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sábado, 2 de fevereiro de 2008

Convívio do Tempo ... (21) - «Tarde de Verão.»


* Virgílio Torres
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Uma leve brisa de ar percorre a montanha levando os habitantes de uma próxima povoação a reunirem-se de emergência por debaixo do velho salgueiro, à porta do café germinado.

Finda a hora do almoço, Pedro descobre duas das suas ovelhas totalmente remoídas. Se o rebanho tivesse mil cabeças era motivo provável para nem se preocupar. Há comida para nós e para eles, iria pensar.

Por obra da natureza o ataque fora planeado para treze ovelhas, que no seu reduto proporcionavam o acrescido ganha-pão ao mestre Carpinteiro.

João, velho Ansião, negociante e contrabandista de profissão havia declarado o estado de emergência. Há que contactar aqueles que regem as leis naturais da coabitação Homem-Bicho, apelou.

Seria de esperar, após uma fervorosa troca de ideias, um ataque em massa (respeitando a ideia do autor), com batedores experientes, aos causadores da imensa tragédia, mas não.

Impôs-se o bom, ânimos acalmados.

Com o auxílio dum lápis de refugo, de umas palavras desenhadas e frases bem construídas, foi redigida a missiva à autoridade regulamentadora.

Pedro sente-se mais calmo, e claro está, qualquer tostão que venha será sempre bem-vindo. Embora escasso poderá vir a remediar a compra de um borrego, ou mesmo os dois.

A época do ano não era favorável.

O Outono aproximava-se…

O Outono veio e com ele o esquecimento.

Desfeita a reunião, emitida e enviada a carta, declarou-se o fim do trabalho selado com duas fatias do outro presunto e um tinto fresco, para manter saúde.

Já a geada cortava quando a tragédia bateu à porta.

O Inverno chegou, e com ele a morte de mais umas quantas canhonas. Seis no total, repartidas por Pedro, duas novamente, Zé da Montanha três e João com a restante.

Deveria ter chegado uma resposta mas nem por ela se ouviu.

O estado de emergência fora novamente declarado.

Com toda a população abrigada em frente ao café, sob uma potente trovoada, foram apresentados os factos. Ouviram-se opiniões chegou-se ao consenso. Tomada a decisão.


Veio a madrugada e os sinos a rebate.

Uns e outros chegavam lentamente.

Agasalhados e abrigados da chuva em deslocação ao centro.

Marcas de sangue na ponte velha pareciam setas, a indicar o caminho a percorrer.

Olhos expectantes e arregalados contrastavam com os rasgados e brilhantes de quem tinha feito a proeza.

O Salgueiro era deus, o tampo de granito o altar e em cima, a merecida recompensa de quem arriscou a vida por umas quantas ovelhas.

21 de Setembro de 1997--
Publicada por Vergilio Torres em banhosdecinza a 10/22/2007 12:40:00 AM
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qui 03-01-2008 18:28.
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NOTA DO AUTOR

Caro Vitor Nogueira, desde já um agradecimento pela publicação deste pequenino conto transmontano. Aproveito para agradecer o facto de ter baptizado o conto como Tarde de Verão. Muitas das vezes precisamos daquela visão exterior para contextualizar objectivamente o que se pretende descrever. O "título" Ao óbvio não é mais que uma pequena brincadeira, para que essa mesma visão exterior possa de facto baptizar o texto. Sinceramente o agradeço. Para finalizar, nunca tinha pensado em Tarde de Verão, o que sinceramente me apraz! Obrigado.
Sem qualquer formalidade, um abraço.
Saudações literárias

Vergílio Torres

sáb 02-02-2008 15:54

1 comentário:

efeneto disse...

Sábado, 14 horas, pego no meu teclado a gasóleo e aqui estou eu a agradecer a sua fidelidade. Obrigado por me terem embebedado de tanta amizade.
Para o ano há mais e conto com todos vocês. Um bem-haja a todos.
Vamos voltar às palavras e deixemo-nos de lamechices.
Abraço aos amigos e beijos ás damas.


A duplicar...hehehe...Abraço.