sábado, 9 de outubro de 2010

O Pecado da Lúxuria por Ana Porfirio

a Sexta-feira, 8 de Outubro de 2010 às 19:08



Toca-me assim, primeiro devagar, como uma brincadeira,

um reconhecimento,

o toque da pele, sedoso ou mesmo áspero,

de dois corpos que se apresentam ou reconhecem.

Toca-me assim, devagar,

ao de leve,

deixa crescer assim a vertigem a ansiedade.

Toma-me assim com as mãos, com os lábios.

Deixa-me tocar-te assim também,

com calma, firmeza, hesitações,

com força, com medo, com ansiedade,

com fome.

Deixa crescer essa vontade.

Pára!

Recomeça, deixa entrelaçar braços, pernas, dedos.

Sente o meu cheiro em ti, eu sinto o teu em mim.

Não chega, queremos mais, mais tempo, mais rápido, mais lento.

Olha para mim, sussurra-me ao ouvido,

toca-me devagar com os dentes,

como se mordesses um fruto.

Deixa acabar a vertigem.

Toca-me outra vez, com a calma e ânsia da fome voraz, saciada!
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