Viva a Vida !

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quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Poesia de Maria Silvestre (1)

Magritte - A condicão humana- 1935

* Maria Silvestre

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do Blog Silvestre

13 Agosto 2008

Libido nocturnal

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Abre-te, noite!
abre-te ao néctar do amor.
Deixa a imaginação fluir
pelo rio dos corpos afogados
na alegria deliciosa do prazer.
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Enquanto o dia dorme
a embriaguez é infinita;
a natureza brota,
cai o véu da culpa,
a verdade grita!!...
e expande-se em luzes mil.
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Os lábios procuram a alma da terra
e sorvem o céu
na água caída da tua boca.
O sonho invade e derruba o abismo
soberano do castelo da razão.
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A música emerge das carícias,
penetra no ventre da terra,
atrai o fogo à pele da vida
que se desmancha e dança
na loucura do prazer etéreo...
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A inteligência erótica
saboreia no espírito da noite
o vinho da sabedoria
do feiticeiro da libido.
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O medo é açoitado
pelas mãos da coragem,
enquanto a ousadia abraça
o infinito imprevisto.
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E quando a Lua se mostra...
os fios da noite entrelaçam-se
no ritual do delírio:
_ondulam em torno da Terra
e assistem ao parto da magia.
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1987

Publicada por Maria Silvestre em 19:00

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CAMÕES

Fogo no olho cego
e no coração queimado,
esperança nos cabelos
e no sentimento,
ânsia nos lábios
onde brota a fonte
da verde Leanor,
derrame de sangue,
inferno dos teus louros.
Mas os espíritos
elevam-se no teu corpo,
descobrem-te a alma
em batalhas secretas
e com a paz no horizonte
fixam morada na tua noite.


Junho de 1980
(retrato pintado)

Publicada por Maria Silvestre


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* Maria Silvestre

Quanto ao poema CAMÕES, hesitei muito na sua edição porque o acho minúsculo face à genialidade de quem refere.
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Mas como era apenas a descrição dum retrato pintado, lá me atrevi.
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Se gostar e quiser, pode anexar o LIBIDO NOCTURNAL ou qualquer um dos outros que, pouco a pouco, irei publicando.
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Raras pessoas sabem que eu escrevo e pouquíssimas leram alguma vez um poema meu.
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A primeira série consiste em pequenos textos escritos na contemplação de pinturas que há muitos anos inventei, daí ter começado com um texto, cuja pobreza asssumo, que resume a minha relação, já longínqua, com a prática da pintura. A maior parte das imagens não podem aqui ser apresentadas porque as ofereci a pessoas de família e amigos. As outras estão na casa onde nasci. Um dia lá irei fotografá-las e colocá-las-ei junto aos que as descrevem.
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1 comentário:

De Amor e de Terra disse...

Olá Victor; gostei muito, mesmo muito da poesia sensual desta Amiga, que aqui me (nos) dás a conhecer.Parabéns aos dois. Mesmo o pequeno poema sobre Camões, mostra sensibilidade espiritual e domínio de palavras.
Beijo

Maria Mamede