Nenúfares da Madrugada
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De cavernas e crateras
Nascem
as minhas flautas de choro
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Com espigas e espadas
Crio cortinas de vento
Nas minhas mãos sem idade
É na retina do meu silêncio
Que calo a voz
O pão
A boca adormecida
É no meu jardim de mágoas
Que planto
NENÚFARES DE MADRUGADA
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É no calor do meu vento suão
Que o meu rio fica deserto
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Cravo na minha boca
Uma concha de neve pura
Os meus olhos
ferem o ar
Com soluços de madrugadas adiadas
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E canto
E oiço
A voz do poeta que me sussurra:
Olha bem a aragem
A seiva
Os cabelos livres ao vento
Repara quão zeloso
é aquele búzio
de pedras perfumadas!!
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E páro a refletir
jà não me chega
a bala das palavras
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É preciso mais
E quero ter
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Uma pétala colorida
Um riso aberto numa praia deserta
Um murmúrio de esperança
A palavra AMOR sibilada
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Vitor Correia
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