sábado, 22 de outubro de 2011

Edite Pinheiro A FONTE DA NATUREZA




Fico sem ânimo quando estou privada da tua presença. O teu esquecimento faz-me alhear e sentir longe de tudo. Sinto a falta das tuas palavras divagadas que devorava sem cessar, no silêncio da noite, como era hábito meu. Estou só… falta-me o ar! não sei respirar sem o aconchego dos teus braços e das carícias do vento que passa ao de leve pelos meus cabelos. Faço uma pausa durante o dia e da janela do meu quarto olho para lá do mar, do firmamento. Em dias de chuva, fico ali quieta a observar as ondulações e as agitadas árvores da margem baloiçando de um lado para o outro. Em noites frias de luar, o silêncio e a solidão cruzam-se.
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Lá fora, do outro lado da vidraça, alguém corre aflito fugindo às águas da chuva, ao vento agitado, pelas ruas às escuras da aldeia mal iluminada. Consigo distinguir a luz pequena de um foco que ilumina os passos largos, desse alguém, ressoando na calçada molhada, passo a passo. Mais ao longe alguns vultos que passam apressados agasalhados nos seus capotes.
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Lamento que tenha chegado a este ponto de clareza, na certeza absoluta das acções que se passam em volta de um círculo envolvente, através do qual vejo num espelho o horizonte de mim num lago de espuma...

... A demência da arte!

Edite Pinheiro
Jun, 13 / 2010
 ·  ·  · há 3 horas · 

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