sexta-feira, 26 de julho de 2013

um poema de Maria Beatriz Serpa Branco


  • Antonio Alves publicou no CORAL ÉVORA
    Recordando uma excelente Mulher que tive o privilégio de ter como Professora: Maria Beatriz Serpa Branco.

    na nossa infância os dias eram outros
    longos dias de sol
    vividos em sossego
    no viver sempre aberto de nossa quietação
    sem pressas e sem medos

    sages de longa idade
    sabíamos o tempo
    vivíamos sem tempo
    e a vida a rodear-nos braços que nos amavam

    não tínhamos memória
    do que antes conhecíamos
    cada dia era um dia
    e não uma cadeia
    a prender-nos as mãos a horas já passadas
    a gestos copiados

    vivíamos o dia
    dormíamos a noite
    e nem quem nos morria estava ausente

    a morte era uma porta
    por onde entravam todos que saíam
    a morte não havia
    morríamos ao dia em cada noite
    e em cada dia a vida renascia

    Maria Beatriz (Évora, 1973)

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