
Vamos cantar as janeiras
Por esses quintais adentro vamos
Às raparigas solteiras

Vamos cantar orvalhadas
Vamos cantar orvalhadas
Por esses quintais adentro vamos
Às raparigas casadas

Vira o vento e muda a sorte
Vira o vento e muda a sorte
Por aqueles olivais perdidos
Foi-se embora o vento norte

Muita neve cai na serra
Muita neve cai na serra
Só se lembra dos caminhos velhos
Quem tem saudades da terra

Quem tem a candeia acesa
Quem tem a candeia acesa
Rabanadas pão e vinho novo
Matava a fome à pobreza

Já nos cansa esta lonjura
Já nos cansa esta lonjura
Só se lembra dos caminhos velhos
Quem anda à noite à ventura

in "Cantares do Andarilho", 1968

--
Associação José Afonso
Rua Damão 26 - 28
2900-340 Setúbal
tel (00351) 265. 185 580
fax 265. 185 581

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domingo, 14 de outubro de 2007

António Aleixo


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A quadra tem pouco espaço
Mas eu fico satisfeito
Quando numa quadra faço
Alguma coisa com jeito.
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Gravura - Tóssan (1943)
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Clique na Hiperligação com o nome do poeta, para saber mais !