Viva a Vida !

Este blog destina-se aos meus amigos e conhecidos assim como aos visitantes que nele queiram colaborar..... «Olá, Diga Bom Dia com Alegria, Boa Tarde, sem Alarde, Boa Noite, sem Açoite ! E Viva a Vida, com Humor / Amor, Alegria e Fantasia» ! Ah ! E não esquecer alguns trocos para os gastos (Victor Nogueira) ..... «Nada do que é humano me é estranho» (Terêncio)....«Aprender, Aprender Sempre !» (Lenine)
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domingo, 20 de setembro de 2015

um poema de Maria Mamede


Abre essas “ janelas”
luminosas!
Por causa delas
o sol morre d’inveja;
e olha à tua volta
nem que seja
porque as “meninas”
nasceram curiosas…
abre essas “portadas”
par em par
porque o azul
nelas a brilhar
faz inveja ao céu
quem o diria;
abre-as
que são tão formosas
como no roseiral
as frescas rosas
cada manhã
ao despontar do dia.
Maria Mamede

quinta-feira, 7 de março de 2013

Maria Mamede - Mulher do Povo

MULHER DO POVO

É flor do linho e gestuais diferenças
Na senda do chegar e do partir
É lendas e canções e velhas crenças
... Cravadas nos flancos do porvir;

É amargas derrotas, subtis conquistas
Terra esventrada por ti se és charrua
Força que te empurra pra que não desistas
É corpo vestido na alma mais nua...

É cheiro a pão cozido, a comida na mesa
É sabor e cheiro a casa, à nossa infância
Toldado olhar de alegria ou de tristeza
Voz do passado que não tem distância;

E é forno aceso é lareira sempre em brasa
É capuchinha de burel, croça de palha
É bilha de água fresca quando o verão abrasa
É o chapéu de copa alta para a malha.

E é Deu-la-deu Martins, é Maria da Fonte
E a que em Aljubarrota foi mortal guerreira
E é todas as Marias que do mar ao monte
Algures, um dia, foram a Pátria inteira.

E é tosquia, é ordenha e fumeiro e bragal
Esposa, filha, irmã, amiga, amante e Mãe
É a Mulher, mulher do Povo, é Portugal
E é todo o meu País, sem ser ninguém!...

Maria Mamede

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

POR AMOR ÀS PALAVRAS, audio-livro da Maria Mamede






13/12 

QUERIDOS Amigos e Amigas, muito boa noite (mesmo com esta chuva e vento!).
Em anexo segue o Convite para a apresentação de POR AMOR ÀS PALAVRAS, o audio-livro da Maria Mamede.
Esta apresentação vai ter lugar na Junta de Freguesia do Bonfim, pelas 16 horas do próximo sábado (15 Dez. 2012).
Será um prazer enorme para a Autora(e para mim também, claro!) ter-vos na sua/nossa companhia.

Um grande abraço.
Zéca Maneca (José Gomes)

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Maria Mamede - Neste Maio


Olá Amigos/as

Em Maio de 2009 escrevi o poema abaixo, que cada vez mais está actual, infelizmente,
e que também coloquei no meu Blog.
Um bj.
M.M.


NESTE MAIO

No Maio deste ano
nada peço...
cansada
no verso e no reverso
das bolorentas promessas
de melhora
é com dor
que vejo ir embora
a esperança que tive
e que professo...
mas crer, de verdade
eu já não posso;
e perdoem que vos diga
nós sempre tivemos
mais olhos que barriga
e acreditamos
porque queremos
no arranjo, por baixo do pano
e valorizamos o engano
a mentira, o dá-se um jeito;
quando se fará direito
o que entortamos?
E olhe-se bem
aquilo que logramos;
Já passaram 35 anos!
Dos cravos nem se sabe
murchos todos
nas promessas incumpridas
e nos danos
e no pão que falta em cada mesa;
que revolta me dá
e que tristeza
olhar os olhos
de quem sofre a rodos...
culpados?
Somos todos
ao cair, uma vez mais
no mesmo logro;
oxalá acordemos
num recobro
de diferentes promessas
sem perjúrio
do verbo ser igual
a conjugar
que latente em mim
há um murmúrio
de tormenta
prontinha a rebentar!...


30/04/09

terça-feira, 18 de maio de 2010

Carta de Maria Mamede com um poema !

De Amor e de Terra



Quinta-feira, Abril 29, 2010


MEUS QUERIDOS AMIGOS E AMIGAS...

Há muito que, por motivos vários, este meu canto está um pouco ao abandono...
as ervas foram crescendo, quase abafando as flores das vossas visitas e comentários.
Hoje porém, decidi vir tratar deste meu jardim, enquanto o tempo me permite e as borrascas não desabam.
Continuo a sentir saudade da vossa presença e quero haja sempre a certeza nos vossos corações, que nesta minha/vossa casa, a cancelinha continua encostada e a mesa posta, para os Amigos e Amigas que queiram passar por cá, com isso alegrando a minha existência.
Deixo-vos a minha saudação em forma de poema, um dos últimos que escrevi.
Até sempre.
.
Um abraço de Azul da
Maria Mamede


CARÍCIAS

Na tua boca eu vi
descomunal
a vontade de dar
e receber
um beijo
um pecado capital
a conjugar
no condicional
a forma possível
de me ter...
na tua boca
a brisa
era carícia
de nuvem
que o sol tapa
quando em vez
que inveja
da carícia que te fez
que inveja
que te toque
a face lisa
sem que ninguém
pergunte
os porquês!...


Maria Mamede
posted by De Amor e de Terra at 5:43 PM
.
.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Última carta - Maria Mamede

De Amor e de Terra


Quinta-feira, Novembro 26, 2009

ÚLTIMA CARTA

.
.
Escrevi-te
como quem pedia água
de que nunca terás sede;
como quem dá
a certeza do Azul
nos dias mais cinzentos;
como quem se dá
na certeza
da troca
que nunca virá.
Escrevi-te
e chamei-te asa
como quem diz
nuvem
e disse viagem
como quem diz
rio
e fogo
e dor...
desta vez, porém
escrevo-te
e chamo-te
longe
como quem diz
lágrima
e despedida!...
.
Maria Mamede
posted by De Amor e de Terra at 5:38 PM
.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

E POR FALAR EM OLHOS... - Maria Mamede

De Amor e de Terra


Sexta-feira, Janeiro 01, 2010

E POR FALAR EM OLHOS... 

,

Olá !
Com votos de um 2010 cheiinho de realizações para todos,
mais alguns pequenos poemas deste "ora-nado".
.
.
quero-te chuva
caindo
no meu corpo
quero-te brisa
afagando
meu rosto
doçura
de sorriso
deslumbrando
meus olhos


.
pousam em ti
os pássaros da noite
que chega
enquanto
incandescentes
os da manhã
vindoura
preparam o voo.

.
dei-te
meus olhos a beber
tu
pássaro calado
fizeste cair
chuva de prata
iluminando
meu caminho
.
.
posted by De Amor e de Terra at 12:15 PM
.
.

Sábado, Janeiro 09, 2010

E POR FALAR EM OLHOS... (ainda) 

.

deixo-te
descubro-me
outro lado de ti
sombra
noite
então fico
pássaro calado
bebendo
em teus olhos
a mágoa
da saudade
.
.
Maria Mamede
posted by De Amor e de Terra at 1:44 PM
.
.


.
.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

"E por falar em olhos..." - Maria Mamede

De Amor e de Terra


.

Segunda-feira, Dezembro 21, 2009

.

De um novo livro, a que chamei :-"E por falar em olhos..."
alguns pequeníssimos poemas, sem título.
,
Abraço a todos Amigos e Amigas, de quem tenho andado muito fugida, com votos de
.
BOAS FESTAS.

Beijos
.
Maria Mamede
.
.
"pediste-me palavras
as que queria
dizer-te
perderam-se
na névoa
sozinhas de mim
tanto queria
dar-te
essas palavras
mas no fundo
dos teus olhos
há abismos
intransponíveis
por onde elas
escorrem"
.
.
"foram o mundo
porém
teus olhos
quiseram-me rio
veio o inverno
e em seu caudal
imenso
naufragamos"

.
.
"tua boca
fonte de outrora
é hoje
eco dos silêncios
que teus olhos
deixaram
nos meus"
.
.
Maria Mamede

Quinta-feira, Novembro 26, 2009

.

ÚLTIMA CARTA 

.

Escrevi-te
como quem pedia água
de que nunca terás sede;
como quem dá
a certeza do Azul
nos dias mais cinzentos;
como quem se dá
na certeza
da troca
que nunca virá.
Escrevi-te
e chamei-te asa
como quem diz
nuvem
e disse viagem
como quem diz
rio
e fogo
e dor...
desta vez, porém
escrevo-te
e chamo-te
longe
como quem diz
lágrima
e despedida!...
.
Maria Mamede
.
posted by De Amor e de Terra at 5:38 PM
.
.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

D'Ali e D'Aqui

De Amor e de Terra disse... 
.
Tanto o quadro, como a descrição de Eça, fazem-me um nó cá dentro que vai da garganta ao estômago, ou vice-versa... . E Ontem como Hoje, são sempre os mesmos a sofrer (ou quase)... . Beijo Victor Maria Mamede

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Pequena Poesia de Maria Mamede

Quem vê e sabe?!
Talvez somente
quem não vê
mas sabe
e dentro de si
o lê!...
.
M.M.
(Bj)
.



--- Victor wrote:

Quem vê as palavras e sabe lê-las? E quem vê e sabe, o que Vê e Sabe? (The Invisible Man & ET)
.
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Saudade - Maria Mamede

OBRIGADA, meu Amigo! Um pequeno Poema, como agradecimento, da minha fase Medieval...
.
SAUDADE
.
Tantos rios na paisagem!
Só um é meu por direito
só um me dá a passagem
pra esse portal estreito
onde outra vida me espera...
ai Meu Amigo, quem dera fossem os rios no peito...
ai Meu Amigo, quem dera fosse de rios meu peito!...
.
Maria Mamede (Abraço de Luz)
.
.
Em resposta a

Perfume de Mulher - Tango

no Galeria & Photomaton
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sábado, 12 de setembro de 2009

Aceite, por Maria Mamede


RE: Olá, Maria :-)
Data: 12/Set 21:28

ACEITE!!!

Ainda que a minha inaptidão para estas coisas, vá causando atrasos, desvios, perdas, acabarei por responder.
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Gosto de ti Amigo; gosto do que me dizes e do que escreves.
.
E ainda que tanta vez falte ao que quero fazer, sempre acabo por cumprir (ou quase sempre).
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Beijo
Maria Mamede


Dum novo livro a que dei o nome de "MÃOS" e sairá algum dia...
.


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Nas mãos
a ternura do orvalho
nas corolas
e na face...
e os dedos
caminhantes
sem destino
seguindo os trilhos
dispersos
abrem sulcos
de amor
nos afagos de aurora!...
.
Maria Mamede (hi5, FaceBook e Clube *****)

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Fotomontagem das mãos de Victor Nogueira, pormenores de fotos tiradas por outrem

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sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Quadras de Maria Silvestre e Maria Mamede

"Maria Papoila (1)":
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2 comentários:

De Amor e de Terra disse...
.

O amor, tem mil 'stações
todas passam, todas vão
mas ficam nos corações
cinzas da nossa paixão...
.
e se a paixão tem papoulas
nas campinas da existência
traz no peito, como rolas
desejos em efervescência!...


Bjs.

Maria Mamede

.
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Maria Silvestre disse...

Papoilas semeiam na vida
desejos em efervescência,
mas esta triste casmurra
com eles perde paciência
.
Não aprendi, não sei rimar
e por isso não peço perdão,
as papoilas sempre renascem
em cima ou debaixo do chão
.
O nosso amigo Victor sumiu
deste para melhor reino,
cá esperamos até ver sair
a sua alegria do inferno

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De lá do inferno ou do céu,
só queremos que ele volte
e nos reanime as parvoeiras,
que nós andamos num virote!

.
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domingo, 9 de agosto de 2009

Cantiga de Amigo - Maria Mamede

Sábado, Fevereiro 28, 2009

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CANTIGA DE AMIGO

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* Maria Mamede
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Quem dera meu cavaleiro
fosse esta a cidade
de muralhas interditas
a tudo que é inimigo...
e que dera meu Amigo
fosse minha, fosse vossa
pra que esta cousa nossa
a pudesse eu ofertar
ao Deus que olha por nós...
como eu queria estar a sós
convosco, ó meu senhor
e quanto bem vos daria...
tudo que em mim principia
é somente um bem-querer
sem conta e sem medida;
por vós eu daria a vida
de bom grado, cavaleiro
só vós sois o amor primeiro
desta dama, que sem vós
morreria no intento
de achar poiso seguro;
só vós sois o escudo, o muro
que me guarda da maldade
só vós e esta cidade
onde vos dei o meu ser;
por isso, se aqui morrer
deixai meu corpo na bruma
pois esta, como nenhuma
é diversa na beleza...
a esta será devida
saudação e romaria
pois que aqui principia
minha chegada e partida...
ó meu senhor cavaleiro
dono do meu coração
dono de mim, em verdade
se eu morrer nesta cidade
dai meu corpo a este chão!...
.
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in Blog De Amor e de Terra
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quinta-feira, 10 de julho de 2008

Convívio entre Abril e Maio (13) - Até ao lavar dos cestos ... (1)


Building a rainbow de Tito Salomoni
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* Maria Mamede

Maria Mamede


Olá!

Sei que ando fugida, mas a AMIZADE, essa continua intacta e não me esqueço de quem nunca se esquece de mim.

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Por isso, aqui vai um pequeno Poema, para pedir desculpas das minhas frequentes ausências.


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Maria Mamede


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NÃO SEI SE INVENTO...

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Não sei se invento ou se existem

tantas palavras diferentes

para dizer que te amo...

não sei se invento!

Não sei se digo ou se calo

tudo o que me vai na alma

em palavras...

o gesto

esse, tanta vez fica por dizer

que nem sei se o invento!

Então

invento cartas

que deixo esquecidas

no banco da praça

ao pé do chafariz

esperando que alguém tas entregue

mesmo sabendo

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Maria Mamede

(in "No Cais do Tempo")

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quarta-feira, 9 de abril de 2008

Convívio do Movimento e Contraste - Extra - Poesia de Maria Mamede

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* Maria Mamede
ter 04-09-2007 19:59
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ABRIL

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Dei-te meu corpo de lua

E desejos de viagem

Fiz a noite sempre tua

Dei-te meu corpo de lua

Dei-te o barco e a coragem...

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Dei-te o mar da existência

E uma vida de aventura

Do sol a incandescência

E a mim, presente-ausência

Da saudade que tortura...

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Dei-te meu corpo de bruma

Nos brocados do anil

Aragem, coisa nenhuma

Dei-te meu corpo de bruma

Nas alvoradas de Abril!...

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Maria Mamede

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CAMINHOS

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Hoje eu vou cantar os caminhos velhos

De passos antigos

Doutros tempos

Caminhos

Entre muros pardacentos

Com passos perdidos na memória

Caminhos

Com e sem história

Nos vales, nas montanhas, nas ravinas

Caminhos

Feitos caminhando

Por gente

Que partindo ou chegando

Os forma, os transforma

Os ostracisa

Caminhos

De que a gente precisa

Ou esquece

Na maior simplicidade;

Caminhos

Vielas na cidade

De medo, de fado, de ganância

Esconsos caminhos

De abundância

Nas avenidas da iniquidade...

Vielas

Ruas paralelas

Às praças do poder e do dinheiro;

Caminhos

Do ócio sorrateiro

Tortuosos, deprimentes

De palavras dias por entre entes

De navalhas sibilinas

Do pó da perdição

Adulto calvário de meninos e meninas

Caminhos

Da destruição...

Hoje canto ainda

Os caminhos

Dum novo Apocalipse

De tempestade de trovões

Espadas de fogo

De mágoa

Do início e fim de gerações;

Águas invadindo o caminho estreito

Mares de água

No Rio que transborda do seu leito...

Caminhos de purga

O Calvário

Com quedas, Cireneu, Cruz e Sudário

Lanças torturas e esponjas de fel;

Hoje

Só caminhos vou cantar

Peregrinos caminhos

Na procura da Paz

O Graal dos sábios

Caminhos

De nome derradeiro

Nos meus lábios

No tempo de partir

Para chegar!...

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Maria Mamede

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ABRIL DAS ÁGUAS MIL

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Quando foi Abril, no tempo certo

De esperanças mil, de ideais

Cada um de nós foi muitos mais

E Abril se abriu;foi tempo aberto...

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Quando se diss'Abril ao mundo inteiro

Nesse Abril d'águas, choveu flores

E arderam paixões, fogo de cores

Nesse Abril, pra muitos o primeiro...

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E choveu águas mil, nos corações

Águas de paz, sem dor silente

Águas dum futuro conquistado...

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Mas depois, só choveu desilusões!

E o Abril, de novo mais descrente

É outra vez às águas condenado!...

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Maria Mamede

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COMEMORAÇÃO

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Estamos quase a chegar a uma data "marco", passado recente da História do nosso País...

Por tal motivo, deixo-vos aqui uma Carta; alguns já a conhecem, pois já me ouviram dizê-la em Noites de Poesia; outros já a possuem; ofereci-a a várias pessoas, a quem ela agradou e ma solicitaram; hoje, quero partilhá-la com todos (as) quantos (as) sentem como eu senti, quando a escrevi há 10 anos atrás e continuo a sentir (infelizmente) volvido todo este tempo...

Salve-se a Esperança!

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1ª CARTA A ZECA AFONSO

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QUEIXAS

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Zeca,

Que tristeza pensar que foi loucura

Lutar tanto tempo, se afinal

O esquecimento desfez toda a amargura

Todo o sofrimento e todo o mal!

E sofreste tu, por teres cantado

As lutas que devíamos lembrar

E por teres rido e por teres chorado

Por quem tinha medo de falar...

Ó como dói ver que nas campinas

Vergadas por jugos diferentes

Continuam ceifando as Catarinas

Mas mais conformadas, mais descrentes...

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E o choro contido nas palavras

Histórias que trazemos, já contadas

Memórias que não riso, mas pena...

Ai a dor de serem de novo escravas

As gargantas já antes libertadas

Quando cantaram a "Grândola Morena"!

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E esta imensa dor de ver traídos

Os ideais de Abril, renovação

Desse Mês-País, que fez história!

São agora angústia e são gemidos

Os cravos vermelhos da Revolução;

Mais um Alcácer de Bruma na memória!...

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Zeca,

Toma os meus olhos, são fontes sem água

Donde brotaram jorros de alegira

Na liberdade das paixões a arder;

Ai meu Amigo, esta imensa mágoa!

Nosso País, mais uma vez se adia;

Toma os meus olhos, que eu não quero ver!...

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Maria Mamede

ter 04-09-2007

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Foto/Logotipo de Olho de Lince em - Oficina das Ideias

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quinta-feira, 13 de março de 2008

Convívio do Movimento e Contraste (6) - Maria Mamede - 4 poemas


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· Maria Mamede

qua 05-03-2008 23:40

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DE AMOR E DE TERRA

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De que raças sou, fui e serei?
De que cores e credos, de que sortes?
Quantas vidas vivi e viverei?
E morri e morrerei de quantas mortes?
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Quantos amores e sonhos e 'speranças
Quantos desesperos, quantas dores
E fui mãe ou pai de que crianças?
E quantos os tormentos, os horrores?
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Quantos filhos chorei, em tantas guerras?
Quantos filhos criei e fui feliz?
Quantos corpos, quantas águas, quantas terras
Toquei, beijei. amei e fui raíz?
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E quantas vezes ainda, pra me dar?
Quantas vidas ainda a renascer?
E quantas bocas ainda, pra beijar?
E quantas mortes ainda, pra morrer?
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Entanto conformada, canto o fado
A sina, a missão, a dor que berra
E tenho mariposas a meu lado
Feitas como eu, de Amor e Terra!...

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Maria Mamede
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BRUMA
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Místico o nevoeiro se aproxima
vai envolvendo tudo em seu redor
e eu, também m'envolvo em neblina
nesta ancestral procura do amor...
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névoa muito profunda e glaciar
quando o seu amplexo me procura
serenamente me deixo abraçar
quase letal, e quase criatura...
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névoa! Baú de meus mistérios
de quanto já foi meu e eu perdi
ou que deixei além, envolto nela...
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das Celtas raízes, desidérios
dos mundos que amei e que esqueci
mas donde às vezes, sou janela!...
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Maria Mamede
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DORMIR
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...E tudo é silêncio, na casa vazia!
tudo emudece, tudo silencia
que o calor humano, nada o detém;
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foi-se o tempo farto de gente, de milhos
foram-se à vida, outra vez, os filhos
e na casa, grande, não fica ninguém!
.
Fui-me embora eu, pra dentro de mim;
e que ninguém me diga :-"não fiques assim!"
como hei-de ficar na casa silente?!
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Não abro janelas, a luz é vedada
não quero sair, nem comer, nem nada
mas dormir eu quero, dormir é diferente!...
.
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Maria Mamede
.
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PELO S.MARTINHO
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Não fora o castanheiro ao pé da porta
e o Outono seguiria seu caminho
no calendário, e eu, absorta
Nem recordaria o S.Martinho...
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Antigamente, era rija a festa!
Castanha assada, regueifa, vinho novo
Poucas mais tinha como esta
Durante o tempo frio o nosso Povo.
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Que saudades deixa a nossa infância!
Que tempos de alegria em abundância
Por ser sem cuidados os caminhos...
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Como foguetes no ar, as ilusões
Estrelejam em nossos corações
E nas gargantas, pelo S. Martinho!...
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Maria Mamede
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NOTA da AUTORA


Ora então muito boa noite ao meu Amigo

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Como vem sendo costume, chego com atraso, mas como ainda não estamos na meia noite, apesar de já não faltar muito, estamos portanto e ainda no dia 5 de Março, o que quer dizer, a tempo de enviar um poema para este novo Convívio.

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E posto isto, vamos lá ao resto...

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Esperando que sirvam, envio um bj de muita Amizade.

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Foto/Logotipo de Olho de Lince em Oficina das Ideias

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sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Maria Mamede - 4 sonetos

* Maria Mamede
.
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ESPERA

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A aconpanhante dor, a dor serena

que bate em gelosia, no meu quarto

é doce feiticeira que me acena

com paraísos, pra onde não parto...

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e vem ao meu olhar mostrar a cena;

promessas de sucessos retumbantes

que minh'alma crente e tão alhena

consegue acreditá-la, por instantes!

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Porém chega, forte, a realidade

e meus olhos distinguem a verdade

contida na ilusão que ela dá;

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e ficam olhando o paraíso

da verdade que sonho, que preciso

à espera que ela chega, amanhã!...

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DIZER DO AMOR

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Não te amo no acto consciente

de rubros amores, paixões tardias

amo-te naquelas sinfonias

que irmanam corações, taõ de repente...

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não te amo no acto resistente

de querer o amor, a todo o custo

amo-te no remorso e no susto

de ser pecador e penitente...

.

não te amo em actos de paixão

antes, serena, te pego pela mão

e te levo a campos verdejantes

.

onde os dois, libertos desta vida

somos a Natureza e de seguida

regressamos ao que fomos, antes!...

.

.

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ALÉM DA MORTE

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Ergo minha taça aos meus amores!

e brindo por quantos me disseram

que me queriam bem, por suas dores

que pude aliviar, quando as tiveram...

.

ergo minha taça transbordante

de desejos de Paz de eterno Amor

que a vida, tal como o espumante

perdendo a espuma, perde seu sabor...

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brindemos todos, taças levantadas

pelas vidas, perdidas e achadas

nas fronteiras da Luz, sem passaporte...

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brindemos! Tudo passa de repente

e amanhã, já não seremos gente

só almas, que vão além da morte!...

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AMANHÃ

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Quando em mim se enrosca esta agonia

de dor lancinante e sem sossego

é a ti que me agarro e apego

para ouvir:-"Amanhã é outro dia!"...

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Quando a noite chega e é fantasia

Num sonho que não quero e que renego

tu dizes:-"Amanhã, é outro dia!"

E a ti me agarro e apego.

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Não tires a mão da minha mão

não deixes de ser a condução

que necessito pra seguir confiante...

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não te apartes de mim, ando sem norte

nesta vida sê meu braço forte!

Vai negra a noite plo futuro adiante!...


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Maria Mamede
De Amor e de Terra
seg 27-08-2007 14:47
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