
Magritte - A condicão humana- 1935
* Maria Silvestre
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do Blog Silvestre
13 Agosto 2008
Libido nocturnal
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Abre-te, noite!
abre-te ao néctar do amor.
Deixa a imaginação fluir
pelo rio dos corpos afogados
na alegria deliciosa do prazer.
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Enquanto o dia dorme
a embriaguez é infinita;
a natureza brota,
cai o véu da culpa,
a verdade grita!!...
e expande-se em luzes mil.
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Os lábios procuram a alma da terra
e sorvem o céu
na água caída da tua boca.
O sonho invade e derruba o abismo
soberano do castelo da razão.
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A música emerge das carícias,
penetra no ventre da terra,
atrai o fogo à pele da vida
que se desmancha e dança
na loucura do prazer etéreo...
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A inteligência erótica
saboreia no espírito da noite
o vinho da sabedoria
do feiticeiro da libido.
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O medo é açoitado
pelas mãos da coragem,
enquanto a ousadia abraça
o infinito imprevisto.
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E quando a Lua se mostra...
os fios da noite entrelaçam-se
no ritual do delírio:
_ondulam em torno da Terra
e assistem ao parto da magia.
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1987
Publicada por Maria Silvestre em 19:00
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CAMÕESFogo no olho cego
e no coração queimado,
esperança nos cabelos
e no sentimento,
ânsia nos lábios
onde brota a fonte
da verde Leanor,
derrame de sangue,
inferno dos teus louros.
Mas os espíritos
elevam-se no teu corpo,
descobrem-te a alma
em batalhas secretas
e com a paz no horizonte
fixam morada na tua noite.
Junho de 1980
(retrato pintado)
Publicada por Maria Silvestre
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* Maria Silvestre
Quanto ao poema CAMÕES, hesitei muito na sua edição porque o acho minúsculo face à genialidade de quem refere.
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Mas como era apenas a descrição dum retrato pintado, lá me atrevi.
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Se gostar e quiser, pode anexar o LIBIDO NOCTURNAL ou qualquer um dos outros que, pouco a pouco, irei publicando.
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Raras pessoas sabem que eu escrevo e pouquíssimas leram alguma vez um poema meu.
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A primeira série consiste em pequenos textos escritos na contemplação de pinturas que há muitos anos inventei, daí ter começado com um texto, cuja pobreza asssumo, que resume a minha relação, já longínqua, com a prática da pintura. A maior parte das imagens não podem aqui ser apresentadas porque as ofereci a pessoas de família e amigos. As outras estão na casa onde nasci. Um dia lá irei fotografá-las e colocá-las-ei junto aos que as descrevem.
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O amor, tem mil 'stações
todas passam, todas vão
mas ficam nos corações
cinzas da nossa paixão...
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e se a paixão tem papoulas
nas campinas da existência
traz no peito, como rolas
desejos em efervescência!...
Bjs.
Maria Mamede
Papoilas semeiam na vida
desejos em efervescência,
mas esta triste casmurra
com eles perde paciência
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Não aprendi, não sei rimar
e por isso não peço perdão,
as papoilas sempre renascem
em cima ou debaixo do chão
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O nosso amigo Victor sumiu
deste para melhor reino,
cá esperamos até ver sair
a sua alegria do inferno
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De lá do inferno ou do céu,
só queremos que ele volte
e nos reanime as parvoeiras,
que nós andamos num virote!