domingo, 23 de outubro de 2011

Jorgete Teixeira ~ ALENTEJO No comboio olhando a planície




Encho os olhos na planura dolorida das searas.
A terra é um cadinho de oiro e sangue
E o silêncio dói e ecoa magoado
Nos seios da campina.

Angustiada a ave grita, riscando a luz
E homens e bestas
Impotentes
Imploram uma sombra.
Implacável, o sol é o rei da criação
E tudo reduz a poeira e desencanto.

Bastará, porém, uma gota de água
E a terra mártir, qual ventre prenhe,
Frutificará em ondas de pão.

.
1986/7






Sem comentários:

Enviar um comentário

Ao Sabor do Olhar seja bem vindo quem por bem vier. Colabora, participa, comenta! Este Espaço é mais Vosso do que meu :-)