Viva a Vida !

Este blog destina-se aos meus amigos e conhecidos assim como aos visitantes que nele queiram colaborar..... «Olá, Diga Bom Dia com Alegria, Boa Tarde, sem Alarde, Boa Noite, sem Açoite ! E Viva a Vida, com Humor / Amor, Alegria e Fantasia» ! Ah ! E não esquecer alguns trocos para os gastos (Victor Nogueira) ..... «Nada do que é humano me é estranho» (Terêncio)....«Aprender, Aprender Sempre !» (Lenine)

terça-feira, 21 de agosto de 2007

D’ O Cantinho da Zé …


















«Encontrou-me » a Zé no Reyno do Algarve,«ao (es)correr da pena e do olhar», pelo que resolvi fazer uma visita de cortesia ao seu «Cantinho», um blog simples, arrumadinho e bem humorado. Foi lá que travei conhecimento com a Paloma! Imagino-vos a perguntar como eu para mim mesmo ! Paloma? Porquê Paloma? E com o consentimento da Zé aqui vai um bocado da História da Paloma. Calma. A Zé vai de seguida apresentar-vos aquela desconhecida de quem temos estado a falar. Tudo começou Na Mouraria !

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18 08 2007

.Zé - Na Mouraria a Paloma foi atacada por dois gatos. Quais carraças gigantes, colaram-se-lhe um ao peito e o outro às costas. Foi terréfico! Poderia ser levada a pensar "desta vez ela aprendeu a lição!" Agora cá! Quando chegámos ao veterinário foi logo ter com um gato que por lá estava. A Paloma será sempre a Paloma..
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VN – Até aqui continuamos sem saber quem é a pobrezinha selvaticamente atacada por dois gatos, ainda por cima fadistas ou marialvas. Mas lá que deve ser um personagem de forte personalidade, parece não haver dúvida, atendendo ao fecho determinado, claramente afirmativo, da explicação: «A Paloma será sempre a Paloma» Porquê Paloma? Bem, depois tive a resposta, o que desfez a minha ideia inicial de ser um pássaro ou talvez mesmo um quadro do Picasso ou mesmo uma espanhola, «hermana nuestra». Mas não, o personagem desta história é, imaginem lá, Não adivinham? Pronto, não fiquem ansiosos. A resposta certa é …. uma cadela! De qualquer modo Paloma faz imaginar uma cadela pequena!
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É ? Deve ser, pois fala a Zé em dois gatos como carraças gigantes ... No Porto lembro-me que os gatos eram gordos e e anafados, vagueando pelos telhados, mas cá para o Sul são minorcas e magrinhos, tal como em Luanda, apesar de comerem bem. Lá em casa dos meus pais, cães e gatos davam-se como Deus com os anjos e chegavam a comer no mesmo prato, ao mesmo tempo.. Mas também andavam à solta, por onde queriam, pelos telhados, na rua ou pelo quintal. Claro que os cães não eram alpinistas e por isso não se aventuravam pelos telhados.
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Imagino a cena da Paloma com duas carraças gigantes e ainda mais de garras afiadas. A insistência dela só prova a sua indomável e forte personalidade na afirmação das suas ideias e confiança na coexistência pacífica e a sua crença na multiculturalidade inter-racial, no reyno zoológico. Sendo assim presumo que ela não se atira aos peixes no aquário ou aos canários na gaiola! Ou estou enganado e ela chama-lhes um figo? Vai daí esclareceram-me, esclarecimento que estou a transmitir-vos.
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Zé -A Paloma é a cadela mais pacífica do mundo, daí o nome. De início, como é toda preta, eu chamava-lhe Peste Negra… Mas não tinha nada a ver com ela e resolvemos mudar. Entretanto descobri que palomita quer dizer pipoca, o que também tem a ver com ela (,,,) Ela não ficou magoada, eu é que me preocupei porque com gatos vadios nunca se sabe. Ah! Esqueci-me de dizer que eram uns gatitos jovens. Mas assanhados.
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18 08 2007
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VN – É verdade que continuámos sem saber se a Paloma chama um figo aos peixes do aquário ou às canoras avezinha da gaiola. De qualquer modo comentei para a Zé que o seu (dela) post está com humor e dá para imaginar múltiplas cenas ou improvisar variados «contos». Em consequência perguntei se poderia transcrever a «Mouraria» no meu «Ao Sabor do Olhar», com os meus comentários e enviar-lhe como retribuição uma foto do Jack II, como se fosse um postal, olhando para o Brasil, que ficava mesmo em frente da nossa casa mas muito para lá , na secção dos postais, como se dum postal se tratasse. A resposta veio rápida, breve, altaneira, sintética, afirmativa.
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Zé - Victor, sim a tudo :-)

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VN – Descobri que havia mais textos no marcador «cadelas», enriquecendo deste modo os meus conhecimentos histórico-canídeos em …
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5 08 2007

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Zé - Agora tenho duas cadelas à minha responsabilidade. Mais diferentes não podiam ser. Uma é preta a outra é branca. Uma grande a outra é pequena. (1)
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A Bia é como os vaqueiros do Oeste Distante: ladra primeiro e pede festinhas depois. Só as pessoas que gostam muuuuiiiiito de cães é que lhe fazem festas. E mesmo essas pessoas, fazem as festas a medo.
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A Paloma, já se sabe, é a cadela mais pacífica do mundo. Vê uma pessoa, um cão, um gato ou um pombo e vai a correr para brincar. Já foi gravemente mordida mas nem passando um mês a coxear perdeu a mania de ser sociável.
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No meio [das fotos que ilustam aqui o post mas passaram para a abertura deste] está a pobre da Zé. (fim de citação)
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VN – Vai daí, sem qualquer maldade e graças à minha fértil imaginação, ri-me novamente de modo idêntico ao acima referido, que é escusado repetir. E também não pude deixar de comentar: « Essa da pobre da Zé no meio faz-me rir a bandeiras despregadas, ao imaginar a cena e e a tua bipresença, simultaneamente no meio delas e atrás da máquina fotográfica. Biaaaaaa! Olha o passarinho ! E depois, em velocidade supersónica, rodares sobre ti sem tropeçar nas pernas e sem te estatelares, dizeres: Palooooma ! Olha o gatinho! Ah ah ah Deu este maravilhoso e ridente par de fotos., que espero possa conseguir amigavelmente partilhar convosco !


Na abertura .....[Bia] .... [Paloma]

E não se esqueçam, vão ao Cantinho da Zé, que é muito encantador e fica em



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(1) E agora, em homenagem à Paloma, em conjunto bem afinado, cantemos todos "Lá vai uma, lá vão duas, três pombinhas a voar! Uma é minha, outra é tua e outra é de quem a apanhar"

Grato à Zé e ao seu Cantinho por se deslocarem ao »Sabor do Olhar» [Francamente ! Claro que não, claro que não é um restaurante. É apenas o nome deste blog . Safa, ele há cada um e cada uma ! Até parece que são da família do Obelix ! Um restaurante ….

Ficha Técnica

Produção conjunta O Cantinho da Zé Ao Sabor do Olhar

.........Argumento: O Cantinho da Sé (desculpem ... da Zé) e Ao Sabor do Olhar

Fotografia do anónimo especialista em fotografia Macro (Bolas, não é publicidade à Macro, é o nome dum dos tipos de lentes fotográficas)


Artista Principal: Paloma


Artista Secundária; Bia


Artistas Secundários: Dois Gatos Carraças da Mouraria


Artista Convidado: Jack II, O Marlon Brando


Música acompanhada à viola e guitarra por Gatos Fadistas Com Garras Afiadas Os Unidos Jamáis Serão Vencidos


Efeitos sonoros: Bia (Béu béu)


Realização do Cantinho da Zé Ao Sabor do Olhar


Produção de Kant_O_XimPi

FIM

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Grades e copos







* Antunes Ferreira


F
iapos esparsos semelhando escorridos de algodão sujo avançam sem grande vontade pelo azul álacre dum céu a precisar de retoques. Detrás das grades grossas de pau-ferro, Jacinto perscruta o horizonte, mãos enclavinhadas nos madeiros cruzados que parecem mais fortes do que se de metal fossem. Que porra de sorte a sua. Dois anos e picos de comissão, mato fora mato e, que sacanice, quando se chegava à cidade, uma puta duma emboscada e caçado à mão. Foda-se, que era pouca sorte.

Para trás ficavam recordações, muitas boas, algumas más. Lembranças e picadas, capim e saudades, terra vermelha e peles morenas e acetinadas, sangue e Macieira, burros de mato e leite em pó, funje e minas, batatas e camoquina, ligaduras e dolca, unimogs e bacalhau. E grão. E azeite. E vinho canforado. E vinagre. E jindungo, pica mas dá gosto. Ah, e quiabos. Que no Puto não há.

No chão de terra batida da cela está um prato de alumínio amolgado onde lhe puseram uma mistela de peixe seco com ervas boiando em óleo de palma espalhada por cima de arroz empapado. Frio. Também, com uma caloraça daquelas, que mal fazia se aquela bodega estivesse gelada, saída do congelador de uma geladeira imaginária? Esquadrilhas de mosquedo aterram na massa informe. Tem fome o Jacinto da Cruz Felperra, mas de outro manjar que não daquilo.

Está completamente desperto. Quando o tinham apanhado, ia ele a alapar-se na berma enlameada, zuniam tiros por toda a parte, levara uma porrada no toutiço e perdera os sentidos. Quando voltou a si, imerso numa escuridão bolorenta, doía-lhe a cabeça, mas não estava ferido. Apalpara-se para ver se tinha alguma coisa partida, um braço, uma costela, sabe-se o quê; apenas um galo no alto da cachimónia.

Por estas bandas o tempo é incerto, mais seguro no cacimbo, mais instável no calor com chuvas. E que chuvas. Portanto, não lhe admiraria que os farrapos que deslizam no astro, quais trenós em neve compactada, daqui a nada se transformem em borrasca de criar bicho. Mas, que raio de lembrança a dos trenós. Só faltavam as renas e o barbudo, e ainda nem sequer se estava no Outono.

Que aqui, Outono, Inverno, Primavera ou Verão pouco ou nada tinham a ver com iguais termos em Portugal. Cuidado, na Metrópole, já que ali, em Angola, também é. Uma Pátria una e indivisível, do Minho a Timor, nem mais. Nem menos, óbvio, isso queriam os comunas, roubar-nos as Províncias Ultramarinas, territórios sagrados que os antepassados ilustres nos tinham deixado – para que os guardássemos e acarinhássemos.

Vai-se fazendo noite, o pôr-do-sol alaranjado foi um ar que lhe deu. Tem a boca seca, e a sede ganha esporas. Fome, nada, basta olhar o prato para que, mesmo que a tivesse, ela se fosse e depressa. Não há garrafa de água, nem cântaro, nem bidon, nem caneca, nem sequer folha de palmeira que a agarrasse. Encosta-se ao quadriculado da janela e pede água em voz alta. Quase que berra.



Um preto claudica na sua direcção, saído de cubata mal amanhada. «Qué que você queres, seu portuga?» «Um pouco de água…» «Faz favor, também por cá usa, portuga.» Mancando, o homem volta para a cubata, onde entra, um tanto agachado porque a porta é pequena. Regressa com uma cabaça, entrega-lha por entre as grades. «Não gasta toda, tem de durar até amanhã», avisa-o, displicente.

Agora já é amigo?...

«Olha lá, amigo, e onde faço as necessidades?» O coxo olha-o enquadrado nas barras cruzadas. «Agora já é amigo?... Antes, turra…» Jacinto não sabe que fazer nem que dizer. Tem razão o gajo. (A gente a pensar que estes macacos eram todos burros. Olha-me só pra este. Amigo? Nem sequer conhecido, pensa ele e acertadamente). «Vai-lhe meter um balde e você fazes aí mesmo. Mas não chateia, senão mija e caga no chão…»

Está visto que assim não vai longe. Aliás a prisa nunca o deixaria ir onde quer que fosse, mais a mais com guarda ainda que manco. O homem não tem pinta de carcereiro. Mas, à bandoleira, traz uma kala, e dois carregadores redondos pendurados do cinto. O vestuário puído, está, porem, limpo, dentro do possível e do local, que não prima pelo brilho.

Outra ideia. Rosa pulcra. Na missa dos domingos, em pleno Inverno, o prior bufando do calor da braseira, faz um frio de rachar, afirmava-o com mais obrigação do que convicção. Jacinto bem gostava, agora, de voltar a experimentar nem que fosse uma vez apenas, aquela lida de sacristão que vivera durante um mês, no lugar do Pedro Carrapato que fora ajudar a mãe na azeitona.

Mas agora não se trata disso. Se as recordações são como os baloiços, vêm e vaiem, é melhor afogá-las para que não tenham um só sentido, pior que for apenas de vinda, sem volta. Porque ele quer voltar, ele vai voltar. Há um furriel miliciano, o Marques, que tem a mania de cantar sozinho, sem assistência, no banho de regador, mas em voz baixa, baixíssima, uma coisa que fala num soldadinho que vai numa caixa de pinho ou algo assim.

Porra! Ele vai voltar mas pelo seu pé, abrenúncio, cangalheiros e gatos-pingados não são para aqui chamados, caralho. Do bolso das calças rasgadas do camuflado sai como em passe de mágica de circo, um maço de AC, ainda que amarrotado. Está cheio, ou quase, pois antes do acontecido, ainda tirara umas fumaças, antes da cacetada. Há uns dois ou três cigarros partidos, é por um deles que começa.

Vai uma passa?

Não olha para ele, mas sabe que o seu guarda está de lâmpadas esbugalhadas olhando a pirisca. Como quem não quer a coisa, estende o braço entre os madeiros e na mão a outra metade do fumante. «Vai uma passa»? O coxo agita-se frenético, como aquele tipo de Manteigas que apanhara um raio que não o partiu, mas quase.

Claro que vai. «Tem lume»? O homem apanha um tição da fogueira já a cair para as cinzas e acende-lhe o meio cigarro, sé depois o dele. «Obrigado». E parece-lhe que se derreteu aquele bloco de gelo que o guerrilheiro era. «Olhe, portuga, não sabes quanto tempo eu leva sem fumar. Muito obrigado» reforça. Engole tanto fumo que se engasga e tosse escandalosamente.

«Pareço um miúdo que ainda não aprende como se fuma»… «Deixe lá isso, companheiro, a gente sabe o que são necessidades. Há quem diga que é um vício. A ser assim, é um pequeno, porque também há vícios grandes». E Jacinto ri-se da graçola que aprendeu já não sabe onde. «Patrício, eu chamo Kitombo João, andei na escola industrial na Huila, mas não lhe acabei».

«Pois eu sou o Jacinto da Cruz Falperra, natural de Moncorvo, Trás-os-Montes, se um dia lá for vai provar um buxo de se lhe tirar o chapéu, feito pela minha mãe, acompanhado dum verde tinto ainda melhor. Tiro e queda». «E o que é isso do buxo»? «É assim a modos que um chouriço mas mais gordo e sem tanta gordura. É de comer e chorar por mais»…

«Ó seu Jacinto, lhe gosta de burro do mato»? «Compadre, não me fale nisso senão começo para aqui a babar-me. Se gosto. Assado na brasa, com umas batatas metidas no borralho, com casca, é um vê se te avias. Burro do mato é melhor do que vitela. Um nada acima, só a posta mirandesa». O Kitombo ri-se, faltam-lhe três dentes, quase igual ao seu avô Faustino a quem já se foram quatro da frente. Tal como a este.


«Se tu me promete que não foge eu lhe abro a porta e vamos assar uma perna inteira. Cacei-o ontem, ainda está fresco, coberto com folhas de palmeira por causa das moscas. Tenho sal, óleo de palma e jindungo. Alho não tem. Mas não faz mal, não achas, portuga». «E eu ralado com o sacana do alho. Faz tanta falta como uma viola num enterro».

Não foge, seu Cruz

Agora sai uma gargalhada tonitruante, o João que também é Kitombo – raio de nome, mas o dele, Falperra também não é grande espingarda – quase cai no chão de tamanho gozo. «Não foge, seu Cruz» e vai abrindo a porta, levanta o travão que é um toro pesado, vê-se pelo esforço do preto. Jacinto sai, aspira o ar e dá-lhe uma mão para encostarem o tronco à parede de terra batida.

Não é uma trégua – é uma confraternização. Para eles a guerra não parou, já foi. «Se tivesse aqui o meu bornal outro galo cantaria» suspira o transmontano. «Olha tu, ó Jacinto, o bornal está ali, na palhota, no meio das tuas coisas que te tiraram quando te amachucaram o toutiço. Porquê»? «Já vais ver meu sacana». E corre a buscar algo de especial. Oxalá não se tenha partido…

Não partiu. É uma garrafa de uísque The Monkies, o alferes Daniel diz que quer dizer… E o Kitombo interrompe «quer dizer os monges, os frades, essa gente de hábito. Mas estes bebem-se…» É a galhofa. Entre risadas dedicam-se ao assado, vira daqui, torna dacolá, mais óleo, «não abuses do jindungo que pica como o caraças».

Jacinto, quase inconscientemente, repara que o seu companheiro de farra gastronómica já não fala pretoguês, antes um português correcto, sem pronúncia angolana. «Mas tu já pareces um branco a falar». «Não digas nada. Era a fingir para que não notasses. Eu nasci em Lisboa, pai incógnito, até andei a estudar na Fragata Dom Fernando. A minha mãe voltou com os cinco filhos e ficou em Sá da Bandeira. Onde teve mais três. Percebes»?


Está tudo esclarecido, percebidinho da costa, dá-lhe mais sal e, ainda assim, mais picante. O pernil rescende. Trescende. Coradinho por fora, sem estar queimado, de modo nenhum, e a garrafa vai-se esvaziando. Se outra houvesse. Há. Duas de Constantino que o Kitombo tinha guardadas para ocasião especial, sabe-se lá, boda ou baptizado, até mesmo velório.

Mais especial do que esta? Nada, não, impossível. «Sabes, voltei a Lisboa, estava no Sporting quando chegou o Dinis “brinca na areia” e vaticinavam-me um futuro no chuto. Ainda treinámos juntos. Numa manhã maldita, saltei do eléctrico no Lumiar e um carro apanhou-me, partiu-me a perna, ainda me operaram, mas já não havia Pattex que me consertasse. Fiquei assim, coxo para o resto da minha vida».

Fazer alheiras

Puta de vida. Jacinto adianta-lhe estórias da terra, dos nevões invernais, das castanhas. Kitombo – que, afinal, é Francisco, Kitombo é nome de guerra, o verdadeiro é Francisco João Neto – conhece. Foi uma ou duas vezes por lá, aprendeu a fazer alheiras. Um dia, deixo-me disto. «Quando Angola for livre e independente ainda vou ao Puto». «Espero-te lá, Chico, podes ter a certeza».

«É pá, ó Jacinto, tu vais-te pirar, antes dás-me uma trancada na moleirinha para disfarçar, apanhaste-me à traição… Mas antes despes o camuflado e pões outros farrapos dos meus. Mais: pintas o trombil com a cinza castanha, para pareceres preto e algum dos nossos te topar. Além do mais ainda a noite é uma criança, passas por patrício, com o barulho das luzes».

«Compadre, és um gajo porreiro. Comida feita, companhia desfeita. E bebida também. Estou mais do que zonzo, estou bêbado que nem um cacho…» «Eu também irmão. Mas tem de ser assim. Guerra é coisa péssima, mas é guerra…». Raio de fatalismo, não se pode mudar, mas melhores dias virão. «Chico, podes vir comigo até à picada grande, não vá eu perder-me de noite»?


«Posso, claro» E seguem os dois cambaleantes, arrimados um ao outro, amparando-se, uma risada pegada, a seguir vão separar-se, a picada é já ali, Jacinto terá de dar a cacetada no Chico, para fazer de conta, por causa das moscas. Silêncio – nada. Bem ao contrário.

Jacinto, por entre os vapores do álcool, lembra-se do final da cantiga do furriel. Desta vez o soldadinho (que vai num caixão de pinho) nunca mais se faz ao mar. Ele não tem nada com isso. Volta, direito, com a ajuda do Chico Neto, gajo porreiraço, não fosse ele. Param para um último abraço. O branco levanta o pau, o preto ri-se, não vai doer nada. Nisto, a rajada.

Os flechas saltam do capim da emboscada para a terra batida. Siô Inspector lerparam os dois, se acabou o cagaçal. Estão mortos mesmo, um atrás do outro, sangue os envolve, os irmana, já começa a empapá-los. Olha só patrício: esse preto é branco. Chamuscado.

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domingo, 19 de agosto de 2007

AO SABOR DO OLHAR

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* Maria Mamede
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E partimos assim
Ao sabor do olhar
Na esperança do encontro...
A paisagem espraiada
No azul (céu e mar)
Os olhos como pássaros
Saltando de galho em galho
E o corpo reverdecido
Florido
Como o pessegueiro
Que um dia plantei...
E há frutos à nossa espera!
E lagos
Que chorei antes
Muito antes
Em todas as vidas
Da procura...
Se ficas, não sei;
Eu, quedo-me
No encanto deste tempo
Uno
Em que o olhar
Tem sabor a abraço
E o beijo é partilha!...
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15/08/07
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Maria Mamede
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Há dois dias atrás, por causa do nome do teu Blog "Ao Sabor do Olhar", que achei muito lindo, escrevi o poema que te envio. Achei que talvez gostasses de o conhecer, já que foi motivado por esse mesmo título.
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Agradeço à Maria Mamede, mulher solidária, generosa e amiga virtual, e fico contente que o título do blog tenha servido de inspiração a este poema que publico. Gracias de novo. (VN)

sábado, 18 de agosto de 2007

O Ratinho e o seu desejo

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Autor - Susana Silva
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Uma vez comprei um pequeno livrito de histórias (bem) escritas por crianças. Comentei para a Celeste, a mãe dos meus filhos, que duvidava que crianças escrevessem daquela maneira. Vai daí, ela foi buscar os cadernos dos alunos que trouxera para corrigir, verificando eu que no texto livre havia histórias bonitas, imaginativas e bem escritas, pelo que me rendi à evidência.
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Da minha filha Susana ficaram-me muito poucos textos após o divórcio. que se perderam. Este é um dos «salvados», escrito quando tinha 9 anos.
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Foi dactilografado por mim a partir do manuscrito. A assinatura foi por ela dactilografada
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Victor Nogueira

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

AÍ VEM A AURORA...

* Maria Mamede

Quando penso na última viagem
E meu cabelo se agita, pela aragem
Que se levanta na espera de embarcar
Uma lágrima furtiva desce o rosto
E meu coração é fogo posto
Pela saudade dos que vou deixar...
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E minha barca ao longe, se agiganta!
E eu choro e minha alma canta
Belas canções antigas, de embalar
Ó céus, ó mares, ó ventos, penedias
Adeus, adeus, que se findam meus dias
Na doce aurora que me vai levar...
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Adeus ó fontes, regatos, ribeiras
Adeus vinhedos, campinas, ceifeiras
Adeus ó gente, meu povo, meu lar
Adeus aldeia, ó casa dos meus
Adeus amigos queridos, adeus
Aí vem a aurora para me levar!...
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posted by Maria Mamede em De Amor e de Terra
Quinta-feira, Agosto 16, 2007
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NOTA de Victor Nogueira, ...

... a partir dos vários comentários colocados a este poema no blog original, acima referido.
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1. - Num dos meus blogs onde pouca gente vai ou deixa comentário - e Maria Mamede é uma das raras excepções - eu falo das palavras e dos seus olhos e lábios e das múltiplas leituras que as mesmas palavras podem ter conforme o ouvinte ou leitor.
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Ao ler o texto da Maria Mamede, acima reproduzido e que deste modo inaugura a sua participação neste blog, entendi à primeira leitura que o poema está cheio de movimento e podia ser uma canção de emigrante. Emigrar é triste, mas a esperança que assim se busca para uma vida melhor, pode prenunciar uma aurora que representa um novo dia com uma qualidade diferente, mais rica e saborosa.
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Uma segunda leitura, poderia dar a aurora como a chegada do amor e da saída da casa dos pais ou da solidão, para uma outra vida, com outra(s) pessoa(s), incluindo talvez os filhos em potência.
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Nunca a morte me veio à cabeça nem é interpretação que este poema me desperte na sua leitura. É verdade que está lá a barca, que desde tempos muito remotas é conduzida pela Morte, que nos transporta da margem desta «vida» para outra, cuja existência é uma incógnita e serve de suporte a todas as religiões, que admitem que essa outra «vida» existe, boa ou má conforme nos comportemos na breve passagem por este planeta.
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Mas a barca pode também significar mais ou menos metaforicamente o meio de transporte que será utilizado quer pelo emigrante, quer por qualquer dos enamorados recém casados.
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Do copo com água até meio, uns dirão que se trata dum copo meio vazio, outros que se trata dum copo meio cheio. Uma mesma realidade, objectiva, sem metáforas, dá origem a duas interpretações. Qual delas é a verdadeira e porquê? Mesmo que as verdades em confronto representem a mesma realidade, a sua interpretação diverge. Porquê, então?
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2. - Encontro em «Aí vem a aurora» ritmo e movimento e, se os comparasse, seria não sei bem porquê, aos de «Por este rio acima», do Fausto.
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Mas eu sou quase sempre diferente da maioria e não sei se isso é bom ou mau. Quando comento, e comento umas vezes com seriedade e outras com humor ou ironia, «comento» de maneira diferente da maioria.
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Aqui na blogosfera, mais vale cair em graça do que ser engraçado e eu na vida real procuro ser «engraçado», no sentido de bem disposto e sempre com a piada muitas vezes oportuna e certeira.
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3.- Mas pedindo desculpa pelo «desvio», pois o que está em causa é o poema da Maria Mamede e de comentários interpretativos deste seu poema, voltei a lê-lo e encontro nele também um não sei quê de camoneano. Talvez leve, mas ele traz-me também à lembrança a lírica de Camões, que me encanta e prende.

Manuela C astro ~~~ Gaivotas

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Fotografia de Manuela Castro (1999)

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Luanda no agoramente

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Baixa de Luanda
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O lixo e a Saúde - o edifício é de um Centro Médico

(foto M. Glória - 2002)
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Bairro do Cazenga

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Baía de Luanda

(em 1º plano, à esquerda, um anúncio da Coca Cola, cuja venda era proíbida em Portugal mas não em Angola)
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Vista nocturna da Marginal e seu reflexo nas águas da baía
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Avenida Marginal, outrora denominada de Paulo Dias de Novais

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Baía de Luanda e Avenida Marginal, vistas talvez da Fortaleza de S. Miguel.

À esquerda um autocarro, que em Luanda se chamavam machimbombos. Pelo que nos primeiros tempos em POrtugal, quando perguntava onde era a paragem do machimbombo, olhavam para mim com ar de espanto ou quando pedia o mata-bicho, tinha logo que traduzir para pequeno almoço

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Avenida Marginal com núvens
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Antigo Liceu Salvador Correia, agora com outro nome, masculino do 1º ao 5º ano, e misto no 6º e 7º anos. Mas fora das aulas havia segregação: as miúdas subiam pela escadaria central, desembocando junto à biblioteca e «museu», virando à esquerda para a varanda do 1º andar do claustro (havia outro à direita). Durante os intervalos os rapazes tinham de zarpar rápidamente do «geniceu», para não levarem com um dia de suspensão. Também quando havia «borlas» (falta de professor) os rapazes podiam sair para a cerca do Liceu, mas as raparigas tinham de ficar na sala da raparigas.
Defronte havia uma rampa, ajardinada, para a cidade baixa.

Com o último reitor, visita da nossa casa como muitos outros professores, pois a minha mãe dava aulas de Física e Química na Escola Industrial, ao tempo denominada de Oliveira Salazar ... Pois dizia eu que após o término das aulas era proibido aos alunos estarem sentados no muro do Liceu ou na berma do passeio. De vez em quando, lá do cimo da escadaria, o reitor anotava o nome do pessoal desobediente e pimba, lá vinha o castigo, salvo erro um dia de suspensão das aulas
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Largo do Baleizão (nome do proprietário) onde se situava a Cervejaria do mesmo nome, que também fabricava sorvetes que eram vendidos pelas ruas em carrinhos empurrados por negros. Baleizão ficou assim a ser o nome para ... sorvete ou gelado, como são conhecidos em Portugal.
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O Bairro dos Coqueiros, onde se situava o estádio de futebol. Creio que o edifício amarelo era do Hotel Paris, que servia também comida para fora, em vários tachos empilhados e seguros por uma armação onde se encaixavam, o de cima com tampa seguro com mola e o de baixo, mais alto, contendo a sopa. Eram designados por «marmitas térmicas», salvo erro.
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Ilha do Cabo
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O que me surpreende nestas fotos, para além do ar de abandono e degradação, é o trânsito caótico e a enorme quantidade de carros, muitos dos quais não me parecem chavecos. Já agora, nas várias análises sobre quem visita os meus blogs, designadamente o Kant_O, Angola situa-se em 4º lugar, logo atrás dos EUA, ambos muito longe de Portugal e do Brasil, e todos os seus «visitantes» estão localizados apenas em Luanda. Ver comentarios à Livraria Lello, no post anterior
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Fotos remetidas por João Coimbra sem identificação do autor, salvo a de M. Glória. Comentários às fotos por Victor Nogueira

Quem espera sempre alcança e nem sempre a curiosidade mata

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Os 4 da vida «airada» ao portão dos Coimbra.
À direita vê-se a casa dos Nogueira da Silva
Na foto, de autor não identificado.
o escriba destas linhas, o João, o meu irmão Zé Luís (que se suicidou alguns anos depois de desmobilizado) e a Estrelinha.
A foto é de 1959 e eu ainda era criança, pois a idade adulta chegava para os rapazes com a autorização paternal da mudança dos suspensórios para cinto e dos calções para calças.
O grupo tinha mais gente, que não ficou nesta foto: o Dinho (que morreu na guerra), o Quim, a Renata, o Pedro, a Leonor (mais metida em casa), o Gil e o Bustorff.
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A vivenda geminada onde residíamos à esquerda
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Foto tirada com telemóvel pelo João à casa onde residia
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Foto tirada com telemóvel pelo João à casa onde residia
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Livraria e Papelaria Lello, que ocupava todo o r/c e onde vendiam os livros retirados do Mercado por ordem da PIDE, que os apreendia, mas que continuavam a ser vendidos ao pessoal de confiança por baixo do balcão. Se a memória me não falha havia duas outras boas livrarias, a Minerva e, salvo erro, a ABC. Noutras terras como em Évora em certas livrarias os livros proibidos eram adquiridos da mesma forma, por baixo do balcão.
Alguém que fosse visto com um livro ou revista ou jornal proibidos era chamado à PIDE para dizer onde tinha sido adquirido, pergunta que não tinha resposta cabal e comprometedora para o livreiro
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Barra do Rio Dande, a Norte de Luanda e para o interior, onde se propõe a construção duma nova capital, de que o João afirma «Esse projecto do brasileiro para mim faz algum sentido, pois fui lá visitar e gostei francamente do que vi, se bem que na época do calor e chuvas seja terrivel o clima».
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Localização da futura capital, se fôr esta a opção que vier a ser tomada. Repare-se no Rio Bengo, que fornecia água a Luanda e que deu origem à expressão
«Quem beber água do Bengo tem de voltar»
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Acrescenta o João ao meu mail anterior que «Tudo o que tu descreves é de facto exactamente o que se vê no "terreno". Incrivel como parece [que alguém] até está por lá a viver!!!»

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Sobre o bairro da Praia do Bispo escreve: «Nos primeiros dias de Junho tirei com o meu telemóvel estas duas fotos à nossa antiga casa Numero Um da Praia do Bispo. só agora consegui fazer o "download" para o computador e aí vai para vocês verem as modificacões, renovacões e melhorias feitas na mesma. Sem dúvida que de todas as casas era a que estava em melhor estado, pois dá a sensacão de ser pertenca de alguma companhia estrangeira.
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E pronto, cá fico aguardando uma reportagem mais completa que o João prometeu enviar
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Norte de Luanda espera pela nova capital angolana
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* ARMANDO RAFAEL
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Opção preferida fica entre Cacuaco e a Barra do Dande
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As autoridades angolanas estão apostadas na construção de uma nova capital para o país. Para já, o projecto não passa disso mesmo, mas Oscar Niemeyer, o arquitecto brasileiro que projectou os edifícios mais emblemáticos de Brasília, já confirmou ter sido sondado pelo Presidente José Eduardo dos Santos para esse efeito.
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Numa entrevista ao jornal britânico The Guardian, Niemeyer, que em Dezembro fará 100 anos, explica, entusiasmado, que já só está espera que Angola lhe diga o que pretende para passar à acção. "O Presidente angolano convidou-me para projectar a nova capital do seu país, que deverá ser quatro vezes maior que Brasília.
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"Já a sua mulher, Vera Niemeyer, mostra-se mais prudente, como as suas declarações à Lusa evidenciaram na terça-feira. "Ele foi sondado há cerca de um mês. Em princípio, está interessado, mas aguardamos que esse convite seja oficializado.
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"Só que em Luanda ninguém parece estar muito à vontade para falar deste projecto. Pelo menos, a título oficial, tendo em conta que a sondagem a Niemeyer foi feita pelo próprio José Eduardo dos Santos, razão pelo qual o DN foi remetido dos assessores do Presidente para o Governo provincial de Luanda ou para o Gabinete de Reconstrução Nacional, dirigido pelo general Hélder Vieira Dias "Kopelipa", que chefia também a Casa Militar presidencial. Sendo certo que este projecto que, segundo Niemeyer, envolve a construção de uma cidade para dois milhões de pessoas, pode levar muitos anos a concretizar. "Se o paralelo fosse Brasília, seriam 16 anos.
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"À margem dos contactos oficiais, o DN apurou, no entanto, que o projecto da nova capital angolana está planeado para o norte de Luanda, numa região que vai do município de Cacuaco à Barra do Dande (ver mapa)."É a melhor opção", confirmou ao DN uma fonte do Governo angolano, aludindo às condições climatéricas e geográficas que favorecem essa localização. Em detrimento da zona Sul, para onde Luanda tem vindo a expandir-se nos últimos anos, através da construção de vários condomínios.
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Ao ponto de muitos angolanos, e não só, aludirem já à Luanda II que estaria a ser edificada nas imediações do Futungo, onde José Eduardo dos Santos vivia até há dois anos, altura em que se mudou para o palácio do antigo governador-geral colonial.
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"Ao contrário da região Norte, onde até nem há muitas pessoas a viver, a zona a sul de Luanda é mais inóspita e árida, duas limitações que só se alteram depois da Barra do Kwanza.
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"Talvez, por isso, o Conselho de Ministro de Angola tenha decidido, entretanto, atribuir a designação de "reserva do Estado" a três blocos de terrenos situados a Norte de Luanda e que, em conjunto, totalizam 187 quilómetros quadrados, como o Semanário Angolense revelou no final de Maio.
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Mas nem todos os terrenos abrangidos se destinam à futura capital. Dois dos três blocos envolvem outros projectos no município de Cacuaco.
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De reserva para a futura capital estão apenas 77 quilómetros quadrados - Lisboa, por exemplo, ocupa uma área de 84,8 quilómetros quadrados - na região do Dande, admitindo-se que a nova cidade pudesse vir a incluir igualmente a construção de um novo porto que possa substituir ou ampliar as infra-estruturas já existentes em Luanda, e que estão a ser objecto de requalificação.
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Mas, como explicou outra fonte angolana ao DN, o planeamento da nova capital de Angola ainda não chegou à fase de projecto. Mesmo que José Eduardo dos Santos já tenha sondado Oscar Niemeyer, rejeitando, ao que tudo indica, um outro projecto que lhe tinha sido anteriormente apresentado por Troufa Real: o da construção de Angólia.
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in Diário de Notícias 2007.08.09
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Se quiser saber mais sobre Oscar Niemeyer, o arquitecto de Brasília, ver no Kant_O o post «Niemeyer: "a política importa mais que a arquitetura" », colocado em 2007.07.25 , retirado de http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=21460, embora o post contenha hiperligações para a sua obra.
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E não se esqueçam de ir ao post anterior, que está imediatamente abaixo :-)

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Que dia é hoje?

* Victor Nogueira
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Bem, hoje é o dia 15 de Agosto. E feriado nacional. Tempo de férias ou de mini-ponte. Ou para passeios à beira-mar, para que uma eventual fescura da brisa marítima afugente este calor húmido, plúmbeo e pegajoso, que se cola ao corpo, tal qual como em Luanda, coberto de gotículas de suor que às tantas escorrem por nós abaixo, de acordo com as leis da gravidade, para além de ensopar a roupa de tal modo que se a torcêssemos encheríamos um alguidar avantajado e, depois de evaporados os liquídos do suor, encontraríamos talvez uns grãozitos de sal, o tal cloreto de sódio de que fala António Gedeão em «Lágrima de Preta».
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Hoje o tema é Luanda. Porquê. Ora ... vamos «dar tempo ao tempo, que a pressa e má conselheira» e «quem muito corre pouco alcança»
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Pois a Vila de S. Paulo de Luanda, minha terra natal, foi fundada em 1575, na Ilha do Cabo, por Paulo Dias de Novais. Essa ilha, território do Rei do Congo, era a sua reserva monetária, pois lá eram apanhadas as conchas cauri que serviam de equivalente geral, isto é, de moeda que permitia avaliar o valor das mercadorias no mercado.
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(ver agora ou mais tarde um artigo em http://kantoximpi.blogspot.com/search?q=cauri )
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Entretanto a povoação foi transferida para um morro de fronte, em 1576, inicialmente chamado de S. Paulo e depois de S. Miguel. Aí, na cidade alta se instalaram os serviços administrativos, as igrejas e as figuras importantes. A parte baixa ficou reservada para a «escumalha», pois Angola era terra de presídio para onde se desterravam os criminosos de Portugal e do Brasil. Um presidiário famoso foi o Zé do Telhado, mas as levas incluíam intelectuais e homens de saber que no Brasil queriam libertá-lo do jugo e da «exploração» dos Portugueses. Para além disso Angola e outros territórios africanos eram reserva para a «colheita» de escravos para as explorações agrícolas e mineiras dos países das Américas (ou Índias Ocidentais) e mesmo do Continente Europeu. Durante muitos anos a povoação denominava-se pois S. Paulo de Luanda, que ganhou foro de cidade em 1605, a mais antiga fundada por europeus a sul do Sahara e na costa ocidental
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De 1641 a 1648 ficou nas mãos dos holandeses, enquanto o Governo Colonial se refugiou num local quase inexpugnável, onde havia uma fortaleza-presídio: Massangano. Deste modo os holandeses, ou a Companha Holandesa das Indias Ocidentais, assenhoram-se do comércio de escravos que, fazendo falta aos fazendeiros do Brasil, tentaram armar várias esquadras, a última delas capitaneada pelo branco «brasileiro» Salvador Correia de Sá e Benevides.
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Face à recusa de rendição dos holandeses, parte dos quais na altura em Massangano para tentar conquistar aquele «foco» de resistência portuguesa, as forças «brasileiras» reconquistaram a Fortaleza de S. Miguel, colocando a colónia e o comércio de escravos novamente nas mãos dos portugueses, na altura mais preocupados com a Guerra da Independência após o domínio dos castelhanos de 1580 a 164o, no território europeu.
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Perguntarão agora os meus leitores a que propósito vem este arrazoado se este espaço é para «obra» de outrem. Calma, pois dando novamente a palavra à proverbial sabedoria popular, «devagar se vai ao longe» e «as cadelas apressadas parem cães cegos», embora não se deva «deixar para amanhã o que se deve ou pode fazer hoje».
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O assalto à fortaleza de S. Miguel iniciou-se a 15 deAgosto, dia da Assunção da mãe de Cristo aos céus, pelo que desde então esse dia, considerado como o da Reconquista de Angola, passou a ser Feriado Municipal. E a cidade ganhou uma nova denominação: S. Paulo da Assunção de Luanda, embora fosse correntemente designada apenas por este último nome até 11 de Novembro de 1975, data em que retomou o nome gentílico de Luanda.
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Aqui termina a minha historia, para dar lugar ao João Coimbra que, com a irmã Estrela, vizinhos de casa do lado na Praia do Bispo, são neste momento os meus amigos mais antigos, cerca de 40 anos, apesar da distância que nos separa.
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Pois o João um dia destes enviou-me dois mail com fotos de Luanda e com elas inicio a Colaboração de Outrem neste blog.
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No Kant_O, para quem quiser, no marcador Luanda encontra textos sobre a cidade, de várias autorias (Pode também procurar atendendo às datas de publicação):
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Uma outra Luanda - antes e agora ou o impossível retorno (VN - 2007.05.29)
Luanda (VN - 2007.o5.27)
Raizes - poema (VN 2007.05.09)
Fados do Tempo da Outra Senhora (37) (poesia de vários autores Angolanos - 2007.05.09)Fados do Tempo da Outra Senhora (36) (poema Quitandeira, de António Cardoso - 2007.05.09)
S. Paulo de Luanda no século XIX - Two Trips to Gorilla Land and the Cataracts of the Congo (Richard F. Burton - 2007.01.30)

Sobre a reconstrução de Luanda ou a criação duma nova capital de raiz ver:
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que se pretende entregar ao arquitecto brasileiro Óscar Niemeyer.
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Outros temas:
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Breve História de Luanda :
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Recuperação de colónias portuguesas depois da Restauração:
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http://pt.wikipedia.org/wiki/Recupera%C3%A7%C3%A3o_de_col%C3%B3nias_portuguesas_depois_da_Restaura%C3%A7%C3%A3o
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Guerra Luso-Neerlandesa:
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Noutra linha, mais «religiosa»:
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Findos os entretanto, vamos aos finalmente no próximo post. Então até já !

Triimmm! Triiiiiimmmm !

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Victor Nogueira
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Claro que eu bem sei que ainda tenho material de amigos/amigas para publicar, mas tenho preferido estar à espera que me enviem material propositadamente para a «inauguração». Mas como Roma e Pavia não se fizeram num dia ... Eu bem sei que os portugueses e portuguesas sofrem de timidez, embora mal disfarçada.
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Mas sendo eu cidadão do mundo, podem colaborar visitantes ou amizades, não doutro planeta ou sistema solar (por enquanto, sejamos realistas ou modestos), mas sim do chamado Planeta Azul, que os ecologistas dizem estar em vias de extinçao: ele é a destruição da camada de ozono e do pulmão que é a Amazónia, ele são as chuvas ácidas, ele é a desertificação crescente, com o avanço dos desertos e a aglomeração do pessoal nas grandes cidades, ele é o degelo polar que inundará e submergirá muita costa e povoações da orla costeira, ele são as guerras contínuas para «experimentar» a eficácia de armamento cada vez mais destructivo e sofisticado, escoando simultâneamente excedentes da poderosa indústria do complexo político-militar, sobretudo dos States, ele é uma economia especulativa baseada em jogos na bolsa e no regresso ao capitalismo selvagem inicial, agora modernizado com as cores de «neo-liberal, rançoso e anquilosado, sujeito a estourar como um balão.
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Mas podem seguir um rumo mais esperançoso ou optimista para a Humanidade terráquia :-)
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Claro que eu não estou a influenciar o sentido das primícias da vossa eventual colaboração (quem sabe se não estão laboriosamente a prepará-la, apesar duma natural «impaciência» minha). Por outras palavras, estou a lançar à parede barro de melhor ou pior qualidade para que vocês aí modelem à vossa vontade, de acordo com os critérios editoriais.
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«Portantos» estejam descontraídos, por enquanto ainda não estou à espera de colaboração que de imediato vos lance no caminho do estrelato, da acumulação do chamado «vil metal» que faz correr e querem que seja a cenoura de todos mas reservada a uma escassa minoria, segundo a insuspeita e respeitável Forbes e, na vossa esteira, qual via de Santiago, à sombra dos «eleitos», qualquer de nós possa dizer foi graças ao Kant_O e seus «filhotes» que saímos do anonimato.
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Pacientemente espero as primícias da vossa produção intelectual e/ou manual, agora que cada vez mais, queira-se ou não, engrossamos as fileiras do proletariado e do exército de mão de obra barata e sem direiros, ou, como alternativa, da «produção» light que abunda nos super-mercados e nos hipermercados, essas novas «catedrais», agora do consumo, que se vão estendendo a muitas livrarias que outrora foram de «referência».
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Ja pensaram quantos livros e obras de arte se transformarão em pó que as acumulará no esquecimento? Claro que não é o vosso caso, apesar deste tom com ar um pouco depressivo que se vai insidiosamente instalando nestas linhas aí atrás. Mas isso tem bom remédio, pelo menos aqui no jardim à beira-mar plantado: tirem os óculos escuros e busquem inspiração no verde que cobre os campos e alguns espaços urbanos, ou contemplem este céu azul e luminoso. E se para o Norte o céu estiver sombrio e cinzento, sentem-se defronte duma das igrejas cobertas de azulejos azuis, historiados ou não. Ou então comprem papel de cenário, tinta e pincéis e pintem-no dum azul estimulante e alegre.
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Pronto, pessoal, minhas senhoras e meus senhores, minhas meninas e meus meninos, venha daí o negro dos vossos pensamentos ou o arco-íris da vossa produção.
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Aqui estou sentado à beira do PC, esperando por vós.
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É entrar, entrar, pessoal, que o espectáculo tem de começar, como se dizia nos circos da minha infância perdida, enquanto alguma criançada procurava «furar» por baixo da lona da tenda, em sítio mal vigiado ou contando com alguma complacência do artista multi-funções.
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Beijos, abraços ou cordiais saudações deste que acima se identificou!

terça-feira, 14 de agosto de 2007

Seja bem-vindo quem vier por bem


Este blog destina-se aos meus amigos e conhecidos assim como aos visitantes que nele queiram colaborar