quinta-feira, 19 de abril de 2012

Alice Coelho - A chuva bateu-me à porta


A chuva bateu-me à porta, bem de mansinho, como se não me quisesse acordar
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Abri, convidei-a a entrar, mas não quis...pegou-me na mão e levou-me, tão suavemente, com se partilhasse comigo, coisas e sentires nunca vistos, nunca sentidos.
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E saímos, lado a lado, de mãos dadas, molhando os pés nas poças de água, sentindo as grossas gotas baterem na cara, repassarem a roupa e encharcarem o corpo, num alerta constante da vida em movimento, que nos consome, mas que nos arrasta e nos transporta para além de nós, para além do que nossos olhos alcançam, para além do que o nosso entendimento capta, para além.... onde o coração corre, e de cansado, espera sem esperança, amordaçado pelo que não vê, pelo que não chega, pelo tempo que o estrangula..... respira fundo, sobrevive!!

AC


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