Para onde foste tu, meu pai,
que não te reconheço no teu corpo?
Para onde foi a tua voz,
onde se esconderam os teus risos?
Para onde se dirigirão hoje os teus passos?
Onde está o ser que te animava?
O teu pensamento para onde voou?
Quem irá agora telefonar-me no domingo à tarde?
Quem irá colher, para mim, as melhores maçãs?
Para onde foste tu, meu pai, que não te encontro
No invólucro vazio do teu corpo?
Penso que ficarás espalhado pelos montes que amaste
Nas gentes que falarão de ti com respeito
No vermelho das cerejas que até há pouco colhias
Nas águas que em cascata descem da serra
Nas videiras que ergueste
Numa gota de mel.
Os teus passos ressoarão ainda pela casa
E o teu assobio virá contigo quando chegares em pensamento.
E em cada um de nós, os que te amamos, permanecerás.
M J Teixeira
28 de Junho de 2008
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