quinta-feira, 5 de setembro de 2013

um poema de alberto caeiro

Victor Nogueira partilhou a foto de Ana Albuquerque.
5/9
Não basta abrir a janela para ver os campos e o rio.
Não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores.
É preciso também não ter filosofia nenhuma.
Com filosofia não há árvores: há ideias apenas.
Há só cada um de nós, como uma cave.
Há só uma janela fechada e todo o mundo lá fora;
E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse
Que nunca é o que se vê, quando se abre a janela. 


(Alberto Caeiro)

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