quarta-feira, 24 de julho de 2013

Um poema de Jorgete Teixeira




Em mim
jazem
Sóis esquartejados
Cacos de vidro fosco
Estilhaçando profecias


Num torpor onde o tempo não começa
O cinzel da vida deixou de construir os dias
Enterrados em estepes de monotonia
Onde a lua é esconderijo do pranto

Para lá de mim não há nada
Só margens de silêncio
E eu
E isso é pouco

maria jorgete teixeira

imagem retirada da net



  • Alice Ausente Gostei muito e fez-me recordar este: Sou de vidro
    Lídia Jorge

    Meus amigos sou de vidro
    Sou de vidro escurecido
    Encubro a luz que me habita
    Não por ser feia ou bonita
    Mas por ter assim nascido
    Sou de vidro escurecido
    Mas por ter assim nascido
    Não me atinjam não me toquem
    Meus amigos sou de vidro

    Sou de vidro escurecido
    Tenho fumo por vestido
    E um cinto de escuridão
    Mas trago a transparência 
    Envolvida no que digo
    Meus amigos sou de vidro
    Por isso não me maltratem
    Não me quebrem não me partam
    Sou de vidro escurecido

    Tenho fumo por vestido
    Mas por assim ter nascido
    Não por ser feia ou bonita
    Envolvida no que digo
    Encubro a luz que me habita
 

Sem comentários:

Enviar um comentário

Ao Sabor do Olhar seja bem vindo quem por bem vier. Colabora, participa, comenta! Este Espaço é mais Vosso do que meu :-)