Poema pouco sereno
Não há serenidade no meu olhar.
Intrépidas são as buscas e eternos os porquês.
Não esperes do meu corpo
a mansidão das searas flutuantes
porque ele tem pressas e tumultuosas vagas.
Não busques em mim
a paz contemplativa do fim dos tempos.
Tenho rubras esperas a tingirem-me os lábios
e abraços esfomeados agarrados a mim.
Talvez um dia possas dizer
que o meu corpo é uma casa
da qual sabes os recantos, as esquinas e os lugares sagrados
ou o ultimo reduto onde comes e dormes
enquanto as estações dão a volta ao mundo.
Mas não teças dialécticas sobre o que quero e sou
e não enchas de balas
o que apesar das palavras nocturnas e dos desejos camuflados
ainda não é teu.
Margarida hoje ao princípio da tarde.
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