segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Margarida Piloto Garcia - Poema pouco sereno

  • Hoje
  • Margarida Piloto Garcia
    Poema pouco sereno
    Não há serenidade no meu olhar. Intrépidas são as buscas e eternos os porquês. Não esperes do meu corpo a mansidão das searas flutuantes porque ele tem pressas e tumultuosas vagas. Não busques em mim a paz contemplativa do fim dos tempos. Tenho rubras esperas a tingirem-me os lábios e abraços esfomeados agarrados a mim. Talvez um dia possas dizer que o meu corpo é uma casa da qual sabes os recantos, as esquinas e os lugares sagrados ou o ultimo reduto onde comes e dormes enquanto as estações dão a volta ao mundo. Mas não teças dialécticas sobre o que quero e sou e não enchas de balas o que apesar das palavras nocturnas e dos desejos camuflados ainda não é teu.


    Margarida hoje ao princípio da tarde.

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