quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Convívio do Tempo ... Extra (1) - Areia da Ampulheta



* Raul Seixas

Composição: Raul Seixas

.

Eu sou a areia da ampulheta
O lado mais leve da balança
Balança que não me aguenta
O ignorante cultivado
O cão raivoso inconsciente
O boi diário servido em pratos
O pivete encurralado
Eu sou a areia da ampulheta
O vagabundo conformado
Sem nunca se ter reformado
O que não sabe qual o lado
Espreita o pesar das pirâmides
Cachaceiro mal amado
O triste-alegre adestrado
Eu sou a areia da ampulheta
O que ignora a existência
De que existem mais estados
Sem idéia que é redondo
O planeta onde vegeta
Eu sou a areia da ampulheta
Eu sou a areia
Eu sou a areia da ampulheta
Mas o que carrega a sua bandeira
De todo o lugar o mais desonrado
Nascido no lugar errado
Eu sou, eu sou você

3 comentários:

  1. Para que serviria, a ampulheta, sem a areia?
    A profundidade tantas vezes ignorada, e,ou despercebida!
    Gostei!
    Um abraço
    josé manangão

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  2. talvez a areia seja uma abstração mental de um ser que entede a grndiosidade de um relógio e a ampulheta seja como um antígeno é para a bioética ou ainda uma "braba" maldição a qual estamos seguindo mesmo sem ser areia e sim ampulheta...

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