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domingo, 16 de janeiro de 2011

" MANIFESTO PEQUENO - BURGUÊS " por Carlos Rodrigues

a Domingo, 16 de Janeiro de 2011 às 15:30

“ MANIFESTO PEQUENO – BURGUÊS



E, depois, um dia destes ou outro qualquer,

Direi do inconcebível Hoje a inconsequência das palavras

E, dos gestos adiados, acusarei o tempo,

Confirmando o descontentamento nas Repartições,

E a falta de Amor ao próximo, nos Mercados,

Culparei o abandono da Ética, em geral, pelo descalabro

E focarei na reabilitação dos passos perdidos a minha principal preocupação,

Rasurando, nas entrelinhas, o retratar atávico

De tudo o que não fizemos e justificando a minha ausência

Dos terreiros da liça, com um entorse no dedo indicador

Que me impede de premir o gatilho

E disparar qualquer acção concreta.



Criarei, mesmo assim, jogos de computador,

Com espingardas virtuais e veículos anfíbios

capazes de vencer as barreiras líquidas do senso comum

E impedir o avanço terrestre dos clones.

Contra a crise que tanto atinge uns, como engorda outros,

Apontarei o ambiente poluído e a falta de oxigénio nas ideias,

E forjarei soluções heróicas, perfeitamente utópicas,

Não me esquecendo sequer, no sentido inovador e globalizante

Pelo qual nos devemos pautar,

De promover um abaixo - assinado universal

Contra mim próprio, sem contudo deixar de cumprir

O meu dever cívico, oferecendo o meu voto esclarecido à pessoa errada.



Na devida altura ou mais tarde

Escreverei um Poema épico,

Virado para o mar

E partirei, ciente da certeza do meu despropósito,

Em busca do Eldorado, rumo à India, pelo Ocidente,

Onde não pararei até encontrar um Prestes João que me compre a dívida.

Aproveitarei, de algum modo, o excesso populacional

Para passar despercebido e lamentar, livremente,

Que o dia de hoje tenha passado aqui

Sem que eu lhe tocasse.



Na manhã seguinte castigar-me-ei, rapando o cabelo,

Recusando, contudo, por uma questão de princípios,

A capa laranja do novo Hare – Krishna, que me oferecem.

Por fim potencializarei, sem mais delongas, a minha estatura,

Baixo – média, até uma dimensão infinita

E leiloarei as dúvidas, a dádiva e a dívida

Pela melhor oferta, apagando o Ego, com promessas novas

Que me permitam continuar a não existir.



Ou então…pois… ou então… vou-me Qatar.



Carlos A.N. Rodrigues – 16 de Janeiro 2010

 .(...)
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Victor Nogueira
Gostei, Carlos, imenso.
Deixo-te três manifestos em troca:

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