sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Maria Mamede - 4 sonetos

* Maria Mamede
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ESPERA

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A aconpanhante dor, a dor serena

que bate em gelosia, no meu quarto

é doce feiticeira que me acena

com paraísos, pra onde não parto...

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e vem ao meu olhar mostrar a cena;

promessas de sucessos retumbantes

que minh'alma crente e tão alhena

consegue acreditá-la, por instantes!

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Porém chega, forte, a realidade

e meus olhos distinguem a verdade

contida na ilusão que ela dá;

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e ficam olhando o paraíso

da verdade que sonho, que preciso

à espera que ela chega, amanhã!...

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DIZER DO AMOR

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Não te amo no acto consciente

de rubros amores, paixões tardias

amo-te naquelas sinfonias

que irmanam corações, taõ de repente...

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não te amo no acto resistente

de querer o amor, a todo o custo

amo-te no remorso e no susto

de ser pecador e penitente...

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não te amo em actos de paixão

antes, serena, te pego pela mão

e te levo a campos verdejantes

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onde os dois, libertos desta vida

somos a Natureza e de seguida

regressamos ao que fomos, antes!...

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ALÉM DA MORTE

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Ergo minha taça aos meus amores!

e brindo por quantos me disseram

que me queriam bem, por suas dores

que pude aliviar, quando as tiveram...

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ergo minha taça transbordante

de desejos de Paz de eterno Amor

que a vida, tal como o espumante

perdendo a espuma, perde seu sabor...

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brindemos todos, taças levantadas

pelas vidas, perdidas e achadas

nas fronteiras da Luz, sem passaporte...

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brindemos! Tudo passa de repente

e amanhã, já não seremos gente

só almas, que vão além da morte!...

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AMANHÃ

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Quando em mim se enrosca esta agonia

de dor lancinante e sem sossego

é a ti que me agarro e apego

para ouvir:-"Amanhã é outro dia!"...

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Quando a noite chega e é fantasia

Num sonho que não quero e que renego

tu dizes:-"Amanhã, é outro dia!"

E a ti me agarro e apego.

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Não tires a mão da minha mão

não deixes de ser a condução

que necessito pra seguir confiante...

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não te apartes de mim, ando sem norte

nesta vida sê meu braço forte!

Vai negra a noite plo futuro adiante!...


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Maria Mamede
De Amor e de Terra
seg 27-08-2007 14:47
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1 comentário:

  1. Os versos de Maria Mamede, como sempre são bem bonitos.
    Mas são tristes, muito tristes
    Bj
    Maria

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