segunda-feira, 2 de abril de 2012

Um texto de Jorgete Teixeira


Leio-as, como se elas só bastassem, como se fossem gente, carne e sangue, e me abraçassem, como se me levassem pela mão e me beijassem num recanto escondido de sítio nenhum, me violassem os sentidos e me emprenhassem a alma. 

Prendo-me no seu rendilhado leve, tecido quase a rasgar-se de tão fino, saboreio a humidade das gotas de orvalho que delas descem. Aqui e ali o coração salta um pouco porque elas dizem baixinho segredos que não se querem revelar.

Leio-as como se fossem a última esperança, tatuando-as no meu corpo em permanente tinta, fecho os olhos e absorvo devagar o seu néctar como abelha sedenta de mel.
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